Uma das categorias que mais cresce no Brasil e na América Latina, o midscale foi o tema central do painel Midscale em movimento: construindo plataformas escaláveis na América Latina e no Caribe, que abriu a programação do segundo e último dia do SAHIC Latin America and The Caribbean, realizado no Fairmont Rio de Janeiro.
Moderado por Vinicius Medeiros, editor-chefe do Hotelier News, o debate contou com a participação de Ricardo Manarini, country manager da BWH Hotels para o Brasil; Juan Camilo Castaño, CDO da GHL; Renato Carvalho, gerente de Desenvolvimento da Marriott International, e Veronica Franco, gerente de Desenvolvimento da divisão PM&E da Accor para Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Empreendimentos de médio porte dificilmente geram detratores, mas, ao mesmo tempo, raramente têm o poder de encantar o hóspede, como hotéis lifestyle ou de luxo. Em paralelo, envolvem custos que o segmento econômico não possui, como A&B (Alimentos & Bebidas) e room service, além de exigirem um CAPEX maior na estrutura de serviços, como academia e bar. Então, como sustentar preço e margem para manter uma operação saudável?
Castaño iniciou sua fala destacando que o mercado midscale na região cresceu 20% acima das demais categorias. Em contrapartida, o segmento requer uma operação especializada, pois demanda mais serviços em relação aos empreendimentos econômicos. “Operadores podem tirar muito valor disso, pois são hotéis com melhores preços frente a categorias superiores”, pontuou.
Na visão de Manarini, é importante entregar o básico bem feito, com serviços e qualidade condizentes com a proposta da categoria. Segundo o executivo da BWH, o RevPAR ideal para um hotel do segmento gira em torno de R$ 150, podendo variar de praça para praça.

Legacy brands versus pure products
Com mais de 45 marcas em seu portfólio, dentre elas a tradicional Novotel — incluída no segmento midscale — a Accor busca atingir diferentes públicos na categoria. “Em linhas gerais, o Novotel atende um perfil mais corporativo. Porém, em Itu, por exemplo, temos um resort lifestyle. São hóspedes que procuram uma experiência imersiva e contato com a comunidade”, afirmou Veronica.
Outra opção da gigante francesa é a Handwritten Collection, que funciona como uma soft brand para o segmento midscale, com estreia no Brasil prevista para 2028, com o Nui Handwritten Collection, em João Pessoa (PB). “São empreendimentos que preservam sua própria identidade e cultura”, acrescentou Veronica.
Já a Marriott International conta com um portfólio de mais de 40 marcas, como a City Express, focada no segmento midscale acessível. Em desenvolvimento no Brasil, a bandeira possui contratos assinados para a abertura de propriedades no Nordeste e Sudeste do país. Mas será que outras marcas da categoria fazem sentido para o mercado brasileiro?
“A Moxy, por exemplo, não usaria como uma bandeira entrante em um mercado novo. Daria preferência a uma marca mais consolidada e robusta. Sim, faz sentido para o Brasil, porém, em algumas capitais, ela não está tão adaptada”, avalia Carvalho.
Do ponto de vista do operador, Castaño falou sobre as recomendações aos proprietários sobre os impactos de um retrofit nos indicadores. Segundo o executivo da GHL, é preciso considerar análises financeiras e como as alterações afetam os clientes. “É necessário pensar nos indicadores, custos e gastos”, disse.
CAPEX e custos de construção
Uma das dores do mercado atual são os custos de construção — o que tem freado o desenvolvimento de projetos greenfield. Manarini atribui o cenário ao custo de capital. “O custo de construção é impactante, mas tem se mantido estável. Muitas vezes, o retorno que o hotel proporciona não fecha a conta e o projeto não se viabiliza”, analisou o executivo.
Considerando um projeto midscale padrão, com 120 UHs, Manarini afirmou que, em média, há o custo de R$ 250 mil por apartamento para a construção. “Já no caso de uma conversão, há um leque maior de possibilidades, com custos que podem variar de R$ 40 mil a R$ 70 mil por acomodação, mas cada projeto apresenta características próprias”.
Carvalho destacou que, ao considerar a implantação de novas soluções tecnológicas nos empreendimentos, é preciso entender a mudança de comportamento do consumidor. “Tecnologia é sempre bem-vinda, mas a hotelaria ainda depende muito do ser humano. A Marriott proporciona check-in e chave online, porém o diferencial ainda são as pessoas”.
Diante de tantos investimentos, Veronica completou que é preciso entender que a hotelaria é um projeto de longo prazo, que depende de múltiplos fatores. “A América Latina é uma região de muita volatilidade econômica e política, o que é um grande desafio. Hotéis são ativos imobiliários, e a falta de crédito também é um tema que complica a viabilidade dos projetos”, finalizou.
(*) Crédito das fotos: Nayara Matteis/Hotelier News















