Iata: paralisação de companhias aéreas coloca em risco 25 milhões de empregos

Iata65,5 milhões de pessoas dependem da indústria da aviação em âmbito global

 

Na última quarta-feira (8), a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) divulgou uma análise atualizada quanto ao atual cenário das companhias aéreas devido à paralisação. O resultado indica que estão em risco cerca de 25 milhões de empregos, que podem desaparecer por causa da baixa demanda em viagens.

No âmbito global, a pesquisa aponta que 65,5 milhões de pessoas dependem da indústria da aviação, incluindo setores como viagem e turismo. Só em companhias aéreas são  2,7 milhões de pessoas.

A perda de 25 milhões de empregos calculada pela entidade estima ainda que a região mais vulnerável é a Ásia-Pacífico, que tem 11,2 milhões de empregos em risco. Logo em seguida vem a Europa, com 5,6 milhões, e então a América Latina, que pode deixar 2,9 milhões desempregados. Na América do Norte, os números chegam a 2 milhões, assim como na África. A região menos afetada é o Oriente Médio, que contabiliza risco em 900 mil empregos.

Analisando esse cenário, as receitas de passageiros também apresentam queda, chegando a  44% a menos, quando comparado ao mesmo período em 2019. Esse valor corresponde a uma baixa de US$ 252 bilhões, com período mais crítico no segundo semestre, quando a demanda sofre queda de 70%, ocasionando no apelo das companhias às reservas de caixa, estimando-se cerca de US$ 61 bilhões.

Iata: medidas

Entendendo o momento, a Iata recomenda medidas para reduzir os impactos causados pela pandemia. A priori, a indicação é da busca por apoio financeiro direto, empréstimos, garantias de empréstimos e suporte ao mercado de títulos corporativos e redução tributária.

Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO, elabora a questão:"Não há palavras para descrever o impacto devastador da Covid-19 no setor de transporte aéreo. Essa dor será compartilhada por 25 milhões de pessoas que têm seus empregos ligados ao setor aéreo. As companhias aéreas devem ser viáveis para que tenham condições de liderar a recuperação quando a pandemia estiver contida. Agora, a ajuda é fundamental para as companhias aéreas".

Quanto às perspectivas para um futuro próximo, a instituição também estuda o que deve ser feito para o reinício das atividades do setor e afirma que é necessário um planejamento para que as companhias possam retomar as operações.

O CEO ainda destaca a importância em medidas de contingências: "Nunca fechamos o setor nessa escala antes. Por isso, não sabemos como será o recomeço, só sabemos que será complicado. Na prática, precisaremos de contingências para licenças e certificações que expiraram. Teremos que adaptar as operações e os processos para evitar reinfecções por meio de casos importados".

Ele também defende que é necessário "encontrar uma abordagem previsível e eficiente para gerenciar as restrições de viagens que precisam ser revogadas para que possamos voltar ao trabalho. Estas são apenas algumas das principais tarefas que temos pela frente. E para que sejam realizadas com sucesso, a indústria e o governo devem estar alinhados e trabalhar juntos".

(*) Crédito da foto: Michael Gaida/Pixabay

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