Justiça peruana manda demolir Sheraton em Cusco por destruir muros incas

sheraton cuscoHotel seria inaugurado em 2016 com 128 apartamentos

A justiça peruana determinou a demolição de um hotel Sheraton que estava em construção em Cusco. O motivo seria a destruição de muros incas de 500 anos durante as obras do hotel de sete andares. Informações são do jornal local El Comercio

A decisão é o desfecho de um processo de três anos entre autoridades de Cusco e a imobiliária R&G S.A.C, encarregada pelas obras. O hotel estava sendo construído na Zona Monumental de Cusco, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1983. Com obras paralisadas desde 2016, a empresa já havia sido multada em US$ 2,2 milhões por construir um prédio de sete andares em região em que só é permitido construções de até dois andares. 

"Para efeitos de restituir a situação de fato e de direito ao estado anterior à vulneração que sustenta esta demanda, ordene-se à Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco a abertura de um processo de demolição do construído ilicitamente no citado imóvel, que altera e destrói de forma contínua os muros arqueológicos pré-hispânicos e incas existentes", escreveu o magistrado Wilber Bustamante, da Corte Superior de Justiça de Cusco.

A obra "distorce a harmonia e configuração tipológica do Centro Histórico de Cusco", segundo a sentença publicada neste domingo no jornal El Comercio. No entanto, "o dano é irreversível", disse Carlos Somocursio, presidente do Comitê Técnico do Patronato Regional de Cusco em declarações à estatal TV Perú. 

Também por determinação da justiça, a imobiliária terá de restituir cinco plataformas e muros incas de pedra que foram retirados durante as obras do hotel. 

Sheraton Cusco: o hotel

O hotel, anunciado em 2015, estava previsto para inauguração em 2016, contando com 128 quartos e 4 mil metros quadrados de área para eventos. O hotel operaria pela bandeira Four Points by Sheraton, pertencente à rede Starwood Hotel & Resorts, antes da fusão da marca com a Marriott.

(*) Crédito da foto: HO/ANDINA/AFP

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