E se o sucesso de um hotel não dependesse apenas da localização, do número de estrelas ou da qualidade do serviço, mas da quantidade de informações que possui sobre a vizinhança em tempo real? Essa é a proposta dos dados hiperlocais — informações ultraespecíficas sobre um quarteirão, rua ou até uma única fachada — que estão transformando a forma como empreendimentos hoteleiros definem preços, escolhem serviços e se conectam com hóspedes e comunidades ao redor. De variações no tráfego a eventos de bairro, o novo ouro do setor é conhecer tudo sobre o entorno.
Em entrevista ao Hotelier News, Fausto Silva, gerente da Equipe de Consultores da PriceLabs para Europa e Brasil, afirma que os dados hiperlocais possibilitam uma abordagem mais eficaz e dinâmica para compreender o comportamento do mercado em regiões e períodos específicos. “Por exemplo, é possível mensurar o impacto de um bloco de Carnaval em uma rua de Olinda, uma feira de negócios no Anhembi, em São Paulo, ou um festival gastronômico em Tiradentes (MG)”, explica.
Silva destaca que, nos hotéis atendidos pela PriceLabs, o foco está principalmente na análise das unidades mais próximas, sem deixar de lado uma visão macro. Afinal, não se trata apenas de aumentar preços, mas de entender quanto elevar e em que momento. Sem dados hiperlocais, essa tarefa se torna bem mais complexa.

Benefícios
O executivo da PriceLabs aponta que a precificação baseada em dados hiperlocais oferece diversos benefícios aos hotéis, entre eles:
- Gestão inteligente de disponibilidade: implementar estratégias dinâmicas de estadas mínimas permite maximizar receitas para além das datas oficiais, como feriados prolongados ou grandes eventos. Em casos como shows, por exemplo, muitos hotéis vendem apenas uma noite, mas o hóspede pode desejar permanecer por três. Antecipar esse movimento ajuda a otimizar a ocupação.
- Marketing e distribuição: com dados hiperlocais, é possível criar campanhas direcionadas a períodos e públicos específicos. Ao entender o que é mais procurado e o que tem maior saída, o hotel pode desenvolver ações mais eficazes.
- Antecipação da demanda: prever o impacto de períodos específicos é fundamental. A IA (inteligência artificial) tem sido uma aliada importante nesse processo, permitindo que algoritmos identifiquem padrões de comportamento do mercado.
“Hoje, diversas empresas adotam a abordagem de dados hiperlocais proposta pela PriceLabs. Em mercados como São Paulo e Rio de Janeiro, a localização é determinante para impulsionar a demanda. E a IA tem sido essencial nesse cenário, ajudando a interpretar os dados e definir as melhores ações. Um dos principais desafios atuais é que muitos clientes acessam grande volume de informações, mas ainda não conseguem transformá-las em iniciativas práticas. Por isso, nossos próximos projetos envolvem o desenvolvimento de assistentes virtuais para apoiar os hoteleiros nessa estratégia”, acrescenta Silva.
Ele projeta uma mudança de paradigma nos próximos anos, com essas ferramentas ganhando cada vez mais protagonismo nas estratégias dos hotéis e otimizando toda a operação. Nesse contexto, também será essencial enfrentar desafios como a qualidade no acesso aos dados, a fragmentação tecnológica e a infraestrutura de conectividade.
“Com a PriceLabs, o cliente analisa todo o mercado e os concorrentes, o que contribui significativamente para gerar estratégias mais assertivas. Esse é o futuro de todo o setor”, conclui Silva.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/PriceLabs















