Apesar de ser formada em Gestão de RH (Recursos Humanos) pela Estácio, Michele Rosa, de 25 anos, tem uma ligação com a hotelaria desde o início de sua trajetória profissional. Atual coordenadora de RH no Hotel Nacional, no Rio de Janeiro, a executiva começou como jovem aprendiz na área pela Riale Hotéis, mas já acumula oito anos de experiência no segmento.
Por lá, foram cinco anos, até chegar ao cargo de analista. Após um ano e três meses fora da indústria, voltou por meio do empreendimento de São Conrado.
“Tenho paixão pela área de Recursos Humanos e pela oportunidade de impactar positivamente a vida das pessoas. Meu propósito é encontrar o equilíbrio entre as necessidades da empresa e o bem-estar dos colaboradores, garantindo um ambiente justo e harmonioso”, comenta.
Na seção Três perguntas para de hoje (28), ela explica mais sobre o que tem visto do mercado de trabalho hoteleiro. Os profissionais mais buscados, uma avaliação pessoal do cenário de contratações e um pouco de sua atuação no Hotel Nacional.
Três perguntas para: Michele Rosa
Hotelier News: Como profissional de RH, quais são os perfis mais buscados em profissionais em cada área?
Michele Rosa: A demanda por profissionais qualificados pode variar de acordo com o setor de atuação, mas algumas características são amplamente valorizadas no mercado de trabalho. Entre elas, destacam-se a capacidade analítica, a inovação, a adaptabilidade e a proatividade. Além disso, buscamos profissionais empáticos, atentos aos detalhes e resilientes, que consigam lidar com desafios e mudanças constantes.
Para atender a essas necessidades e fortalecer nossa equipe, adotamos uma estratégia focada na captação de talentos com menor experiência, mas com grande potencial de desenvolvimento. Acreditamos que investir na formação e no aperfeiçoamento desses profissionais não apenas contribui para a qualificação da mão de obra, mas também fortalece o engajamento, alinhando os colaboradores à cultura organizacional e aos objetivos estratégicos da empresa. Dessa forma, promovemos um ambiente de crescimento mútuo, onde os profissionais evoluem junto com a organização.
HN: Qual é a sua avaliação para o mercado de trabalho da hotelaria atualmente? Por que está tão difícil contratar e como melhorar este cenário?
MR: Atualmente, o mercado de trabalho na hotelaria continua sendo promissor, impulsionado pelo crescimento do turismo e pelo retorno dos grandes eventos presenciais. No entanto, o setor enfrenta desafios significativos quando se trata da atração e retenção de profissionais qualificados. A adaptação às novas exigências do mercado tornou-se essencial para garantir que os hotéis consigam manter um serviço de qualidade e excelência.
Um dos principais obstáculos para a contratação é a escassez de mão de obra qualificada. Muitos profissionais migraram para outras áreas que oferecem maior flexibilidade, principalmente após a pandemia, quando o modelo de trabalho remoto se tornou mais popular e desejado. Além disso, a hotelaria exige presença física e, muitas vezes, jornadas rigorosas, incluindo turnos noturnos, finais de semana e feriados, o que pode afastar candidatos em busca de melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
No Rio de Janeiro, essa dificuldade é intensificada por problemas logísticos, como o deslocamento. O transporte público nem sempre é eficiente ou seguro em todas as regiões, dificultando o acesso dos trabalhadores aos locais de trabalho, principalmente em horários alternativos. Esse fator pode desestimular candidatos e contribuir para a rotatividade no setor.
Para melhorar esse cenário, é fundamental que as empresas adotem estratégias para tornar o ambiente de trabalho mais atrativo. Algumas ações incluem:
- Investimento em capacitação: criar programas de formação e desenvolvimento profissional pode suprir a falta de mão de obra qualificada e aumentar o engajamento dos funcionários;
- Benefícios e incentivos: oferecer vantagens como ações de estímulo à produtividade que geram auxílios financeiros, plano de carreira e bonificações pode tornar as oportunidades mais competitivas;
- Flexibilização dentro do possível: embora a presença física seja essencial, é possível repensar escalas e folgas para proporcionar maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
- Valorização dos colaboradores: um ambiente de trabalho motivador, com reconhecimento e boas condições, ajuda a reter talentos e reduzir a rotatividade.
Com essas mudanças, o setor pode se tornar mais atrativo para novos profissionais, garantindo que a hotelaria continue crescendo e oferecendo serviços de alta qualidade.
HN: O que o Hotel Nacional tem feito para incrementar a qualidade do trabalho de seus colaboradores?
MR: No setor hoteleiro, a valorização dos colaboradores é um fator essencial para garantir um atendimento de excelência e manter um ambiente de trabalho produtivo e motivador. Diante dos desafios do mercado, investimos no bem-estar e no desenvolvimento profissional dos funcionários, pois entendemos que não é apenas uma estratégia para melhorar o desempenho, mas também uma forma de fortalecer a cultura organizacional e reter talentos.
Consigo citar cinco iniciativas que impulsionam pontos como desenvolvimento individual, ambiente mais saudável, engajado e alinhado aos objetivos da empresa:
- Investimento em treinamentos;
- Curso de inglês para atendimento;
- Oportunidades internas para incentivar permanência;
- Ações mensais voltadas para o colaborador, como eventos comemorativos, premiações e dinâmicas;
- Ajustes de escala para melhor qualidade de vida.
Ao investir nessas iniciativas, a empresa não apenas melhora o desempenho de seus colaboradores, mas também fortalece seu próprio crescimento. Profissionais capacitados, motivados e satisfeitos refletem diretamente na experiência dos clientes, gerando um serviço de excelência e uma reputação positiva no mercado. Além disso, um ambiente de trabalho que valoriza as pessoas se torna mais atrativo, reduzindo a rotatividade e promovendo um time mais engajado e produtivo.
(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal














