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Mercado global de timeshare mira nova geração

O mercado global de timeshare deve ultrapassar US$ 19 bilhões em 2025 e alcançar mais de US$ 26 bilhões até 2029, segundo projeções do setor. A Travel and Leisure informou que o número de membros do programa Club Wyndham Asia mais que dobrou desde meados de 2023. Hoje, 60% dessa base é composta por clientes das gerações Z e millennial.

Na América Latina, o Brasil é o segundo maior mercado de timeshare, com mais de 150 empreendimentos.  “Antes, provavelmente estaríamos economizando para comprar uma casa. Hoje, essa geração prefere investir em experiências”, diz Barry Robinson, presidente e diretor-gerente de Operações Internacionais da Travel and Leisure, ao Skift.

Esse novo perfil de consumo também estimula o interesse pela propriedade fracionada, que permite acesso a bens de alto valor, como casas de veraneio, iates ou jatos privados, sem necessidade de compra integral. No formato atual, o timeshare funciona com base em pontos, substituindo o modelo fixo de semanas em um único resort. Segundo Robinson, o sistema é mais prático e adaptável, característica valorizada pelo público mais jovem, que prioriza a experiência, mesmo sem buscar as maiores acomodações.

Para atender a essa demanda, a Travel and Leisure vem adaptando o produto na Ásia, incorporando melhorias como amenidades atualizadas, experiências locais e opções que vão de estadias básicas a vilas de alto padrão com chef e piscina privativos.

A estratégia inclui maior foco no mercado doméstico, que ganhou importância durante a pandemia e continua relevante diante do aumento das tarifas aéreas e dos custos de hospedagem. “Se você não tem atenção ao mercado interno, o negócio pode secar da noite para o dia”, afirma o executivo.

China e Índia no radar

A China e a Índia são vistas como mercados-chave para expansão. A empresa já atua na China e registra avanços, mas considera a entrada na Índia mais complexa devido a barreiras legais e financeiras. “A Índia é uma mina de ouro, só não descobrimos ainda como explorá-la”, disse Robinson, acrescentando que o país está nos planos de médio prazo.

Expansão com o Accor Vacation Club

Em 2023, a Travel and Leisure adquiriu o Accor Vacation Club por US$ 48,4 milhões. Menos de dois anos depois, o produto, antes concentrado no Pacífico Sul, começou a ser levado para outros mercados, como Bali, e deve chegar ao Oriente Médio ainda este ano, além de avançar para a Tailândia.

O movimento amplia o alcance da empresa para a base de mais de 100 milhões de clientes fiéis da Accor, oferecendo acesso a novas marcas e destinos, além de diversificar o portfólio com experiências como Sports Illustrated Resorts e Eddie Bauer Adventure Club.

Tecnologia e novos formatos

A companhia também aposta em tecnologia para modernizar a operação, testando ferramentas de IA (Inteligência Artificial) no atendimento e melhorando plataformas móveis. A integração com programas de fidelidade permite converter pontos entre clubes de férias e estadias em hotéis.

Além de destinos de praia e neve, capitais e grandes cidades passam a entrar no radar, assim como resorts preparados para receber hóspedes que trabalham remotamente. “Queremos continuar relevantes para uma geração que mistura trabalho e lazer”, conclui Robinson.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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