Muito além da diferença de representatividade em cargos de liderança, o mercado de trabalho ainda apresenta disparidades quanto o assunto é permanência nas funções do alto escalão corporativo. De acordo com o Índice Global de Rotatividade de CEOs, desenvolvido pela Russell Reynolds Associates, mulheres CEOs enfrentam 33% mais riscos de demissão ou renúncia de seus postos voluntariamente frente aos seus pares masculinos, segundo informado pela Bloomberg Línea.
A pesquisa, que analisou 1,1 mil transações de CEOs em empresas de capital aberto de 25 países no primeiro trimestre de 2025, revela uma disparidade na permanência de mulheres nos cargos. A diferença de duração dos mandatos é ainda maior quando analisada em números absolutos. Enquanto executivos do sexo masculino permanecem cerca de 7,9 anos em suas funções, as profissionais do sexo feminino ficam 5,2 anos nas cadeiras mais altas das empresas — uma diferença de 50%.
Essa disparidade expõe maior instabilidade enfrentada pelas líderes femininas, além de sugerir barreiras sistêmicas que impedem a consolidação dessas profissionais no alto escalão corporativo, aponta o levantamento.
Dados históricos reforçam essa tendência: desde 2018, 32% das mulheres CEOs deixaram seus postos em até três anos de mandato, percentual superior aos 28% registrados por homens no mesmo recorte de tempo.
Expectativas
A alta rotatividade de mulheres CEOs revela que as profissionais enfrentam pressão e expectativas distintas de seus pares masculinos, o que gera um ambiente de maior incerteza e instabilidade, de acordo com o estudo.
No primeiro trimestre de 2025, as mulheres representaram 13% das nomeações para a posição de CEO, 11% acima do registrado no mesmo período de 2024. O estudo aponta que as taxas de demissões ou renúncias não estão ligadas a questões financeiras das empresas que lideram. Mesmo com resultados positivos, os homens tendem a permanecer mais tempo nos cargos.
No ano passado, uma pesquisa da Deloitte mostrou que, globalmente, as mulheres ocupam apenas 6% das cadeiras de CEOs. No recorte do setor hoteleiro, a representatividade é de 7%, segundo uma pesquisa de 2023 do WTTC (World Travel & Tourism Council).
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