A Booking Holdings anunciou o lançamento da Vayo, startup de IA (Inteligência Artificial) voltada ao planejamento e gerenciamento de viagens. A companhia prevê investir US$ 100 milhões na iniciativa, valor condicionado à evolução do produto e às condições de mercado, segundo o Phocuswire. A plataforma – – que evidencia os esforços da companhia em IA – pretende reunir reservas de diferentes fornecedores, monitorar alterações de preços e automatizar tarefas ao longo da jornada do viajante.
Com sede em Seattle, a Vayo foi cofundada por Mike Fridgen, CEO da empresa, e Allen Chen, CTO. O serviço está em fase beta privada, com acesso gratuito mediante convite. Os interessados já podem se inscrever em uma lista de espera. A tecnologia se integra à caixa de entrada de e-mails dos usuários para identificar confirmações de reservas.
A partir dessas informações, a Vayo organiza automaticamente passagens aéreas, hospedagens e outros serviços em roteiros disponíveis em seu site. A ferramenta também acompanha alterações de tarifas e disponibilidade, notificando o consumidor sobre oportunidades de remarcação por preços menores e abertura de mesas em restaurantes.
Segundo Fridgen, a plataforma aprende com cada nova reserva e utiliza essas informações para aprimorar a experiência do viajante. A proposta é transformar a IA em um assistente capaz de acompanhar diferentes etapas da viagem, antecipar necessidades e executar ações que tradicionalmente exigiriam consultas a diversos aplicativos e fornecedores.
Plataforma integra reservas de diferentes empresas
Embora faça parte do ecossistema da Booking Holdings, a Vayo não está limitada às marcas do grupo. A tecnologia também organiza e monitora reservas realizadas em plataformas concorrentes, como a Expedia. A estratégia considera que os consumidores costumam recorrer a diferentes canais para contratar serviços turísticos.
Para Fridgen, o acesso a informações de múltiplos fornecedores é fundamental para construir uma relação de confiança com o viajante. O executivo afirma que a Vayo pretende oferecer uma visão completa das viagens, independentemente de onde as reservas tenham sido efetuadas. A expectativa é ampliar gradualmente a cobertura de fornecedores e permitir transações por diferentes canais.
Glenn Fogel, CEO da Booking Holdings, reforça que a startup adota uma abordagem centrada no consumidor. Segundo ele, a abertura da plataforma permite gerar valor mesmo quando a transação ocorre fora das marcas do grupo. O modelo também possibilita à companhia identificar dificuldades enfrentadas pelos viajantes ao longo de suas jornadas.
A iniciativa integra a estratégia de viagens conectadas da Booking Holdings. Em vez de concentrar a experiência apenas no momento da compra, a empresa busca ampliar sua participação no planejamento, na gestão das reservas e no acompanhamento dos serviços contratados.
IA monitora voos, hotéis e restaurantes
Entre as funcionalidades da Vayo está o monitoramento de atrasos e cancelamentos de voos, considerando seus possíveis impactos sobre outros compromissos. Caso uma chegada seja adiada, por exemplo, a tecnologia pode identificar a necessidade de alterar o horário de check-in no hotel ou modificar uma reserva em restaurante.
A plataforma também utiliza o histórico e os interesses dos usuários para identificar lacunas nos roteiros e auxiliar no planejamento de futuras viagens. Isso inclui deslocamentos recorrentes, como visitas anuais a determinados destinos, viagens para encontrar familiares ou estadias em uma segunda residência.
No segmento gastronômico, a Vayo já permite realizar reservas por meio da OpenTable, plataforma pertencente à Booking Holdings. Durante a fase beta privada, as operações estão concentradas nesse serviço, mas a startup pretende incorporar outros fornecedores futuramente.
A ferramenta também identifica quedas de preços e pode obter reembolsos em determinados bilhetes aéreos. Na hotelaria, o funcionamento ainda é diferente: quando encontra uma tarifa inferior à originalmente contratada, a Vayo notifica o usuário para que ele tome as providências necessárias. A automação desse processo deverá ser ampliada conforme a evolução da plataforma.
Reservas de hotéis e voos terão novas funcionalidades
Atualmente, os viajantes podem pesquisar voos e hospedagens diretamente na Vayo, mas precisam acessar os sites dos fornecedores para concluir as compras. Fridgen informou que a startup pretende permitir, nas próximas semanas, a finalização de reservas aéreas e hoteleiras dentro da própria plataforma.
A novidade deverá ampliar os recursos de monitoramento e aproveitamento de reduções tarifárias, incluindo novas possibilidades relacionadas às reservas de hotéis. A iniciativa pode acrescentar uma camada de automação à distribuição turística, especialmente no acompanhamento de preços após a confirmação da compra.
O público prioritário da Vayo é formado por viajantes frequentes de lazer, incluindo profissionais com pouco tempo disponível para organizar seus deslocamentos. A proposta é concentrar informações e reduzir o esforço necessário para administrar diferentes reservas.
A especialização em turismo também é apontada por Fridgen como um diferencial em relação a agentes de IA de uso geral, como o ChatGPT e o Muse, da Meta. Segundo o executivo, a Vayo foi desenvolvida para compreender as particularidades da jornada de viagem e atuar de maneira proativa, considerando informações sobre o usuário, seus compromissos e os serviços contratados.
Booking aposta em experiência visual e IA especializada
Fridgen avalia que agentes de IA generalistas podem enfrentar dificuldades para acessar determinados fornecedores, especialmente quando dependem da navegação automatizada por sites. A Vayo, por sua vez, pretende estabelecer conexões com empresas de turismo para favorecer a continuidade e a confiabilidade dos serviços.
Outro diferencial está na interface visual. Em vez de apresentar longas respostas em texto, a plataforma busca organizar informações e recomendações de maneira intuitiva. A proposta considera que viagens de férias, especialmente aquelas planejadas com antecedência ou associadas a experiências especiais, envolvem decisões influenciadas por elementos visuais e emocionais.
A startup também foi concebida para apoiar a estratégia de connected trip, defendida há vários anos por Fogel. O conceito prevê conectar diferentes etapas da jornada turística, permitindo que o consumidor organize e gerencie serviços em uma experiência integrada.
Para Fridgen, a Vayo funciona como uma ferramenta de coordenação dessa jornada. Ao identificar reservas nos e-mails e transformá-las em itinerários, a plataforma cria uma base de informações que poderá ser utilizada para oferecer serviços adicionais e antecipar necessidades.
Vayo e Lola ampliam estratégia de IA da Booking
A Vayo passa a integrar o portfólio de startups de IA da Booking Holdings ao lado da Lola, assistente de viagens fundada por Steve Hafner e Paul English. A Lola apresentou recentemente um modelo de associação, ampliando as iniciativas do grupo no desenvolvimento de produtos baseados em IA.
As duas empresas também refletem uma estratégia geográfica da Booking Holdings. Enquanto a Lola está localizada na Costa Leste dos Estados Unidos, a Vayo opera na Costa Oeste. Fogel já havia mencionado a intenção de desenvolver startups nessas duas regiões como parte dos investimentos do grupo em IA.
Questionado sobre a decisão de criar negócios independentes das marcas consolidadas da companhia, Fogel afirma que o modelo oferece maior agilidade no desenvolvimento de produtos. Segundo o executivo, equipes dedicadas conseguem testar hipóteses e construir soluções nativas de IA sem as limitações impostas por plataformas e modelos comerciais existentes.
Ao mesmo tempo, as startups se beneficiam da estrutura da Booking Holdings, incluindo acesso a capital, conhecimento de mercado, recursos tecnológicos e relacionamentos comerciais. A estratégia permite testar diferentes propostas antes de definir quais funcionalidades e modelos de negócio apresentam maior potencial.
Monetização e privacidade estão entre as prioridades
Assim como a Lola, a Vayo não utiliza publicidade patrocinada. Entretanto, as duas startups adotam abordagens distintas de monetização. Enquanto a Lola opera com um modelo de assinatura que inclui uma modalidade gratuita, a Vayo ainda avalia possíveis fontes de receita.
Fridgen explica que a prioridade atual é compreender quais funcionalidades oferecem maior valor aos consumidores durante a fase beta. A empresa considera a possibilidade de adotar assinaturas ou outros modelos comerciais, mas ainda não definiu como pretende monetizar a plataforma.
Em relação à privacidade, o executivo afirma que a Vayo acessa apenas informações relacionadas a viagens nas caixas de entrada dos usuários, mantendo os demais conteúdos privados. O acesso pode ser revogado a qualquer momento, e os dados dos consumidores não são utilizados para treinar o modelo de IA subjacente.
Entre os próximos desenvolvimentos estão funcionalidades para viagens em grupo, integração com contas de programas de fidelidade e um aplicativo próprio para gerenciar deslocamentos durante a permanência no destino. A expectativa é que a Vayo seja disponibilizada ao público em geral no primeiro semestre de 2027.
(*) Crédito da foto: Divulgação














