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Três perguntas para: Abel Castro

Por Vinicius Medeiros 15 de junho de 2020

Três perguntas para - Abel Castro_internaCastro retornou ao Brasil em 2017, após passar dois anos nos EUA 

A frase é batida, mas não menos verdadeira: toda crise traz oportunidades. Se, por um lado, grandes redes devem sofrer com problemas de caixa e baixa demanda no início da retomada, a hotelaria independente tende a enfrentar dificuldades ainda maiores. Depois desse breve contexto, e pensando em desenvolvimento hoteleiro, conseguiu pescar? Sim, há um Blue Ocean de conversões à frente. E, veja bem, a avaliação não é do Hotelier News, mas de Abel Castro, um dos principais executivos da área de Novos Negócios no continente.

Vice-presidente sênior de Desenvolvimento de Novos Negócios Accor América do Sul desde 2017, Castro entende que dois aspectos devem influenciar esse movimento. Primeiro, os consumidores tenderão a buscar marcas mais fortes, em busca de confiança e padrões de higiene elevados. Segundo, investidores e proprietários de hotéis independentes buscarão marcas que assegurem essa entrega aos clientes, ganhando ainda outros benefícios como maior capacidade de distribuição. “Por tudo isso, as conversões deverão acelerar no mundo todo, e não só na América do Sul”, observa.

Convidado de hoje (16) do Hotelier News no Três perguntas para, Castro fez também uma análise sobre a retomada do mercado e comentou o que espera para a área de Desenvolvimento nos países hispânicos. “E estamos prontos para trazer bandeiras novas, como Tribe, Delano, Banyan Tree ou intensificar nossa presença com marcas clássicas, tais como ibis, Novotel e Sofitel para estes mercados”, conclui. Veja abaixo o restante do bate-papo.

Três perguntas para: Abel Castro

Hotelier News: Na retomada, que segmento de produto tende a ser mais procurado pelos investidores? Por quê?
 
Abel Castro:
Genericamente, a pandemia não deverá promover mudanças no perfil dos investimentos em relação à segmentação do hotel. O desenvolvimento hoteleiro no Brasil se dá majoritariamente no segmento econômico, com 55% do pipeline, seguido pelos hotéis midscale, com 30%, e propriedades de luxo, que representam aproximadamente 15%. E não vejo mudanças neste sentido. Nossa região sempre terá predominância de unidades econômicas por um fator primordial, e que não é segredo para ninguém: nele se encontra a maior fatia da demanda. Por outro lado, vejo sinceramente um potencial interessante para hotéis de luxo e lifestyle, claro que em menor escala do que os econômicos, mas com ótimas oportunidades a serem descobertas. Inclusive, criamos uma célula específica com este foco na área de Desenvolvimento na América do Sul.

Curiosamente, a recuperação da demanda pós-Covid deve se dar primeiramente no segmento que temos nosso maior desenvolvimento. Veja que, hoje, o que estamos observando no mercado hoteleiro chinês – e cremos que acontecerá no Brasil da mesma forma – é uma recuperação mais rápida do mercado econômico (atualmente com ocupação acima de 50%), seguido pelo midscale e, por último, luxo com (com 30% de ocupação). O que é fácil de entender quando sabemos que a retomada acontecerá antes nos hotéis com predominância de turistas individuais regionais, que viajam de carro, a lazer ou trabalho. Ou seja, uma demanda 100% doméstica.

Três perguntas para - Abel CastroCastro acredita que há boas oportunidades para marcas lifestyle na região

Já os hotéis de luxo, que necessitam de demanda internacional, malha aérea ampla e ativa, além de, muitas vezes, dependerem de conferências e grande eventos, terão uma curva mais lenta de recuperação. Por outro lado, este segmento poderá se beneficiar dos 10 milhões de turistas brasileiros que viajaram para o exterior no ano passado e, agora, devido ao receio de viagens longas internacionais e o impacto do câmbio, buscarão destinos domésticos. Ou seja, as viagens para Miami, Paris, Lisboa e Dubai serão reavaliadas para destinos como Manaus, Praia da Pipa (RN), Balneário Camboriú (SC) ou Rio de Janeiro. Os brasileiros vão (re)descobrir o prazer de viajar dentro do seu próprio país.

HN: Espera-se que, na retomada, o consumidor busque marcas mais conhecidas. Diante disso, já podemos chamar 2020 de o ano das conversões? E, em 2021, como fica?

AC: Concordo com a afirmação e hoje, sem dúvida, mais do que nunca, as marcas terão papel decisivo no processo de compra de um determinado hotel. O consumidor deverá buscar marcas conhecidas, pois precisam ter certeza de que o empreendimento vai responder aos requisitos de saúde e segurança sanitária, seguindo os mais altos padrões de qualidade e limpeza. Neste sentido, as redes vêm trabalhando incansavelmente para mostrar aos clientes que é seguro viajar e se hospedar em um hotel. Na Accor, por exemplo, lançamos o selo AllSafe, certificando que os padrões de segurança e protocolos de limpeza adequados foram alcançados. Esses padrões globais foram desenvolvidos e aprovados pelo Bureau Veritas e todos os hotéis do grupo devem aplicá-los, e também serão auditados. Assinamos ainda acordo com a empresa de seguros AXA para prover suporte médico, via teleconsultas, aos hóspedes ao redor do mundo.

Esses são exemplos de aspectos relacionados à saúde que, a partir de agora, estarão implícitos na promessa de entrega de um serviço numa marca hoteleira global. Por tudo isso, as conversões deverão acelerar no mundo todo, e não só na América do Sul. Lembro ainda que, na América do Sul, ainda temos 80% de hotéis independentes. Ou seja, representa um Blue Ocean de oportunidades para as redes hoteleiras neste momento. Por outro lado, esses empreendimentos normalmente não se enquadram nos standards das redes. Então, a palavra-chave será flexibilidade nas conversões, obviamente sem comprometer a experiência do cliente.
  
Já no longo prazo, o ambiente de negócio se mostra ainda mais atrativo no país. Com a inflação controlada e juros nos patamares mais baixos da história, atrelados à retomada da atividade hoteleira em termos de performance operacional que ocorrerá nos próximos anos, o apetite dos investidores para greenfield deve aumentar e o investimento hoteleiro voltará para a pauta de grandes e pequenos investidores, seja nacional ou internacional. Lembro sempre que o investimento hoteleiro é um negócio de longo prazo. Hotéis são construídos não apenas para um par de anos, são desenvolvidos para a perpetuidade.

HN: Ainda na mesma pergunta, a situação é parecida nos demais países sul-americanos? 

AC: Em relação às oportunidades para conversões, a situação é muito similar. Argentina, Chile, Peru e Colômbia continuam sendo países estratégicos para a nossa expansão na América Hispânica. Cada um deles tem obviamente suas peculiaridades, mas, de forma mais ampla, todos apresentam inúmeras oportunidades para conversões. E aqui me refiro tanto aos hotéis únicos, quanto para as pequenas redes locais, que necessitarão de forte plataforma de distribuição, hóspedes frequentes de programas de fidelidade e uma marca que ofereça, pincipalmente, a confiança necessária para os hóspedes efetuarem suas reservas. E estamos prontos para trazer bandeiras novas, como Tribe, Delano, Banyan Tree ou intensificar nossa presença com marcas clássicas, tais como ibis, Novotel e Sofitel para estes mercados.

(*) Crédito das fotos: Divulgação/Accor