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Meliá e o lado certo da história

Por Vinicius Medeiros 21 de maio de 2020

Meliá - hotel convertido em hospital_despedidaEquipe dá adeus para aqueles que não precisam voltar tão cedo

No domingo passado (17), o Meliá Palma Bay Hotel se despediu de alguns hóspedes desejando que não voltassem. Pelo menos não tão cedo. A afirmação parece jogar contra qualquer manual básico de marketing, mas em tempos de Covid-19 o mundo está mesmo muito diferente. Bem, contar essa história desde o início ajuda a entendê-la melhor – e a partir daí tudo passa a fazer muito mais sentido.

Então vamos lá. Em março, o hotel da Meliá Hotels International em Palma, nas Ilhas Baleares, foi convertido em um hospital, sob gestão do Hospital Universitário Son Llàtzer. No total, 66 pessoas receberam tratamento em um dos 258 quartos adaptados para receber pessoas infectadas com Covid-19. No domingo, os últimos pacientes ganharam alta e foram para suas casas. São e salvos, para alegria de seus familiares.

“A conversão de nossas instalações em um hospital foi um projeto sem precedentes e uma das experiências mais valiosas da nossa história”, comenta Ramón Vidal, gerente geral do Meliá Palma Bay Hotel. “Trabalhando juntos, transformamos esse espaço para responder a uma emergência de saúde pública, e também podemos dizer com resultados mais do que satisfatórios”, completa. 

Além dos quartos no hotel, o centro de convenções anexo ao empreendimento (Palácio de Congressos de Palma) ganhou 129 leitos, sendo 24 de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), como medida preventiva. Felizmente, não foi necessário usá-los. Como citou Vidal, foi um projeto a várias mãos. A obra de adaptação, por exemplo, foi uma ação coordenada entre Meliá, governo das Ilhas Baleares e Exército espanhol, além de autoridade de saúde.

Meliá e o bom exemplo

É bom ressaltar: a Meliá não inventou a roda, mas foi humana e entendeu a gravidade da situação, cedendo seus quartos ociosos para quem mais precisava. Seu exemplo foi seguido por outras redes em várias partes do mundo. Talvez, algumas delas tenham até tomado atitude de ceder seus quartos ociosos para o sistema de saúde antes da empresa espanhola. Pouco importa o timing, o que vale é a intenção e o gesto – e a Meliá acertou em cheio.

E não ficou só nisso. Como forma de agradecimento aos profissionais de saúde que lá trabalharam, a Meliá os recompensou com duas diárias gratuitas em qualquer hotel da rede. Claro, eles só poderão usufrui-las quando tudo isso passar. A luta contra o coronavírus ainda continua na Espanha, que vem preparando a reabertura do país após 27.888 mortes pelo Covid-19 (dados até 20 de maio). Com calma, planejamento, união e entendimento de que só assim o país superará a pandemia de vez.   

Bem diferente do que vemos no Brasil, infelizmente. O gesto humano da Meliá é repetido por muitos atores da iniciativa privada, incluindo da hotelaria. De Brasília, contudo, as mensagens transmitem o oposto do que a população quer ver e ouvir. Não se seguem recomendações médicas e científicas e, principalmente, há pouca sensibilidade com as famílias das vítimas. Aliás, e daí? Em compensação, sobra preocupação com a economia, com os gastos públicos e, claro, há intensa exacerbação da polarização política. O que se pretende com isso? Não dá pra saber, mas não é humano e solidário – isso é certo! 

É por isso que o Hotelier News precisava contar essa história. Na foto que abre a matéria, é possível ver um time de médicos, acompanhado de Vidal (ao centro, de luvas azuis), despedindo-se dos últimos “hóspedes”. Todos eles foram embora sob aplausos, justíssimos por sinal. Venceram! Meliá e a equipe de funcionários do hotel e do Hospital Universitário Son Llàtzer também merecem todas aclamações possíveis. Para a gente não esquecer como se faz!

(*) Crédito da capa: adjomargonzalez/Pixabay

(**) Crédito das fotos: Divulgação/Meliá Hotels International