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De perfil corporativo, Paraná tem retomada lenta

Por Camila Gallate 2 de outubro de 2020

A reportagem do Hotelier News continua viajando pelo país para mostrar como anda a retomada da hotelaria Brasil afora. Depois de Santa Catarina, continuamos na região Sul, dessa vez focando no Paraná. Em terras paranaenses, um ponto ficou claro sobre o ritmo de recuperação. Assim como São Paulo, Curitiba sofre com a falta de eventos e aguarda flexibilização de leis municipais no segmento.

“A hotelaria está preparada para receber o público. É preciso, contudo, que ocorra a liberação dos eventos”, diz Orlando Kubo, presidente da ABIH-PR. Sem o público corporativo, o estado caminha em lenta retomada. “O mercado está com baixas ocupações, de 10% a 15%”, acrescenta Kubo.

Segundo dados do FOHB, em agosto, a capital registrou decréscimo de 71,6% no indicador frente igual período de 2019. Diante disso, ainda há vários empreendimentos com operações paralisadas. “Diria que algo próximo a 20% pode fechar definitivamente, mas não temos precisão nesses dados.”

Logo que a pandemia estourou, algumas redes se viram obrigadas a fechar suas unidades, caso da Slaviero Hotéis. Segundo Eraldo Santanna, diretor de Operações da empresa paranaense, dos oito hotéis no estado, apenas dois permaneceram abertos. “Fechamos em abril, vimos que não fazia sentido manter todos abertos e mantivemos na região do aeroporto”, diz.

As reaberturas começaram em maio, processo que se estendeu para junho. “Vínhamos em uma crescente, mas em julho houve retrocesso devido ao aumento de casos de Covid-19 no Paraná. Em agosto, recuperamos a tendência de alta e, em setembro, esse processo ganhou corpo. Praticamente dobramos a ocupação do mês anterior”, revela.

Santanna ressalta, contudo, que as bases de comparação são baixas. Neste sentido, as ocupações seguem em patamares distantes do período pré-pandemia. “Em setembro, a média de Curitiba deve ser de 30%. Já em outubro, devemos atingir de 35% a 40%.”

Paraná e outros players

Com quatro hotéis no estado, a Hotéis Deville também sofreu impacto severo da pandemia. “Todavia, as praças se comportaram de forma diferente. Atribuo a isso características como predominância do agronegócio e proximidade geográfica de polos emissores. Exemplo: Maringá em relação a São Paulo, Cascavel para Foz do Iguaçu e Guaíra para o Paraguai. Todos esses mercados possibilitam viagens rodoviárias”, conta Cicero Vilela, diretor de Vendas e Marketing da Deville.

Durante a pandemia, todos os hotéis no estado interromperam atividades no final de março, com as reaberturas ocorrendo gradativamente. Segundo Vilela, as unidades vêm apresentando taxas de ocupações muito inferiores às médias históricas. “Guaíra e Cascavel, por exemplo, têm obtido ocupações na casa dos 20%, mas subindo mês a mês. Já Maringá, no período de junho a setembro, obteve média próxima a 25%, também com tendência de melhora”, revela. “Já no Deville Business Curitiba, reaberto em 8 de setembro, o indicador está em 10%.”

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Marilis: hotel aproveitou o período de baixa demanda para intensificar treinamento das equipes

Na contramão dos fechamentos, o Grand Hotel Rayon permaneceu aberto durante todo o período mais intenso da pandemia. “Intensificamos treinamento com as equipes para garantir a segurança de hóspedes e funcionários”, explica Marilis Borcath, diretora executiva e proprietária do Grand Hotel Rayon. “Como não chegamos a fechar em nenhum momento, pudemos perceber a retomada gradativa, iniciando por moradores da cidade em busca de uma nova experiência”, comenta.

“Depois, recebemos viajantes a lazer ou negócios de carro. Também notamos um início de retomada no setor de eventos. Para este fim, criamos o Connect Meeting by Rayon, nova forma de realizar eventos que alia tecnologia e conectividade e vem apresentando ótimos resultados”, pontua.

Replanejamento e retomada

Com drástica mudança trazida pela pandemia, os hotéis tiveram que repensar metas. “Se considerarmos o RevPar, 2020 terá queda de 65% em relação ao obtido em 2019”, analisa Vilela. “Na medida em que os meses avançam, por mais que estejamos verificando uma lenta recuperação das ocupações, não será possível recuperar tal defasagem.”

Pelo que a reportagem percebeu, há um misto de otimismo e cautela nas projeções das empresas ouvidas. “Estamos otimista com a evolução que está acontecendo, mas não temos uma visão clara ainda a longo prazo”, diz Santanna. Com isso, o executivo diz que as metas são repensadas a curto prazo. “Vamos deixar claro para nossos investidores que esses objetivos são revisados a cada três meses. Percebemos uma evolução, não muito grande, mas estamos no caminho. Imaginamos que logo conseguimos chegar ao ponto de equilíbrio”, acrescenta.

Borcath compartilha também de certo entusiasmo. “Apesar do cenário bastante desafiador, tivemos surpresas positivas. Percebemos aumento expressivo na ocupação de suítes, o que fez com que nossa diária média tivesse uma boa elevação. Em termos de ocupação, sempre seguimos os decretos vigentes e, evidentemente, temos limitação no número de quartos disponíveis”, conta.

Paraná - retomada da hotelaria_eraldo santanna

Santanna: mesmo que em expansão, ocupações seguem em distantes dos patamares pré-pandemia

Novo perfil dos hóspedes

Com as limitações de eventos e o recolhimento do executivo ao home office, o Paraná teve mudança no perfil dos hóspedes. “Geralmente, tínhamos 70% de turistas de negócios e 30% de lazer. Agora, houve uma inversão”, comenta Santanna.

Ainda assim, na avaliação dos três grupos hoteleiros entrevistados, o corporativo já ensaia retomada. “Temos observado que hóspedes que trabalham em médias e pequenas empresas vêm gerando alguma demanda. Isso se aplica às cidades do interior do estado, sendo boa parte dessas viagens feitas com carro”, finaliza Vilela.

(*) Crédito da capa: Bruno Adamo/Unsplash

(*) Crédito das demais fotos: Divulgação