Dando início ao segundo dia do LACTE 21, promovido pela Alagev (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas), Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), apresentou o painel Economia & Viagens Corporativas: o que esperar para 2026. A proposta foi traçar um panorama macroeconômico e avaliar como os principais indicadores devem impactar o setor no curto e no médio prazos. Em 2025, as viagens corporativas movimentaram R$ 147,8 bilhões, crescimento de 6,3% e o maior resultado da série histórica, segundo dados da Alagev e FecomercioSP.
O desafio agora é compreender como o segmento deve se comportar ao longo deste ano. Logo na abertura, Dietze destacou o enfraquecimento do dólar entre 2025 e 2026 e seus possíveis reflexos sobre o fluxo de capital e as decisões de investimento. Segundo ele, a combinação entre juros elevados no Brasil e a perda de força da moeda norte-americana tende a atrair investidores estrangeiros em busca de maior rentabilidade. “O investidor está lá fora, olha para o Brasil e vê a chance de lucrar 15% ao ano devido à nossa taxa de juros. Para eles, é um cenário muito favorável”, afirmou.
Para este ano, a projeção é de que a taxa básica de juros, atualmente em 15%, recue para 12,26%. Já o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação, também deve desacelerar, com impactos diretos sobre o PIB (Produto Interno Bruto). Ainda assim, o economista ponderou que o cenário permanece desafiador.
Juros elevados e contas públicas deficitárias pressionam a dívida pública e limitam cortes mais consistentes na taxa básica, restringindo o ritmo de expansão da atividade econômica. “Além dos juros altos, temos contas públicas deficitárias, que ampliam a dívida e dificultam a queda da Selic. Esse é um grande desafio para a economia como um todo”, reforçou.
Mercado de trabalho e impacto no setor
Ao analisar os vetores que podem influenciar as viagens corporativas em 2026, Dietze chamou atenção para o mercado de trabalho aquecido — tendência consolidada em 2025, quando o Brasil registrou a menor taxa de desemprego da série histórica. Na avaliação dele, níveis mais altos de ocupação impulsionam o dinamismo empresarial, favorecem a expansão de negócios e estimulam a demanda por deslocamentos profissionais.

A projeção para 2026 é de crescimento de 7% nas viagens corporativas, com faturamento estimado em R$ 158 bilhões. O avanço deve ocorrer mesmo diante de fatores que tradicionalmente afetam o calendário econômico, como Copa do Mundo e eleições. Para Dietze, o desempenho dependerá menos do ambiente externo e mais da capacidade de planejamento das empresas. “Trata-se de trabalhar direito e estruturar bem as estratégias. Devemos continuar registrando faturamento recorde, com crescimento consistente”, afirmou.
Ele também destacou que, em sua participação no LACTE 21, que apesar das tarifas aéreas ainda pressionadas, a disposição para viajar permanece elevada. Em 2025, o número de passageiros transportados chegou a 129,6 milhões, alta de 9,4%, enquanto o faturamento do setor aéreo atingiu R$ 279,6 bilhões, crescimento de 11,3%. A demanda resiliente indica que as empresas continuam priorizando encontros presenciais, negociações e eventos como instrumentos estratégicos de geração de negócios.
Hotelaria
A hotelaria foi apontada como um dos principais motores das viagens corporativas em 2026. Em 2025, o setor registrou crescimento de 2,1% na taxa de ocupação e avanço de 10,5% na diária média, segundo dados do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). O desempenho reforça a capacidade de recomposição tarifária e a consolidação da demanda, especialmente nos grandes centros urbanos e polos corporativos.
A combinação entre aumento de diária média e crescimento de ocupação indica não apenas recuperação, mas fortalecimento do posicionamento do produto hoteleiro. Para o segmento corporativo, isso representa um cenário de maior previsibilidade de receitas, embora também exija das empresas contratantes estratégias mais eficientes de negociação e gestão de viagens. Se o mercado de trabalho seguir aquecido, a hotelaria tende a sustentar margens mais saudáveis, consolidando-se como um dos pilares do crescimento do setor.
A análise apresentada no LACTE 21 reforça que, embora o ambiente macroeconômico imponha desafios — especialmente na esfera fiscal e monetária —, as viagens corporativas mantêm perspectivas favoráveis. Sustentado por um mercado de trabalho dinâmico, pela possível desaceleração da inflação e por uma trajetória de juros em queda, o setor caminha para mais um ciclo de expansão. O cenário exige cautela e planejamento, mas aponta para 2026 como um ano de consolidação e continuidade do crescimento da indústria.
(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News














