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LACTE 21: CEOs analisam desafios e oportunidades para 2026

Fechando a programação do LACTE 21, o painel CEOs: conflitos, eleições e uma agenda lotada – desafios e potencialidades para 2026 reuniu lideranças para discutir os principais movimentos que devem impactar o setor de viagens e eventos corporativos nos próximos meses. Em um cenário marcado por instabilidade geopolítica, pressão cambial e transformações tecnológicas, os executivos apontaram caminhos para equilibrar risco e oportunidade.

O debate foi mediado pela jornalista Natuza Nery e contou com a participação de Chieko Aoki, fundadora e presidente da Blue Tree Hotels; Marcelo Linhares, fundador e CEO da Onfly; Paul Barry, country manager da BCD Travel no Brasil; e Fabiana Schaeffer, fundadora e CEO da Netza.

Logo no início, Barry chamou a atenção para a forte influência do câmbio na estrutura de custos do setor aéreo. Segundo ele, cerca de 60% das despesas das companhias são dolarizadas, o que impacta diretamente as estratégias de precificação. Diante desse contexto, defendeu a construção de políticas de viagens mais consistentes e integradas a todas as áreas das empresas.

“Com um bom BI (Business Intelligence), é possível monitorar o mercado em tempo real, identificar tendências e ajustar rotas com agilidade. Essa inteligência pode ser decisiva em períodos de volatilidade”, afirmou.

Eventos como estratégia, não como despesa

Ao analisar o papel dos eventos corporativos, Fabiana reforçou que eles não devem ser vistos como um custo adicional, mas como uma ferramenta estratégica de geração de negócios e fortalecimento de marca. Para ela, quando bem estruturados e alinhados aos objetivos comerciais e institucionais, tornam-se ativos essenciais de relacionamento e posicionamento.

A executiva destacou ainda que, em um ambiente de incertezas, experiências presenciais ganham relevância ao promover conexões qualificadas e oportunidades concretas. Mais do que encontros, os eventos precisam entregar propósito, mensuração de resultados e integração com outras frentes do negócio.

Planejamento e cultura de enfrentamento

Chieko enfatizou a importância da previsibilidade e da gestão de riscos desde a concepção dos projetos. Em um cenário influenciado por conflitos internacionais, eleições e oscilações econômicas, mapear vulnerabilidades e criar planos de contingência deixou de ser diferencial para se tornar obrigação estratégica.

Segundo ela, o verdadeiro diferencial competitivo está nas conexões humanas — internas e externas. “Isso precisa virar cultura dentro das empresas. Um momento adverso pode ser o gatilho para melhorias significativas, desde que haja preparo e união”, afirmou.

Complementando a análise, Barry reforçou a necessidade de fortalecer parcerias e buscar novas frentes de negócios. Para ele, sobreviver — e crescer — exige visão de longo prazo e capacidade de antecipação. “O cenário se torna mais desafiador a cada ano. Por isso, é fundamental estar sempre um passo à frente.”

Linhares trouxe a perspectiva da tecnologia como aceleradora de respostas. Ele destacou a capacidade histórica do brasileiro de se adaptar a cenários complexos e apontou as ferramentas digitais como aliadas nesse processo. “A tecnologia encurta o tempo de reação e amplia a capacidade de análise. Isso será determinante para atravessar os próximos ciclos”, observou.

Ecossistema e colaboração

Ao abordar estratégias para 2026, Chieko defendeu a criação de uma cultura de enfrentamento em toda a cadeia de viagens corporativas. Mais do que ações isoladas, é preciso consolidar um ecossistema colaborativo, no qual fornecedores, clientes e parceiros compartilhem informações, riscos e oportunidades.

Chieko Aoki
“A diferença está na preparação”, disse Chieko

Pensar de forma sistêmica — considerando pessoas, processos e relações de longo prazo — amplia a segurança e fortalece a resiliência do setor. Em um ambiente marcado por agendas intensas e mudanças rápidas, a integração entre stakeholders surge como pilar central.

No encerramento, o painel deixou claro que, embora o contexto global imponha desafios relevantes, o setor de viagens e eventos corporativos mantém potencial de crescimento. Com planejamento estratégico, inteligência de dados, tecnologia e valorização das conexões humanas, 2026 pode representar não apenas um ano de resistência, mas de consolidação e avanço.

(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News

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