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Terreno do antigo Torre Palace muda de mãos

O edifício que abrigou o Torre Palace Hotel, considerado o primeiro hotel de luxo de Brasília, foi demolido na semana passada após a venda do terreno a uma família tradicional da capital federal. A área passou a pertencer aos Suaiden no fim do ano passado, segundo o Metro Quadrado. De acordo com a matrícula do imóvel, consultada por meio da plataforma Bel Radar, o terreno foi adquirido por R$ 19,3 milhões.

Os negócios de eventos da família são conduzidos por Jamil Suaiden, homônimo do pai, empresário libanês que chegou a Brasília na década de 1960 como representante do Grupo Votorantim. Ele morreu em maio do ano passado e teve passagem pela Universidade de Brasília (UnB), onde atuou como diretor financeiro. Os novos proprietários pretendem construir no local um hotel de alto padrão. A RVS Construções, responsável pelo projeto, informou que as obras devem durar cerca de dois anos.

Fechado havia 13 anos, o Torre Palace pertencia aos herdeiros do empresário libanês Jibran El-Hadj, fundador do hotel, em 1973. Ao longo de sua trajetória, o empreendimento hospedou jogadores da Seleção Brasileira campeã mundial em 1970, além de nomes de destaque da música e do cinema. Durante o período de funcionamento, também serviu de apoio ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo, recebendo autoridades federais, diplomatas e delegações estrangeiras, em uma época em que a rede hoteleira de Brasília ainda era limitada.

Após a morte do fundador, em 2000, teve início uma disputa judicial entre os herdeiros pela divisão de um patrimônio estimado em R$ 200 milhões. O impasse levou à interrupção das atividades e deixou o imóvel sem destinação definida.

O imóvel

Localizado no Setor Hoteleiro Norte, em frente ao Eixo Monumental, o prédio abandonado passou a representar um problema urbanístico. A estrutura foi ocupada de forma recorrente e sofreu deterioração ao longo dos anos. Em 2020, o imóvel foi colocado em leilão por R$ 35 milhões, mas não houve interessados. Ainda naquele ano, em nova tentativa, foi arrematado por R$ 17,6 milhões pela RBS Administração de Imóveis LTDA.

A empresa, no entanto, solicitou à Justiça a desistência da compra, alegando entraves jurídicos e dívidas elevadas associadas ao ativo. O pedido foi aceito, e o prédio seguiu sem destino definido. Nos anos seguintes, o governo do Distrito Federal realizou ações para desocupação do local e para impedir novas invasões, incluindo a retirada de partes da estrutura do antigo hotel.

O cenário começou a mudar em 2025, quando decisões judiciais encerraram parte dos processos e permitiram a regularização da titularidade do imóvel, viabilizando a venda do terreno e, posteriormente, a demolição do edifício.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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