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Muito além do selo: a jornada da Matueté para se tornar uma Empresa B

Ao iniciar nossa jornada para nos tornarmos uma Empresa B, percebemos que seu maior valor está em transformar princípios em processos e em decisões concretas.

Somos apaixonados pelo Brasil e trabalhamos em um setor diretamente conectado à natureza, à cultura, às comunidades de cada destino. Mas entendemos que querer preservar não basta: era preciso transformar essa intenção em práticas e compromissos concretos. Foi no Sistema B que encontramos um caminho para isso e uma ideia que traduz o que buscamos: ser uma empresa melhor para o Brasil.

Como não tínhamos uma liderança interna dedicada ao projeto, contamos com o apoio de uma consultoria para entender os requisitos, definir prioridades e estruturar a jornada. Começamos pela BIA (B Impact Assessment), ferramenta de avaliação do Sistema B que analisa o impacto da empresa em diferentes áreas. A partir dela, analisamos 74 requisitos, identificamos 28 requisitos mínimos e os transformamos em 16 ações concretas, entre elas pesquisa de clima, censo, revisão do recrutamento, canal de integridade, política de sustentabilidade, dupla materialidade, inventário de gases de efeito estufa (GEE), plano climático e política de fornecedores.

Um dos principais aprendizados foi entender que não basta fazer: é preciso transformar intenção em gestão. Diversidade exige conhecer nossa organização e agir sobre os resultados; escutar stakeholders exige transformar essa escuta em ações e acompanhamento; e sustentabilidade precisa estar presente nas decisões da liderança. É assim que ESG deixa de ser uma iniciativa isolada e passa a fazer parte da gestão, com processos, indicadores e acompanhamento.

Entre os projetos mais desafiadores estão a dupla materialidade e o plano climático. A primeira nos ajuda a compreender nossos impactos, riscos e oportunidades e, a partir deles, definir prioridades e metas.

Na agenda climática, o inventário de GEE (gases de efeito estufa) mostrou que nosso maior impacto está no Escopo 3, que reúne as emissões indiretas geradas ao longo da cadeia de valor, principalmente pelas viagens dos clientes, como voos, hotéis, traslados e experiências. A partir desse diagnóstico, nosso plano busca reduzir emissões, envolver fornecedores, mapear riscos nos destinos e apoiar ações de conservação, restauração e adaptação.

Ainda estamos no meio dessa jornada e longe de ter todas as respostas. Mas ela já nos mostrou que estruturar o que acontece dentro da empresa é apenas parte do caminho. Como uma operadora, grande parte do nosso impacto acontece fora da empresa, no que escolhemos oferecer aos clientes e na extensa cadeia que conecta fornecedores, viajantes, comunidades e destinos.

É aí que começa nosso próximo desafio: como levar esses compromissos para uma cadeia que influenciamos, mas não controlamos?

Entender como fazer isso, respeitando realidades diferentes e buscando gerar mais valor para os destinos onde atuamos, é o próximo capítulo da nossa jornada.

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Caroline Vaslin possui 18 anos de experiência em gestão de projetos, desenvolvimento de processos e planejamento estratégico, sendo 10 deles dedicados à indústria do turismo. Ao longo de sua trajetória, atuou intensamente nas áreas de vendas, operações e produtos, combinando visão estratégica e execução para gerar resultados concretos.
Formada em Engenharia de Produção pela PUC, com Mestrado em Gestão Estratégica para Agências de Viagens de Luxo e um MBA em ESG.
Atualmente, Caroline atua como Head da Matueté, uma operadora especializada em viagens pelo Brasil, desenhando experiências autênticas e impecavelmente executadas que valorizam a biodiversidade, a cultura e a hospitalidade brasileiras. Acredita no turismo como uma força transformadora, capaz de gerar conexões genuínas, impulsionar o desenvolvimento local e contribuir para a conservação do patrimônio natural e cultural do país.

(*) Crédito da foto: arquivo pessoal da autora

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