A influência da IA (Inteligência Artificial) no setor de viagens não é novidade, mas o lançamento do Operator, agente autônomo da OpenAI, reacendeu o debate sobre o impacto da tecnologia na indústria. O recurso, anunciado em janeiro, pode pesquisar e reservar viagens, o que traz questionamentos sobre o futuro das plataformas de metabusca, revela o Phocuswire.
Atualmente, o Operator está disponível apenas para assinantes pro da OpenAI, mas é provável que a ferramenta se torne acessível a mais usuários no futuro. Caso isso ocorra, a relevância das metabuscadoras pode ser questionada: os viajantes continuarão comparando preços em vários sites ou usarão apenas a IA para planejar suas viagens?
Para Mike Coletta, da Phocuswright, a metabusca e a IA agentiva desempenham funções semelhantes, o que pode gerar dois cenários:
- As metabuscadoras podem desenvolver seus próprios agentes de IA, aprimorando suas plataformas para manter a competitividade.
- Se agentes como o Operator forem mais eficientes, a importância das metabuscadoras pode diminuir.
No entanto, líderes do setor não veem a nova tecnologia como uma ameaça. Steve Hafner, CEO do Kayak, afirma que está otimista com as mudanças. Segundo o executivo, a IA pode colocar as metabuscadoras em vantagem sobre as OTAs, pois permitirá que plataformas como o Kayak melhorem a experiência de reserva e o suporte ao cliente.
Paul English, cofundador da companhia, também acredita que a metabusca continuará relevante e destaca que as empresas do setor já estão desenvolvendo interfaces baseadas em chat. Para Johannes Thomas, CEO do Trivago, a ideia de que a metabusca é ultrapassada não reflete a realidade.
“Preço é um dos maiores desafios para os viajantes. Ainda há espaço para as metabuscadoras oferecerem benefícios exclusivos, como preços melhores, ofertas especiais e alertas de preços”, explica.
Adaptação das metabuscadoras
A história mostra que as empresas podem evoluir conforme a tecnologia avança. Hafner compara o desafio atual à competição do Kayak com o Google. “Estamos competindo contra o Google há 20 anos e ainda acredito que temos um produto melhor”, afirma. “Muitas pessoas começam a busca pelo Google, mas ainda assim o Kayak continua sendo um negócio sólido”.
Para Coletta, a metabusca pode encontrar um novo papel dentro desse cenário. “Essas plataformas podem se tornar um intermediário especializado em fornecer dados consolidados de preços e disponibilidade para agentes como o Operator“, sugere.
O futuro do setor também dependerá de como a IA será financiada e monetizada. Neste sentido, Coletta levanta questões-chave:
- O Operator será influenciado por anúncios ou comissões?
- Os viajantes pagariam uma assinatura para evitar publicidade e viés nas recomendações?
- A OpenAI estaria disposta a pagar às metabuscadoras pelo acesso a dados agregados?
“Ninguém sabe as respostas ainda. Tudo dependerá de como os viajantes adotam essas tecnologias e de como a indústria se adaptará nos próximos anos”, conclui.
(*) Crédito da foto: Pixabay















