Recém-chegado ao posto de CTO da WAM Experience após quase dois anos na empresa, Higino Vieira tem uma grande missão. Vindo do cargo de COO, o executivo já tinha responsabilidade sobre a área tecnológica da companhia, mas há sete meses a proporção desse envolvimento aumentou consideravelmente.
Com formação acadêmica em instituições conceituadas, como a Universidade de Brasília, ele acumula passagens pelos ministérios do Trabalho e do Turismo. Além disso, foi também o gerente executivo da Diretoria de Negócios da ApexBrasil.
Em sua estreia na seção Três perguntas para, Vieira fala sobre os gargalos que enxerga na hotelaria em termos tecnológicos, comenta sobre motivações para aceitar a nova empreitada e compartilha os maiores desafios envolvendo sua função de CTO.
Três perguntas para: Higino Vieira
Hotelier News: O que te motivou a aceitar o desafio de migrar de setor dentro da WAM Experience? Quais são seus planos nessa função e o que esperar do Higino de maneira prática?
Higino Vieira: Assumir a área de Tecnologia e Inovação na WAM Experience foi uma decisão estratégica, motivada pela convicção de que a TI, quando bem posicionada, é um acelerador de eficiência operacional, encantamento do cliente e geração de valor para o negócio. Acredito que, para evoluir as operações, é necessário que a tecnologia esteja no centro da tomada de decisão como vetor, e não apenas como suporte.
Na prática, essa transição já se materializou em entregas robustas. Um exemplo recente é a integração avançada entre os sistemas de reserva, que transformou a experiência do hóspede que nos procura e da equipe Comercial, automatizando cadastros, orçamentos e pagamentos de múltiplas reservas com fluidez. Também já estamos bem avançados na pauta da Inteligência Artificial focada na hospitalidade e aplicada a dados.
Hoje já contamos com dezenas de agentes virtuais ativos em diferentes áreas da empresa como no corporativo, jurídico, comercial, governança e atendimento, promovendo escalabilidade e ganho de produtividade em toda a organização.
O que esperar do Higino nessa nova fase? Foco em entregas com impacto real, uso estratégico de dados e IA, automação de processos e uma TI cada vez mais protagonista no crescimento dos resultados do grupo.
HN: Em sua visão, quais são os maiores gargalos da tecnologia hoteleira? O segmento ainda peca muito na gestão de dados, por exemplo? O que mais pode melhorar?
HV: O setor de hospitalidade no Brasil enfrenta gargalos significativos e, sem dúvida, a gestão inteligente dos dados está entre os principais. A maioria das operações possui grandes volumes de informações valiosas como reservas, consumos, feedbacks, ocupação, performance financeira, etc., mas poucos conseguem consolidar e transformar esses dados em análises comportamentais efetivas, em tempo real, para tomada de decisão, personalização da experiência do hóspede ou ajustes estratégicos nas operações.
Outro desafio crônico do setor é a falta de integração entre sistemas. Ainda é comum encontrar estruturas fragmentadas, onde reservas, pagamentos, housekeeping, A&B, CRM e gestão de pessoas operam em ilhas. Essa desconexão prejudica a automação, gera retrabalho, reduz produtividade e compromete a fluidez da jornada do cliente.
A cibersegurança precisa ser protagonista. Em um setor que transaciona dados sensíveis de milhares de hóspedes diariamente, é inaceitável tratar segurança como tema periférico. Governança de TI, proteção de dados, rastreabilidade e resposta rápida a incidentes precisam ser pilares inegociáveis.
Por fim, vejo uma lacuna grande e uma oportunidade imensa na adoção estratégica de inteligência artificial. A IA está revolucionando desde a precificação dinâmica e o atendimento automatizado, até a gestão de pessoas e controle de consumo. E não é futuro, é presente. Na WAM, já operamos com um ecossistema de IA robusto, além de Data Lake e banco de dados vetorizado e uma camada de integração estruturada.
Estamos provando na prática que quando dados, IA e integração se encontram, a eficiência cresce, a experiência encanta e o negócio escala. Esse é o novo patamar da hotelaria — e é pra lá que estamos indo.
HN: Em sua visão, qual o cenário e os desafios da área de tecnologia em hotelaria de maneira geral? No caso da WAM, o que podemos esperar em termos de investimento na área?
HV: A hotelaria vive um momento de grande transição digital, no qual a tecnologia deixou de ser um apoio secundário e passou a ser um diferencial competitivo. O desafio é acompanhar a velocidade dessa transformação sem perder de vista a humanização do atendimento, que é a essência do setor.
Na WAM, nosso foco é ampliar investimentos em inteligência artificial, ciência de dados, automação de processos e segurança da informação, sempre com o objetivo de garantir resiliência e continuidade operacional. Estamos estruturando a área para continuar entregando soluções que impactem toda a jornada do cliente, desde a reserva até o pós-estadia, e que também tragam eficiência para a gestão corporativa. O investimento é consistente e contínuo, alinhado ao nosso propósito de consolidar a WAM como referência em hospitalidade e inovação no Brasil.
(*) Crédito da foto: Divulgação/WAM Experience


















