Iniciada em 2024, a ABLT (Associação Brasileira de Locação por Temporada) teve seu primeiro ano completo dedicado à estruturação institucional. Agora, em 2026, o foco será crescimento, consolidação e ampliação da entrega de valor aos associados. Em entrevista à reportagem do Hotelier News, William Astolfi, CEO da B.Homy e novo presidente da entidade, explica que deve fortalecer sua atuação como representante institucional de um mercado ainda marcado pela pulverização, desafios regulatórios e a necessidade de profissionalização.
Em 2025, ainda presidida por Pedro Pongelupe, CEO da OZPED, a associação deu os primeiros passos para ganhar escala e protagonismo no debate público. “Foi o primeiro ano de estruturação real da ABLT e também de entrega”, afirma Astolfi. Ele destaca que a criação de processos internos, avanços em governança e ampliação do time foram bases fundamentais para o amadurecimento da entidade.
Mesmo com recursos limitados, a atuação institucional ganhou tração ao longo do ano. A ABLT participou de debates sobre locação por temporada no contexto da COP 30, em Belém, promoveu eventos próprios, como a ABLT Week e a segunda convenção da associação, além de manter diálogo constante com representantes municipais, federais e entidades internacionais do setor.
Um dos pontos centrais da agenda em 2025 foi a atuação no debate sobre o Projeto de Lei que propõe mudanças na locação por temporada no Rio de Janeiro. Segundo o executivo, a proposta representaria um retrocesso relevante para o setor. “A ABLT teve papel ativo na articulação técnica e institucional sobre o tema. Entendo que esse tipo de caso, principalmente, evidencia a necessidade de organização, dados e voz qualificada para o segmento”, salienta.
Ano novo, vida nova
Com o aprendizado dos últimos 14 meses, aproximadamente, a nova diretoria enxerga 2026 como o ano de consolidação. Já empossada, ela tem como prioridade escalar a entrega de valor aos associados e, entre as iniciativas previstas, estão:
- Migração para uma plataforma mais robusta;
- Melhorar a experiência do associado;
- Facilitar o acesso a conteúdos, eventos e benefícios;
- Ampliação da agenda de masterclasses;
- Realização de encontros regionai.
A programação inclui ainda dois grandes eventos nacionais, sendo um em cada semestre. “O foco é mais proximidade, conteúdo relevante e presença institucional”, resume o presidente da ABLT, diz.

Atualmente, a associação reúne mais de 100 associados, que representam mais de 15 mil imóveis de locação por temporada no Brasil. Para 2026, a meta é acelerar o crescimento da base, impulsionada pela nova plataforma, por uma agenda mais intensa de eventos e a ampliação do conteúdo técnico e institucional. “Mais do que crescer em números, queremos crescer em representatividade e entrega para o associado”, pontua Astolfi.
Na avaliação do executivo, o mercado de locação por temporada enfrenta três grandes desafios. O primeiro é a pulverização de um setor que movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano, mas ainda carece de representação institucional forte. O segundo está ligado à desinformação regulatória. A locação de temporada é uma atividade legal, amparada pela Lei do Inquilinato, mas frequentemente é alvo de interpretações equivocadas. O terceiro e último, por fim, é a profissionalização, sobretudo entre PMEs (Pequenos e Médios Empreendedores).
Nesse cenário, o papel da ABLT é atuar simultaneamente nessas frentes. Informação qualificada, profissionalização do mercado e representatividade institucional são os pilares que definem sua atuação.
Chegada à ABLT
A profissionalização do STR (short-term rental), segundo o presidente da entidade, é um processo contínuo. Enquanto anfitriões mais antigos evoluem para estruturas empresariais mais robustas, novos empreendedores entram no mercado diariamente. “É um segmento que cresce a taxas de dois dígitos há anos e a projeção segue positiva. Hoje, a missão é entregar capacitação adequada a diferentes estágios de maturidade do empreendedor”.
A transição com Pongelupe, segundo o atual presidente, ocorreu de forma natural, uma vez que ele ocupava já estava na entidade como vice-presidente. Em dezembro, uma Assembleia Geral aprovou a nova diretoria, incluindo a renovação de cargos estratégicos. Como a mudança aconteceu durante o mandato em curso, a atual gestão permanece até setembro de 2025, quando será realizada nova eleição, explica.
Outro tema recorrente no debate do setor, por fim, é a possível cobrança de imposto de até 44% após a Reforma Tributária. Astolfi pondera que há desinformação em torno do assunto, já que não se trata de uma tributação automática para todo o mercado.
Segundo ele, a incidência adicional ocorre apenas em casos específicos, como proprietários com receita anual acima de R$ 240 mil ou com três ou mais imóveis. “O principal desafio é informar corretamente, para evitar alarmismo e decisões equivocadas”, conclui.
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