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BC mantém aperto monetário e Selic atinge 14,25% ao ano

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiu, por unanimidade, elevar a Selic em um ponto percentual, passando de 13,25% para 14,25% ao ano. O novo patamar iguala o nível observado durante a crise do governo Dilma Rousseff. No comunicado divulgado após a reunião de ontem (19), o comitê indicou que os juros devem continuar subindo na próxima decisão, marcada para maio, mas em um ritmo mais moderado.

Apesar desse direcionamento, o BC evitou assumir um compromisso com o tamanho do próximo ajuste. A justificativa para a decisão citou o cenário econômico desafiador, o aumento das incertezas e o impacto defasado da política monetária sobre a economia, revela a Folha de São Paulo.

A alta de um ponto percentual marca o terceiro aumento consecutivo nessa intensidade, levando os juros ao nível de outubro de 2016. Na ocasião, a taxa Selic permaneceu em 14,25% por um ano e três meses, atravessando o impeachment da ex-presidente. Essa foi a segunda reunião do Copom sob a presidência de Gabriel Galípolo, que sucedeu Roberto Campos Neto no comando do BC.

Desde setembro de 2024, quando teve início o ciclo de alta da Selic, a taxa já subiu cinco vezes consecutivas, acumulando aumento de 3,75 pontos percentuais. O comitê acelerou o ritmo do aperto monetário pela primeira vez em novembro, quando elevou os juros em 0,5 ponto percentual. Em dezembro, optou por um movimento mais agressivo, anunciando uma elevação de um ponto e sinalizando outras duas altas da mesma magnitude para janeiro e março. Agora, a estratégia foi concretizada.

Cenário macroeconômico

Desde a reunião de janeiro, as expectativas para a inflação pioraram, sobretudo para 2026. Segundo o último Boletim Focus, divulgado pelo BC, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve encerrar o próximo ano em 4,48%, próximo ao teto da meta, que é de 4,5%.

Para 2025, as projeções do mercado apontam uma inflação de 5,66%, muito acima do objetivo central de 3%. O sistema de metas permite uma variação entre 1,5% e 4,5%, sendo considerada cumprida caso o índice permaneça dentro desse intervalo.

Entre as preocupações dos economistas, destaca-se a política fiscal expansionista do governo Lula. Medidas recentes, como a criação do consignado privado para trabalhadores do setor privado e a liberação de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), foram vistas como estímulos à economia que podem pressionar a inflação.

Outro ponto de atenção é a proposta de isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5.000 mensais. O governo propôs compensar a perda de arrecadação com a criação de um imposto mínimo sobre grandes fortunas, mas há resistência no Congresso.

No cenário externo, a guerra comercial intensificada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, adiciona mais incertezas. O impacto das novas tarifas protecionistas sobre a inflação global e a reação do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) são monitorados de perto pelo mercado. Nesta quarta-feira, o Fed manteve os juros entre 4,25% e 4,50% ao ano.

O desempenho da economia brasileira também exige cautela. O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 3,4% em 2024, mas perdeu fôlego no quarto trimestre, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Diante da defasagem entre as decisões de política monetária e seus efeitos na economia, o BC já trabalha com projeções para a inflação do terceiro trimestre de 2026, dentro do novo regime de meta contínua.

(*) Crédito da foto: Freepik

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