A busca por experiências memoráveis, o desejo de desacelerar e a valorização das relações pessoais estão entre os fatores que influenciam as decisões dos viajantes. Mais do que conhecer destinos, os consumidores querem aproveitar o tempo de maneira significativa, movimento que abre novas oportunidades para a hotelaria. É o que revela uma pesquisa realizada pela OpinionWay para o ALL Accor, programa de fidelidade e experiências do grupo francês, com análise de tendências da NellyRodi.
O levantamento ouviu 7.019 viajantes em sete mercados, incluindo 1 mil brasileiros, e identificou diferentes motivações para viajar, expectativas em relação à hospedagem e percepções sobre os programas de fidelidade. Os resultados acompanham o lançamento da Stay for More, nova plataforma de marca do ALL Accor, oficializado ontem (13). A iniciativa busca conectar benefícios e experiências às prioridades dos consumidores.
Entre os participantes da amostra global, 43% afirmam que a vontade de viajar surge principalmente da necessidade de fazer uma pausa após um período intenso de trabalho. Outros 32% associam esse desejo a momentos de estresse ou cansaço, enquanto 20% enxergam as viagens como uma oportunidade de iniciar um novo capítulo da vida.
A necessidade de descanso também aparece no recorte brasileiro, mencionada por 43% dos entrevistados. Entretanto, descobrir novos lugares é uma motivação ainda mais frequente, apontada por 48% dos participantes nacionais. Outros 40% destacam a vontade de passar tempo com pessoas queridas.
Os dados mostram que as expectativas dos turistas vão do descanso à descoberta e à convivência. Para os meios de hospedagem, surgem oportunidades de desenvolver produtos e serviços que ultrapassem a oferta tradicional de acomodação, incorporando atividades e propostas alinhadas aos interesses dos hóspedes.
Brasileiros priorizam experiências nos gastos de viagem
Um dos resultados mais relevantes para o setor hoteleiro está relacionado à distribuição do orçamento. No Brasil, 74% dos entrevistados afirmam preferir economizar na hospedagem para gastar mais com atividades e experiências excepcionais durante a estada.
O percentual evidencia um desafio para os empreendimentos que buscam aumentar a percepção de valor de seus serviços. Embora a acomodação continue sendo parte fundamental da jornada, a disposição de direcionar recursos para outras atividades sugere que os turistas também consideram as atrações oferecidas pelo destino ao planejar suas despesas.
Na amostra global, 56% dos participantes citam vivências em meio à natureza, em cenários excepcionais, entre os momentos com maior potencial de se tornarem inesquecíveis. A imersão na cultura local aparece em seguida, com 47%, enquanto 46% mencionam atividades inusitadas ou originais.
As relações pessoais também ocupam posição importante. Para 43% dos entrevistados globalmente, passar tempo de qualidade com pessoas queridas está entre as motivações para viajar. Além disso, 42% associam uma viagem bem-sucedida à criação de memórias marcantes com pessoas próximas.
A combinação desses indicadores reforça a importância de integrar a hospedagem à oferta turística. Parcerias com operadores locais, atividades culturais, gastronomia regional e passeios ligados à natureza são possibilidades para empreendimentos interessados em ampliar sua proposta de valor.
Fidelidade vai além do acúmulo de pontos
O estudo da Accor também investigou o papel dos programas de fidelidade na relação entre consumidores e marcas. Segundo o levantamento global, 65% dos viajantes priorizam sistematicamente empresas que oferecem pontos ou benefícios. Entre os entrevistados de 25 a 35 anos, esse percentual alcança 75%.
Apesar da relevância das recompensas tradicionais, a fidelização envolve outras expectativas. Enquanto 36% desejam ser recompensados pela preferência, 31% valorizam a confiança e a tranquilidade proporcionadas pela relação com a marca.
O acesso a experiências exclusivas também aparece entre os atributos desejados. Para 25% dos participantes, um programa de fidelidade deve oferecer oportunidades que não estejam disponíveis a todos. O mesmo percentual valoriza a possibilidade de aproveitar essas vivências sem precisar organizar todos os detalhes.
Outro aspecto identificado é a importância do reconhecimento individual. Entre os entrevistados, 20% esperam ser surpreendidos por gestos inesperados, indicando que a percepção de valor pode estar associada tanto às vantagens oferecidas quanto à maneira como o consumidor é tratado.
Para a hotelaria, os indicadores apontam caminhos para fortalecer o relacionamento com os hóspedes. A combinação de benefícios financeiros, conveniência, personalização e acesso a atividades diferenciadas pode contribuir para uma estratégia de fidelização mais abrangente. O levantamento, porém, não permite determinar isoladamente o impacto de cada atributo sobre a frequência de hospedagem ou a receita dos empreendimentos.
Bem-estar e autoconhecimento influenciam decisões
Além dos benefícios tangíveis, a pesquisa identificou diferentes dimensões emocionais associadas ao turismo. Na amostra global, 34% dos entrevistados procuram tranquilidade, enquanto 25% querem aproveitar a viagem sem precisar organizar todos os detalhes.
A busca por vivências diferenciadas também se destaca. Segundo o estudo, 34% desejam realizar atividades que não poderiam experimentar de outra forma, enquanto 28% querem sentir que estão vivendo algo raro. O autoconhecimento representa outra motivação. Entre os participantes, 28% afirmam já ter sentido vontade de viajar para se reencontrar e ganhar perspectiva sobre a própria vida. Outros 18% destacam a possibilidade de descobrir diferentes facetas de si mesmos.
A importância atribuída ao turismo aparece ainda em um indicador mais amplo. De acordo com o levantamento, 97% dos entrevistados sentiriam profundamente a falta de pelo menos um aspecto das viagens caso não pudessem mais viajar.
Essas descobertas ajudam a explicar a proposta da Stay for More. A plataforma pretende ampliar a conexão entre destinos, marcas e benefícios, valorizando também simplicidade, reconhecimento e liberdade. Para o setor hoteleiro, a pesquisa reforça a necessidade de compreender não apenas para onde o consumidor deseja viajar, mas também o que espera vivenciar durante a estada.
(*) Crédito da foto: Divulgação














