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O consultor de viagens de luxo como curador de impacto ESG

O papel do consultor de viagens de alto padrão sempre foi o de editar o mundo para o cliente: filtrar o excesso de opções, antecipar preferências, garantir que cada detalhe da jornada corresponda à expectativa de uma experiência singular. Esse papel não mudou, mas ganhou uma nova dimensão! 

O ESG no turismo de luxo funciona melhor quando é apresentado como o que de fato é: não uma concessão à consciência, mas uma escolha de sofisticação. Viajar com impacto positivo é, hoje, a forma mais refinada de experimentar o mundo!

ESG: o novo marcador de status no luxo

Hotel Unique

O hóspede de luxo contemporâneo, especialmente o das gerações mais jovens com maior poder aquisitivo, não quer apenas conforto e exclusividade: quer coerência de valores. Segundo o relatório Evolving Wealth: A New Paradigm for Luxury Travel, produzido pela WATG Research e publicado em 2025, quase 40% dos viajantes premium declaram disposição para pagar de 30% a 50% a mais por características sustentáveis. O estudo descreve essa demanda não como um nicho, mas como uma expectativa mainstream que posiciona ESG como novo marcador de status no luxo.¹ O dado mais revelador, porém, vem do Virtuoso Impact Report: em pesquisa realizada com viajantes de luxo em março de 2025, 25% afirmaram ser mais propensos a viajar de forma responsável se contarem com a ajuda de um consultor de viagens profissional de confiança,  mostrando uma alta de 56% em relação ao ano anterior.² Isso significa que o consultor que não domina a agenda ESG não apenas oferece uma curadoria incompleta: deixa de ser o interlocutor que seu próprio cliente está procurando.

Conhecer ESG no contexto do turismo de luxo não é, portanto, um diferencial opcional: é parte da competência técnica da função. O Virtuoso Luxe Report 2025 revela que os cinco aspectos do turismo sustentável que os clientes de luxo mais apoiam são, por ordem: 

  1. Conservação e interação com vida selvagem;
  2. Evitar destinos com superlotação;
  3. Reservar com empresas que empregam moradores locais;
  4. Apoiar comunidades locais;
  5. Conservação de terra e meio ambiente.³³ 

Vale destacar esses aspectos são experienciais e relacionais. Ou seja: o viajante de luxo não quer só um relatório de ESG, quer sentir o impacto na jornada. É exatamente essa tradução entre critério ESG e experiência vivida, que o consultor precisa dominar. As agências devem navegar nesse universo, onde o cliente de alto padrão espera que o consultor pense à frente,  não apenas sobre logística e conforto, mas sobre o legado que a viagem deixa. 

O Curador de Impacto: posicionamento e reputação 

Tornar-se um curador de impacto não é uma virada de chave, é um reposicionamento gradual que começa pela formação e se consolida na reputação. Consultores e agências que decidirem investir nesse caminho precisarão desenvolver vocabulário ESG aplicado ao turismo, estabelecer parcerias com propriedades e destinos alinhados a essa agenda e aprender a comunicar esses critérios de forma natural e atraente para o cliente,  sem transformar a conversa de venda em aula. O ESG no turismo de luxo funciona melhor quando é apresentado como o que de fato é: não uma concessão à consciência, mas uma escolha de sofisticação. Viajar com impacto positivo é, hoje, a forma mais refinada de experimentar o mundo.

Referências

  1. WATG RESEARCH; WORLD LUXURY CHAMBER OF COMMERCE. Evolving Wealth: A New Paradigm for Luxury Travel. WATG, 2025. Disponível em: https://www.watg.com/affluent-travel-trends-2025/.
  2. VIRTUOSO. Virtuoso Impact Report: Sustainability Survey. Disponível em: https://static.virtuoso.com/division-ceo/Sustainability/Virtuoso%20Impact%20Report%2C%20Sustainable%20Travel%20-%202025.pdf
  3. VIRTUOSO. The 2025 Virtuoso Luxe Report: A Guide to Key Trends and Insights in Luxury Travel. Disponível em: https://static.virtuoso.com/division-marketing/PR/2025_Luxe_Report/2025%20Luxe%20Report_Global.pdf.

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Giovana Jannuzzelli é diretora de Marketing do TP Group, grupo que reúne as marcas Teresa Perez Tours, TP Corporate, TP Air, Embark Beyond Brasil, OIÁ e New Age. Com 30 anos de experiência no setor de Turismo e formada em Direito, atuou por quase sete anos na Alagev – Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas, onde foi diretora executiva nos últimos três anos

(*) Crédito da imagem: arquivo pessoal da autora

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