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STRs mudam de fase e redesenham disputa com hotéis

O mercado global de STR entra em uma nova etapa de desenvolvimento após o forte crescimento registrado no período pós-pandemia. Agora, o segmento passa por um realinhamento estrutural, marcado por maior fiscalização, mudanças no comportamento dos viajantes, avanço da inteligência artificial e novas estratégias das plataformas de distribuição.

Segundo o relatório Global Short-Term Rentals 2026, da Phocuswright, as reservas brutas de STRs atingiram US$ 219,9 bilhões em 2025. A projeção é de crescimento a uma taxa composta anual (CAGR) de 5,3% até 2029, quando o mercado deverá alcançar US$ 270,6 bilhões.

Para 2026, três movimentos devem nortear o desenvolvimento do setor. O primeiro é a transição de um período de crescimento pouco regulado para um ambiente de maior fiscalização e escrutínio, movimento que começa a remodelar a oferta nos principais mercados.

O segundo está relacionado às transformações tecnológicas e às estratégias das plataformas. A adoção da IA generativa e iniciativas como a expansão do Airbnb para além das estadias estão mudando a maneira como os viajantes descobrem e reservam suas viagens. Ainda assim, permanece incerto o impacto dessas mudanças sobre o crescimento da demanda por aluguéis de curta duração.

A terceira transformação ocorre no comportamento do consumidor. Expectativas relacionadas a confiança, consistência e valor ganham relevância nas decisões de hospedagem e contribuem para um novo equilíbrio competitivo entre aluguéis de curta duração e hotéis.

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STRs avançam mais do que hotéis na América do Norte

Apesar das transformações estruturais, os fundamentos da demanda por aluguéis de curta duração permanecem fortes. Na América do Norte, as reservas brutas cresceram 4% em 2025, alcançando US$ 78 bilhões. Para 2026, a expectativa é de expansão de 5%, para US$ 81,8 bilhões.

O ritmo supera o desempenho do setor hoteleiro dos Estados Unidos, que apresentou crescimento de 1% em 2025 e tem previsão de expansão de 3% em 2026.

Outro indicador reforça a maior presença dos STRs nas decisões dos viajantes norte-americanos. A incidência de uso de aluguéis de temporada nos Estados Unidos, percentual de viajantes a lazer que utilizaram esse tipo de acomodação em sua viagem mais recente, passou de 24% em 2023/24 para 30% em 2024/25. Foi o maior avanço em um único período da série histórica e a primeira vez desde 2019 que o indicador ultrapassou 28%.

Viagens mais longas favorecem aluguéis de temporada

Uma das explicações para esse avanço está no aumento da duração das viagens nos Estados Unidos. A média passou de 6,2 noites em 2022/23 para 7,2 noites em 2024/25.

Ao mesmo tempo, a participação das viagens com 14 noites ou mais avançou de 16% para 21% — período no qual os aluguéis de temporada tendem a ser mais competitivos.

A comparação entre hotéis e STRs também está se tornando mais frequente entre os consumidores, indicando uma integração mais profunda dos aluguéis de curta duração no processo de decisão das viagens.

Europa já apresenta mercado mais consolidado

Na Europa, a utilização de aluguéis de curta duração em diferentes mercados já supera ou se aproxima dos níveis registrados nos Estados Unidos. Na França, a incidência chega a 44%, enquanto o Reino Unido registra 31% e a Alemanha, 26%.

Diferentemente do movimento recente observado no mercado norte-americano, os números europeus indicam uma presença estruturalmente mais consolidada dos STRs no turismo de lazer.

A expectativa é que a Europa alcance US$ 79,7 bilhões em reservas brutas de aluguéis de curta duração em 2026.

Ásia-Pacífico deve crescer 8,9% ao ano até 2029

Fora das duas maiores regiões do mercado, as perspectivas continuam positivas, embora as trajetórias de expansão apresentem características distintas. A região da Ásia-Pacífico segue beneficiada por uma recuperação pós-pandemia mais prolongada do que em outros mercados, sustentando um ritmo elevado de crescimento dos STRs durante o período analisado.

Com espaço adicional para recuperação, a região deverá registrar uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 8,9% até 2029, alcançando US$ 49,3 bilhões.

América Latina liderou crescimento regional em 2025

A América Latina apresentou o crescimento regional mais forte em 2025, impulsionada pela demanda robusta por viagens e pelo fortalecimento das reservas em mercados estratégicos.

Entre os destaques está o Brasil, além da mudança nos fluxos de viagens da América do Norte em direção ao México.

Já o Oriente Médio e a África permanecem como a menor região do mercado global de STRs. O crescimento em 2026 deverá ser interrompido pela continuidade dos conflitos regionais. Ainda assim, as reservas brutas deverão alcançar US$ 10,3 bilhões até 2029.

(*) Crédito da capa: Hotelier News

(**) Crédito das imagens: Divulgação/Phocuswright

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