Em um movimento que sinaliza uma mudança de patamar na agenda de sustentabilidade do setor, lideranças do turismo e dos eventos se preparam para assinar, amanhã (10), a Declaração de Belém para o Turismo Sustentável.
A iniciativa surge como um desdobramento direto da COP30, realizada em Belém, que consolidou o clima como eixo central do desenvolvimento econômico global. Mais do que um posicionamento institucional, a Declaração propõe uma resposta concreta do mercado à crescente cobrança por credibilidade, métricas e governança na agenda ESG.
O movimento reúne entidades representativas de diferentes elos do setor, entre elas ABRACORP (viagens corporativas), AMPRO (live marketing), ALAGEV (eventos e viagens corporativas), UNEDESTINOS (destinos/CVBs), FOHB (hotelaria), BLTA (luxo), MPI Brasil (profissionais de eventos), ABEOC Brasil (empresas de eventos), ABAV-SP (agências de viagens), SINDEPAT (parques e atrações) e Visite Campinas (destino/CVB), sinalizando um compromisso coletivo e transversal para organizar a agenda climática do turismo brasileiro.
A proposta é clara: criar uma referência comum para o turismo sustentável no Brasil, baseada em dados, evidências e compromissos verificáveis, evitando o greenwashing e organizando o setor para um novo ciclo de exigência climática, regulatória e de mercado.
A ESG Pulse, plataforma brasileira especializada em métricas, governança e verificação de práticas ESG no setor de eventos e turismo, atua como Secretaria Executiva da Declaração de Belém, apoiando a coordenação da iniciativa e a estruturação da fase de implementação de forma técnica e independente, preservando o caráter público, setorial e coletivo do compromisso.
“Cansamos do ESG ornamental. A Declaração de Belém organiza o setor em torno do que interessa: evidência, rastreabilidade, melhoria contínua e responsabilidade pública. Não é sobre prometer: é sobre provar”, afirma Hélio Brito Jr., fundador da ESG Pulse e articulador da iniciativa.
Por que esse movimento importa
O turismo brasileiro vive um momento decisivo. De um lado, cresce a pressão internacional por coerência climática, transparência e responsabilidade socioambiental. De outro, o Brasil reúne condições únicas para assumir protagonismo global — diversidade territorial, matriz energética relativamente mais limpa e capacidade de sediar grandes eventos internacionais.
A Declaração de Belém nasce exatamente para enfrentar esse paradoxo: como transformar potencial em liderança real, sem depender apenas de políticas públicas ou de iniciativas isoladas.
Entre os temas centrais que orientam o documento estão:
- A necessidade de medir para transformar, reconhecendo que sustentabilidade sem dados é apenas opinião;
- A elevação da régua ESG na cadeia de fornecedores de eventos e turismo;
- O fortalecimento de destinos preparados para receber grandes eventos de forma responsável;
- O reposicionamento dos eventos como alavancas de legado, e não como passivos ambientais.
Assinatura marca início da fase de implementação
A assinatura da Declaração marca o início de uma nova etapa: a fase de implementação. O movimento já prevê a definição de governança, pontos focais institucionais e técnicos e a criação de um grupo de trabalho responsável por conduzir prioridades, cronograma e entregas.
O foco deixa de ser apenas o “compromisso público” e passa a ser a execução coordenada, com impactos mensuráveis ao longo dos próximos anos.
Um convite ao debate setorial
Antes mesmo da assinatura, a Declaração de Belém já cumpre um papel central: provocar o debate, sensibilizar o mercado e estimular uma mudança de mentalidade no setor de eventos e turismo.
(*) Crédito da foto: Freepik















