InícioNEGÓCIOSMercadoPrédio do Iracema Plaza hotel pode ganhar novo destino
Slaviero hospitalidade
Banner Bee2Pay

Prédio do Iracema Plaza hotel pode ganhar novo destino

Após anos de abandono, deterioração e uma demolição que gerou controvérsia em 2024, o terreno do antigo Edifício São Pedro, na Praia de Iracema, em Fortaleza, deve ganhar uma nova função. A UFC (Universidade Federal do Ceará), em parceria com o IAB-CE (Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento Ceará), promove um concurso nacional para selecionar o projeto arquitetônico de um centro cultural no local. Inicialmente chamado de Iracema Plaza Hotel, o empreendimento foi responsável por levar a hotelaria à orla de Fortaleza, cuja concentração de hotéis se restringia, até então, ao Centro.

A construção também contribuiu para a verticalização e o adensamento da Praia de Iracema. “Na época, a Praia de Iracema era uma área com casas de veraneio ou segunda residência. O hotel foi muito importante para a paisagem daquele lugar,” diz Jefferson John Lima da Silva, ex-presidente do IAB-CE e um dos coordenadores do concurso, em entrevista ao Metro Quadrado.

A autoria do projeto arquitetônico do Edifício São Pedro não é consensual, embora o engenheiro Orlando Ariosto Luna Freire seja frequentemente apontado como responsável pela obra. Com oito pavimentos e estrutura de concreto armado, o prédio combinava referências do art déco e do protomodernismo. Sua configuração também remetia à forma de um navio. Durante o período de funcionamento como hotel, o São Pedro ganhou fama e chegou a ser chamado de “Copacabana Palace de Fortaleza”.

O empreendimento contava com mais de 100 suítes, restaurante, salões de convenções, café e barbearia. O complexo incluía ainda uma ala residencial, composta por apartamentos de aproximadamente 200 metros quadrados (m²). A trajetória do edifício, porém, mudou a partir da década de 1970, quando o hotel encerrou suas atividades.

As antigas suítes foram convertidas em unidades residenciais, enquanto a falta de manutenção acelerou a deterioração da estrutura. Apesar das condições precárias, o imóvel continuou ocupado por moradores.

Abandono terminou em demolição

No início dos anos 2000, o Edifício São Pedro recebeu tombamento provisório, mas a medida não conteve o avanço da deterioração. Em 2014, a Defesa Civil de Fortaleza identificou risco de colapso devido ao comprometimento estrutural, agravado pela ausência de obras de restauração.

Um projeto apresentado em 2015 previa a construção de uma nova torre no centro do terreno, com a preservação de parte da edificação histórica. A proposta, contudo, não avançou. Em 2021, a situação do imóvel se agravou. Uma jovem morreu após cair do terceiro andar do edifício. No ano seguinte, o tombamento definitivo foi indeferido, e o imóvel acabou desapropriado.

Em 2024, o Edifício São Pedro foi demolido. A decisão repercutiu em Fortaleza, onde havia expectativa de recuperação da construção para uso público. Na época, o IAB-CE divulgou uma nota questionando a decisão da Prefeitura de Fortaleza.

Após a demolição, a UFC recebeu a cessão provisória da guarda do terreno e implantou uma praça no espaço. A próxima etapa é a construção de um equipamento cultural vinculado à universidade.

Novo centro cultural terá cineteatro

O concurso organizado pela UFC e pelo IAB-CE busca selecionar uma proposta para um centro cultural que deverá integrar uma praça pública, um foyer e um cineteatro com capacidade para aproximadamente 900 pessoas. O espaço será projetado para receber diferentes formatos de apresentações.

O programa também prevê salas de exposição, teatro, sala de ensaios e biblioteca. A área disponível para a implantação do projeto é de aproximadamente 2.250 m². “Este projeto não diz respeito apenas a um edifício, mas também a toda a relação da construção com a cidade e com a paisagem,” diz o professor Newton Becker, do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFC e um dos coordenadores do concurso.

A dimensão reduzida do terreno em relação à quantidade de usos previstos é apontada como um dos principais desafios. “O principal desafio é trabalhar com um programa muito complexo e extenso em um terreno pequeno, de cerca de 2.250 m². Os projetos de arquitetura devem pensar em boas soluções,” afirma Silva.

As condições climáticas de Fortaleza também deverão ser consideradas pelos participantes. Segundo Jefferson, os projetos precisarão contemplar questões como incidência solar, ventilação, sombreamento, umidade e maresia, além de garantir maior durabilidade aos materiais empregados.

O júri será composto por profissionais de diferentes regiões do Brasil. Entre os critérios de avaliação estão soluções relacionadas à eficiência energética, ao conforto ambiental, à permeabilidade do solo e à drenagem.

Memória do São Pedro será referência conceitual

Embora o edital determine que a memória do Edifício São Pedro seja considerada, a proposta não prevê a reprodução da antiga construção. Segundo os coordenadores do concurso, a intenção é incorporar a importância histórica do imóvel de forma conceitual aos novos projetos.

A relação entre arquitetura, terreno, paisagem e memória deverá orientar as soluções apresentadas pelos escritórios participantes. “Para os arquitetos, o primeiro passo é se assenhorear do terreno. Assenhorear é uma palavra antiga, mas ideal. Os profissionais precisam tomar propriedade deste lugar,” pontua Silva.

O concurso prevê premiação em dinheiro para os três primeiros colocados. O contrato com o escritório vencedor está estimado em R$ 7,2 milhões. As inscrições permanecem abertas até 6 de outubro, e a previsão é que o resultado seja divulgado em 21 de novembro.

(*) Crédito da foto: Divulgação

Grupo R1
Realgems amenities