O que falta?

China e Brasil - turistaEm 2017, o fluxo de turistas da China para o Brasil chegou a 61 mil

Quem viaja pelo mundo já deve ter esbarrado com uma horda de turistas chineses em locais famosos. Torre Eiffel, Big Ben, Estátua da Liberdade, Coliseu... é quase impossível não olhar para o lado e se deparar com alguém do país asiático. Se eles viajam tanto, por que não os vemos no Cristo Redentor, nas Cataratas de Iguaçu ou no Parque do Ibirapuera? Distância não pode servir de desculpa, afinal Nova York não é propriamente do lado da Ásia. O que explica, então, a fraca presença desses viajantes no Brasil?   

Antes de tudo, é importante contextualizar. Segunda economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, a China não é mais só uma potência econômica. O país é, sobretudo, um gigante do turismo mundial, como ilustram as palavras iniciais desse texto. Esse status deve se fortalecer nos próximos anos, visto que o país mantém elevada taxa anual de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), o que se reflete em aumento na renda da população.

Tal fenômeno, obviamente, reverte-se em mais viagens. De olho nisso, muitos países fazem grandes esforços em promoção turística no mercado chinês. Até mesmo a iniciativa privada investe para atender bem ao turista do país asiático. Lojas da Louis Vuitton em Paris, por exemplo, têm vendedores que falam mandarim. Nada mais natural, afinal quem não quer atrair um mercado em potencial de 500 milhões de consumidores?

Lummertz: número de turistas chineses é incipiente ainda

Relação Brasil e China

Depois de 80 anos de supremacia americana, a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil em 2009. Só no ano passado, de acordo com dados do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), o mercado chinês comprou US$ 50,2 bilhões em produtos nacionais, volume próximo de 25% do total. Na direção contrária, as importações brasileiras oriundas do país asiático somaram US$ 27,9 bilhões.

Com tantas negociações entre os países, é natural que a maior parte do fluxo turístico chinês para o Brasil seja formado por turistas de negócios. Segundo dados do MTur (Ministério do Turismo), 57.860 turistas residentes na China visitaram o país em 2016. Desse total, 68,7% vieram motivados para realização de negócios, enquanto 23,4%, a lazer.

Em 2017, apesar do aumento no volume de turistas chineses, que cresceu 6%, ultrapassando os 61 mil visitantes, o perfil não se alterou. “É um número ainda incipiente se considerarmos que 130 milhões de chineses viajam pelo mundo”, afirma Vinicius Lummertz, recém-empossado ministro do Turismo, em contato com a reportagem. “Além disso, a China lidera o ranking de países que mais gastaram com turismo no exterior, que chega a US$ 257,7 bilhões”, completa.

Entre os destinos mais visitados pelos chineses no país, Lummertz lista o Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Manaus e Salvador. O ministro também destacou a oferta de lazer que pode atrair os viajantes do país asiático. “Somos o primeiro do mundo em recursos naturais e o oitavo em atrativos culturais. Nossa hotelaria tem padrão para todos os gostos e bolsos, a gastronomia foi bem avaliada por 95,4% dos estrangeiros que visitaram o país em 2016 e a hospitalidade por 98%”, destaca.

Como atrair mais chineses?

Bruno Omori, presidente da ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo), resume em poucas palavras como estimular a expansão do fluxo de turistas de lazer da China para o Brasil. “Vamos comparar com o México, que é tão longe da China quanto o Brasil. Houve um intenso trabalho para facilitar a entrada de chineses no mercado mexicano. Além disso, o BdeM (Banco do México) simplificou o processo de conversão de moeda. Dessa forma, o fluxo turístico, que era tão pouco quanto o nosso, está chegando a 600 mil por ano”, explica.

Na avaliação de Omori, ainda falta um trabalho de promoção turística mais forte no mercado chinês. Para ele, a questão não é só falta de investimento. “Já passou da hora de trabalharmos com agências, criando campanhas profissionais, bem como buscar mais acordos bilaterais”, avalia.

Ícone da hotelaria paulistana, o Maksoud Plaza recebe um bom número de turistas chineses. Segundo Eduardo Salvagnini, diretor de Vendas e Marketing do hotel, o público chinês equivale a 5% do total de clientes estrangeiros do empreendimento. “A maioria tem perfil corporativo e muitos ficam conosco para participar de eventos”, explica.

O executivo demonstra, contudo, uma visão realista sobre 2018 em relação aos turistas chineses. “É um ano que conta com um número menor de feiras e congressos. Por isso, já consideramos uma queda de 30% no faturamento oriunda do público chinês este ano”, revela.

Salvagnini prevê queda pelo baixo número de evento

Mais esforços

Visando ao aumento do fluxo de turistas chineses para o Brasil, entidades do trade turístico e secretarias de turismo têm se movimentado. Delegação do Iguassu Convention & Visitors Bureau, do Iguazú Convention Bureau e a Itaipu Binacional participará da ITB China, uma das principais feiras de turismo do país, que será realizada de 16 a 18 de maio, em Xangai.

Além disso, outras ações serão realizadas em parceria com a Embratur. Um exemplo é o roadshow para capacitação do trade chinês em quatro cidades chinesas, Pequim, Xangai, Cantão e Hong Kong. Outro destaque será o ato para celebrar o irmanamento entre as Cataratas do Iguaçu e a Muralha da China.

Já a Setur-RJ (Secretaria Estadual de Turismo do Rio de Janeiro) assina, na quarta-feira (2), um acordo de intercâmbio relacionado ao desenvolvimento do turismo entre o Rio e o estado de Shanxi. Na ocasião, 13 dirigentes do trade local farão reunião com Nilo Sergio Felix, secretário estadual de Turismo, para estreitar relações.

(*) Crédito da capa: PPPSDavid/Pixabay

(**) Crédito da foto: Devanath/Pixabay

(***) Crédito da foto: Divulgação/Ministério do Turismo

(****) Crédito da foto: Felipe Lima/Hotelier News

Comentários