Prosseguindo com a programação do LACTE 21, que vem discutindo uma série de temas relevantes, o painel Agência 2.0: tecnologia financeira como chave para o futuro das viagens reuniu Pedro Góes, CEO da Paytrack; Peterson Prado, vice-presidente da Onfly; e Ury Rappaport, CRO da Swap, para discutir como a integração entre gestão de viagens e soluções financeiras está redesenhando o setor.
A conversa começou com Góes contextualizando a evolução do conceito de agência 1.0 para 2.0. Segundo ele, a transformação vai muito além da simples emissão de passagens aéreas, reservas de hotel ou locação de veículos. “Quando falamos em 2.0, ampliamos a visão das travel techs. Não se trata apenas de operacionalizar a viagem, mas de oferecer soluções personalizadas e analisar todas as etapas da jornada corporativa”, destacou.

Para o executivo, o novo modelo pressupõe inteligência de dados, integração de sistemas e maior protagonismo estratégico das empresas de tecnologia. Na sequência, Prado ponderou que a terminologia “2.0” é interessante, mas carrega um caráter híbrido. Isso porque muitas empresas já atuam de forma integrada na gestão de despesas e viagens, embora também possam operar de maneira independente.
Para ele, o ponto central está na posse e no domínio dos ativos tecnológicos. “É crucial que as empresas controlem sua própria tecnologia para entregar experiências mais completas aos viajantes corporativos”, afirmou. Segundo o executivo, o setor vive uma transição relevante, em que a jornada passa a ser gerida de forma mais integrada e orientada por dados.
Visão de futuro
Durante o debate, Rappaport trouxe uma perspectiva pragmática sobre inovação. Para ele, inovar significa responder com rapidez às necessidades do cliente. Embora considere o conceito de agência 2.0 provocativo, o executivo ressaltou que o grande diferencial está na proposta full service — ou seja, na ampliação da jornada com a consolidação de múltiplos serviços em uma única plataforma.
Ele explicou que a entrega de uma experiência realmente eficiente depende da capacidade de intermediar também as operações financeiras ligadas às viagens corporativas. Nesse contexto, a integração entre pagamento, conciliação, prestação de contas e controle orçamentário deixa de ser um complemento e passa a ocupar posição central na estratégia das empresas.
A Inteligência Artificial também ganhou destaque na discussão. De acordo com Góes, a IA é fundamental para conectar dados dispersos, gerar análises mais abrangentes e oferecer uma visão macro da jornada do viajante. “Com tudo integrado, as informações ficam disponíveis para os gestores de viagens, o que é essencial neste momento de transformação”, observou.
Além disso, a digitalização de processos — como o adiantamento de recursos para viagens — foi apontada como um avanço significativo. A automatização reduz burocracias, melhora a experiência do colaborador e amplia a governança das empresas, trazendo mais controle e previsibilidade aos gastos.
Em síntese, o painel reforçou que a chamada Agência 2.0 não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma mudança de mentalidade. O futuro das viagens corporativas passa pela convergência entre mobilidade, finanças e inteligência de dados — um ecossistema em que eficiência operacional e experiência do usuário caminham lado a lado.
(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News












