A Hilton divulgou seu relatório de tendências para 2027, que aponta mudanças no comportamento dos viajantes em relação à forma de planejar e aproveitar as viagens. O estudo indica uma busca maior por flexibilidade e experiências capazes de gerar benefícios que permaneçam depois do retorno para casa.
Intitulado The Great Rebalance: How Travelers Are Expecting to Reset and Recalibrate in 2027, o levantamento foi elaborado a partir de uma pesquisa com mais de 14 mil viajantes de 14 países, realizada em parceria com a Morning Consult. O relatório reúne cinco tendências que devem influenciar a maneira como as pessoas planejam, reservam e vivenciam suas viagens no próximo ano.
Os movimentos identificados são The Rise of ‘Ish’, The Travel Trust Equation, Growth Getaways, Wellness, Rewired e The Micro-Travel Mindset. Em conjunto, as tendências apontam para uma demanda por recomendações de fontes confiáveis, experiências voltadas ao desenvolvimento pessoal, bem-estar conectado à natureza e viagens mais curtas e flexíveis.
Segundo a pesquisa, os viajantes devem deixar de lado a busca por uma experiência perfeita em favor de viagens que proporcionem crescimento pessoal, flexibilidade e descoberta. A proposta é que o período fora de casa seja utilizado para descansar, ganhar novas perspectivas e aproveitar melhor o tempo disponível.
“Estamos percebendo que os viajantes estão menos interessados na definição de perfeição de outra pessoa e mais focados em planejar viagens de acordo com os próprios termos”, afirma Chris Nassetta, presidente e CEO da Hilton.
“O relatório deste ano reforça que as pessoas estão procurando experiências que se encaixem em suas vidas, ajudem a recarregar as energias e criem significado que permaneça muito depois de voltarem para casa. À medida que as expectativas dos viajantes continuam evoluindo, são nossas inovações phygitais, que combinam de maneira integrada ambientes físicos, contato humano e produtos digitais, que ajudarão os hóspedes a aproveitar ao máximo a experiência de viagem, ao mesmo tempo em que constroem confiança e lealdade”, completa.
Viagens menos perfeitas
A primeira tendência, The Rise of ‘Ish’, mostra uma mudança na relação dos viajantes com a ideia de férias perfeitas. O levantamento aponta que 54% sentem algum tipo de pressão para ter uma viagem ideal, enquanto 24% procuram acomodar as preferências do grupo e manter outras pessoas satisfeitas.
A pesquisa também identificou uma transformação na percepção sobre viagens solo. Para 31% dos entrevistados, viajar sozinho não significa necessariamente permanecer sem companhia durante toda a viagem. Esse grupo já viajou individualmente para encontrar amigos ou familiares no destino, combinando independência com conexão.
A segunda tendência, The Travel Trust Equation, está relacionada à confiança. Com a expansão de ferramentas de IA (Inteligência Artificial) voltadas ao planejamento de viagens, a experiência humana passa a ocupar um papel relevante na escolha de recomendações e informações.
Entre os viajantes que consideram a família sua principal fonte de confiança, um em cada cinco entrevistados sem filhos afirma que a mãe é sua fonte mais confiável de recomendações sobre viagens. O índice é mais de duas vezes superior ao registrado entre pais, de 8%.
Os funcionários de hotéis também aparecem como uma fonte relevante. Segundo o levantamento, 70% dos viajantes confiam nesses profissionais como recurso para o planejamento de viagens.
O status em programas de fidelidade também influencia a relação de confiança. Metade dos entrevistados, ou 50%, afirma ter maior propensão a confiar em recomendações de pessoas com status de fidelidade do que nas de indivíduos sem esse benefício. Outros 29% dizem sentir inveja de amigos que possuem um status de fidelidade superior ao próprio.
Viagens como ferramenta de crescimento
A terceira tendência, Growth Getaways, aponta para uma percepção das viagens como oportunidade de desenvolvimento pessoal. Segundo o estudo, 76% dos viajantes afirmam que ter uma viagem marcada proporciona um objetivo pelo qual trabalhar.
O relatório também identifica o crescimento das chamadas skillcations, viagens associadas ao aprendizado de novas habilidades ou à descoberta de interesses. Ao todo, 42% dos entrevistados dizem que viajar ajudou a descobrir novos interesses ou paixões.
Entre os viajantes da Geração Z – cujas preferências estão ajudando a redesenhar o turismo global – a intenção de voltar para casa com um novo hobby ou interesse é quase duas vezes maior do que entre os baby boomers. A busca por uma conexão mais profunda com os destinos também aparece associada a experiências relacionadas à cultura e às tradições locais.
A quarta tendência, Wellness, Rewired, está relacionada a uma nova abordagem para o bem-estar, que combina experiências digitais e presenciais. O levantamento aponta que 65% dos viajantes procuram experiências capazes de acalmar o corpo e ajudar a reiniciar o sistema nervoso.
Natureza ganha espaço no bem-estar
Para 76% dos entrevistados, viajar permite recarregar as energias mental e fisicamente de maneiras que não são facilmente alcançadas em casa. O contato com ambientes naturais também aparece como um elemento importante: 79% consideram o ar fresco e as atividades ao ar livre essenciais para relaxar durante uma viagem.
Mais da metade dos viajantes, 54%, afirma passar mais tempo em contato com a natureza durante as viagens do que em casa. O levantamento também identifica uma procura crescente por experiências de bem-estar que promovam uma conexão mais profunda com os destinos.
A quinta tendência, The Micro-Travel Mindset, está relacionada ao tempo disponível para viajar. Em vez de esperar por uma oportunidade considerada ideal para fazer uma viagem, os viajantes estão adotando deslocamentos mais curtos e frequentes, que podem ser planejados com maior facilidade e encaixados na rotina.
Para 67% dos entrevistados, é importante planejar viagens que permitam conhecer muitas atrações em pouco tempo. Outros 63% preferem se hospedar em locais centrais, com diversas opções de atividades nas proximidades.
O conceito de viagem curta
A definição de viagem curta varia de acordo com o mercado. Entre os viajantes dos Estados Unidos, 88% consideram uma viagem de menos de três ou quatro dias como curta. No Japão, 86% definem uma viagem curta como aquela com duração inferior a dois dias. Na Coreia do Sul, esse percentual é de 59%.
Na Arábia Saudita, 29% dos entrevistados consideram que uma viagem curta pode durar cinco ou seis dias ou mais. Na Alemanha, o índice é de 26%. Os dois mercados apresentam os maiores percentuais entre os países pesquisados para uma definição mais ampla de viagem curta.
Segundo a Hilton, essas mudanças de comportamento também aparecem nas hospedagens e experiências oferecidas por seu portfólio, que reúne 28 marcas e mais de 9,4 mil propriedades. A pesquisa da rede indica, assim, que o planejamento de viagens para 2027 deverá ser marcado por maior flexibilidade e por experiências alinhadas às necessidades individuais dos viajantes, com menor preocupação em seguir um modelo único de viagem considerada perfeita.
(*) Crédito da foto: Divulgação















