Iata: aéreas podem gastar US$ 61 bi de reservas de caixas

IataPerda líquida trimestral pode chegar a US$ 39 bilhões

Com a expectativa de queda de 44% na receita do setor aéreo, companhias enfrentam o declínio de reservas de caixas. Segundo a Iata (International Air Transport Association), no segundo trimestre que se encerra em 30 de junho, as empresas podem gastar até US$ 61 bilhões de seu estoque financeiro e registrar perda líquida trimestral de US$ 39 bilhões.

A análise foi baseada no levantamento feito pela entidade divulgado na semana passada diante de um cenário com rigorosas restrições de viagens impostas pelo período de três meses. A demanda de 2020 deve cair 38%, com redução de US$ 252 bilhões nas receitas de passageiros em relação ao ano passado, sendo a queda na procura ainda maior no segundo trimestre, chegando a 71%.

"As companhias aéreas não podem cortar custos com rapidez suficiente para superar o impacto desta crise. Esperamos um prejuízo líquido devastador de US$ 39 bilhões no segundo trimestre. O impacto disso nas reservas de caixa será ainda maior com o passivo de US$ 35 bilhões referente a possíveis reembolsos de passagens. Sem ajuda, as reservas de caixa do setor podem ter queda de US$ 61 bilhões no segundo trimestre", disse Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da Iata.

Iata: impactos no setor

O impacto será grave, causado pelos seguintes fatores:

• As receitas devem ter queda de 68%, abaixo da queda esperada de 71% na demanda devido à continuidade das operações de carga, mesmo com níveis reduzidos de atividade.

• Os custos variáveis devem ter queda acentuada, de aproximadamente 70% no segundo trimestre, alinhada à redução esperada de 65% na capacidade do segundo trimestre. O preço do combustível de aviação também caiu consideravelmente, mas calculamos que a cobertura (hedge) de combustível limitará o benefício a um declínio de 31%.

• Os custos fixos e semifixos representam quase metade dos custos de uma companhia aérea. Esperamos que os custos semifixos (incluindo os custos com a tripulação) tenham redução de um terço. As companhias aéreas estão cortando o que podem, enquanto tentam manter sua força de trabalho e os negócios para a recuperação futura. 

Além dos custos inevitáveis, as companhias aéreas enfrentam a questão de reembolsos de passagens vendidas mas não utilizadas, devido ao grande número de cancelamentos por causa das restrições de viagens impostas pelos governos. O valor colossal do passivo do segundo trimestre é de US$ 35 bilhões. As reservas de caixa serão usadas com muita rapidez. Segundo a nossa estimativa, as companhias aéreas podem usar US$ 61 bilhões de caixa no segundo trimestre.

Vários governos estão respondendo de forma positiva à necessidade de medidas de ajuda ao setor. Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Cingapura, Austrália, China, Nova Zelândia e Noruega são alguns dos países com pacotes específicos de ajuda financeira ou regulatória para o setor. Mais recentemente, Canadá, Colômbia e Holanda afrouxaram os regulamentos para permitir que as companhias aéreas ofereçam vouchers aos passageiros no lugar de reembolsos.

(*) Crédito da capa: Lars_Nissen_Photoart/Pixabay

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