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Booking Holdings supera previsões e foca em transformação

A Booking Holdings registrou resultados acima do esperado no segundo trimestre de 2025, mesmo diante das incertezas no cenário global. Segundo o CEO Glenn Fogel, os números refletem a disciplina na execução das estratégias da companhia. As informações são do Phocuswire.

“Temos o prazer de relatar um forte segundo trimestre, com crescimento de 8% nas diárias e um aumento de dois dígitos nas reservas brutas e na receita, refletindo a execução disciplinada de nossas iniciativas estratégicas”, afirmou Fogel no comunicado de resultados.

O volume de diárias chegou a 309 milhões de noites reservadas, alta de 8% frente ao mesmo período de 2024. Durante teleconferência com analistas, Ewout Steenbergen, diretor financeiro, atribuiu o desempenho ao bom momento na Europa, Ásia e Estados Unidos, com crescimento dois pontos percentuais acima da estimativa inicial.

“Observamos um impacto na nossa região do resto do mundo em junho devido aos eventos no Oriente Médio, que estimamos que impactaram o crescimento global em cerca de 1% em junho e um terço de um ponto percentual no geral no segundo trimestre”, pontuou.

Embora os Estados Unidos continuem sendo a região com menor ritmo de expansão, houve melhora em relação ao primeiro trimestre. “Nos EUA, observamos diárias mais baixas, bem como períodos de estadia e de reserva mais curtos”, disse Steenbergen. “Isso pode sugerir que os consumidores americanos estão sendo mais cautelosos com os gastos no atual ambiente econômico.”

A controladora de marcas como Priceline, Booking.com, Kayak, Agoda e OpenTable também observou estabilidade nos principais corredores de viagem. No entanto, as viagens de entrada para os EUA caíram em relação a 2024, influenciadas sobretudo pela queda de viajantes canadenses e, em menor grau, europeus. Por outro lado, houve alta nos fluxos Canadá-México e Europa-Ásia.

Resultados financeiros

As reservas brutas totalizaram US$ 46,7 bilhões, avanço de 13% na comparação anual. A receita chegou a US$ 6,8 bilhões, crescimento de 16% (ou 12% em moeda constante), e o EBITDA ajustado foi de US$ 2,4 bilhões, alta de 28%.

As despesas com marketing subiram 10%, mas, segundo o CFO, a alavancagem foi favorecida. “As despesas de marketing como uma porcentagem das reservas de crescimento foram uma fonte de alavancagem em comparação ao segundo trimestre de 2024, impulsionadas por menores despesas de marketing de marca, bem como maior mix direto, parcialmente compensado pelo aumento de gastos em canais de mídia social e ROIs incrementais atraentes”, afirmou Steenbergen.

Apesar das incertezas, a empresa está mais otimista para o restante do ano. “Voltando-nos para o ano de 2025, embora reconheçamos que ainda há grande incerteza no ambiente macroeconômico e geopolítico, estamos satisfeitos em ver que as tendências globais de demanda por viagens continuam estáveis até agora no terceiro trimestre. Dadas essas tendências e com melhor visibilidade para o terceiro trimestre, que historicamente tem sido nosso maior trimestre de receita e lucro, estamos aumentando nossas faixas de orientação para o ano inteiro no ponto médio, assumindo taxas de efeitos recentes para o restante do ano”, disse ele.

Viagem conectada e inteligência artificial

A Booking Holdings mantém o foco na chamada “viagem conectada” e tem colhido bons frutos, especialmente com a adoção de inteligência artificial em suas operações. “Atingimos um marco com transações de viagens conectadas, onde os clientes escolhem reservar mais de um segmento de viagem conosco, representando uma participação de dois dígitos no total de transações da Booking.com e um aumento de mais de 30% em relação ao ano anterior”, disse Fogel.

Segundo ele, o avanço foi impulsionado por outras verticais, como passagens aéreas, que cresceram 44%. “Continuamos a progredir em direção à nossa visão de longo prazo”, afirmou Fogel, destacando que a viagem conectada gera mais valor para clientes e parceiros. “Para ser franco, vemos uma maior fidelidade em nossos clientes que compraram uma viagem conectada.”

A companhia também avança na aplicação da IA generativa. “Sempre soubemos que a viagem conectada precisa de tecnologia excepcional em sua essência. A IA, em geral, e agora em particular a IA de geração, está nos impulsionando para mais perto dessa visão. Estamos investindo ativamente em recursos avançados, acelerando nossa capacidade de atender às necessidades em constante evolução de viajantes e parceiros”, afirmou.

Entre os destaques do trimestre estão as melhorias na assistente de IA Penny, da Priceline, e o trabalho no Kayak.AI, voltado à personalização e conversação. Fogel ainda mencionou parcerias com empresas como OpenAI, Microsoft e Amazon para o desenvolvimento de agentes. “Todas essas iniciativas e outras contribuem de forma interativa e sinérgica, permitindo-nos oferecer uma melhor experiência de planejamento e reserva para nossos viajantes e trazer demanda incremental para nossos parceiros”.

Avanço do programa de transformação

Steenbergen atualizou o mercado sobre o programa de transformação iniciado em 2024. No segundo trimestre, a ação gerou US$ 45 milhões em economias trimestrais. “Esperamos que as ações que tomamos até agora permitam uma economia de aproximadamente US$ 350 milhões na taxa de execução anual, dos quais cerca de US$ 150 milhões devem ser realizados este ano, de acordo com nossas expectativas anteriores”.

Ainda no trimestre, foram contabilizados US$ 38 milhões em custos de transformação — valor quase totalmente excluído dos resultados ajustados. “Continuamos estimando que os custos agregados de transformação serão de cerca de US$ 400 a US$ 450 milhões, o que é semelhante à economia de taxa de execução que antecipamos com a execução do programa”, disse Steenbergen.

O comunicado veio após rumores de cortes circularem no LinkedIn. Em resposta ao Phocuswire, a Booking.com confirmou que revisa sua estrutura organizacional. “Como parte de um programa de transformação mais amplo que visa criar maiores oportunidades de inovação, melhorar a eficiência e fortalecer nossa posição financeira de longo prazo, a Booking.com está atualmente revisando sua estrutura organizacional”, afirmou a empresa.

“Embora ainda estejamos em consultas em vários países e nenhum resultado final possa ser compartilhado ainda, esta é uma medida proativa para garantir que a Booking.com permaneça ágil em um setor muito competitivo e continue impulsionando a inovação centrada no cliente em ritmo acelerado.”

A reestruturação faz parte do plano anunciado em novembro de 2024, que projeta uma economia anual de US$ 450 milhões.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Booking

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