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A retomada paulista e os dois anos que separam São Paulo da recuperação

Por Nayara Matteis 11 de setembro de 2020

Continuando com cobertura sobre retomada no Brasil, o Hotelier News visita o terceiro estado do sudeste, após abordar as capitais mineira e fluminense. Chegando à maior cidade do país, o cenário ainda é de perdas e uma lenta recuperação à vista no estado de São Paulo.

Segundo Orlando de Souza, presidente executivo do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), a perspectiva na capital para este ano ainda é muito negativa. “Muito provavelmente ao fechar o ano completo de 12 meses, as taxas de ocupação devem apontar uma queda de 80% em comparação a 2019. Então se no ano passado fechou em torno dos 60%, significa que este ano a taxa de ocupação vai fechar em torno de 35%, no máximo 40%”.

Isso, considerando um cenário sem novas ondas de contaminação e novas medidas de isolamento impostas. Tratando-se da ocupação no mês de julho, as taxas são ainda mais baixas. “No ano passado foi de 65,2% e neste ano chegou a 7,14%. Depreende-se que o semestre trouxe um prejuízo bastante grande, e foi ainda beneficiado pelo início de janeiro e fevereiro muito bons, até em relação de 2019”, diz Souza.

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Para Souza, a perspectiva para a capital ainda é negativa

A região beneficiava-se de bons números, alcançando taxas melhores do que o mesmo período no ano passado. Do início de 2020, até 15 de março bons números foram registrados. “Mas a partir dessa data, quando a pandemia bateu de vez, março, abril, maio, junho e julho foi um desastre total”, relata.

Em relação aos números da retomada, Ricardo Roman, presidente da ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo), conta que ainda não há resultados definitivos de fechamentos permanentes. “Mas o que posso dizer é que 90% já abriu”, garante. Iniciadas as reaberturas, ambos os especialistas prospectam a volta estável do turismo paulista, quando a hotelaria de fato verá lucros, somente em 2023.

“É difícil fazer uma previsão concreta, mas a previsão orçamentária deste ano nós cortamos em 50%”, discorre Roman. Ainda em 2021 as projeções foram diminuídas em 30%, para 2022 20% e 2023 então volta-se ao mesmo patamar do início da pandemia. Souza complementa ainda que a operação em si não vai gerar fundos suficientes para manter o operacional. “Isso começa a equilibrar no segundo trimestre de 2021, se tudo ocorrer de normalmente, as contas se equilibram”, pontua.

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Roman afirma que ainda não há resultados definitivos para a hotelaria

São Paulo: a falta de eventos na cidade

Um dos fatores que desacelera a retomada paulista é a falta de eventos, que geralmente movimentavam a cidade. “Percebemos que ainda há pouco movimento, uma vez que não temos previsão de grandes eventos como shows, exposições, feiras ou congressos na cidade”, comenta André Felicio, gerente de Vendas do Nobile Suítes Congonhas. “Com a retomada da vida noturna, reabertura de parques e demais atrações deveremos ter um aumento gradativo do segmento”, diz.

Mais até do que Réveillon e Carnaval, o gerente comenta que sente o impacto com os cancelamentos de grandes feiras, congressos e Fórmula 1. O hotel reabriu em junho e as taxas de ocupação seguem similares às projeções da hotelaria como um todo. “Contabilizamos em julho índices com 6,7%, e agosto com 10,7%. A média diária ainda oscila, e nosso maior pico de ocupação foi de 21% lembrando que nosso hotel tem 427 apartamentos”, revela.

Sobre as tradicionais festas de ano novo e até mesmo o carnaval, a festa clássica da paulista foi cancelada. Mas a hotelaria ainda se organiza para eventos em um novo formato. “Estamos com o SPCVB (São Paulo Convention & Visitors Bureau) e a prefeitura do estado alguma programação para o feriado de Réveillon”, diz Roman. “A capital de São paulo é a maior da América Latina e teremos inúmeras atividades para fazer. E é o mesmo raciocínio para as cidades turísticas. Não vai haver aglomeração, mas o feriado vai acontecer, as pessoas vão viajar, só vamos ter que tomar cuidado com os protocolos e cuidar da saúde”, finaliza.

Toni Sando, presidente executivo do SPCVB , ainda complementa que com os cancelamentos, surgem duas oportunidades. “A realização da versão virtual ou híbrida de um encontro, na qual marcas têm se interessado em patrocinar; e da possibilidade de novos formatos de eventos ou experiências permitidas dentro da flexibilização”, explica. “Ou seja, no caso do Réveillon da Paulista, na qual a maioria dos participantes são os próprios paulistas, é possível promover viagens de curta distância seguras pelo interior, com resorts por exemplo, para celebrar dentro dos protocolos”, finaliza.

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Apesar dos cancelamentos, Sando vê oportunidades na crise

Turismo no interior

Assim como previsto pelas organizações, o brasileiro volta às estradas redescobrindo o turismo doméstico. Meio às retomadas de resorts, o interior paulista de beneficia das viagens regionais. “Estamos acompanhando uma retomada da hotelaria mais consistente no interior e litoral, aos finais de semana. Na capital, a ocupação ainda é mínima e depende da volta dos eventos para uma reativação mais significativa”, analisa Sando.

O movimento é favorável ao interior, que contrasta com as baixas ocupações da capital. “Nas cidades turísticas de São Paulo, nos finais de semana o movimento está razoável, a ocupação está em torno de 20%, está dentro da expectativa”, comenta Roman.

(*) Crédito da capa: renancaraujo/Unsplash

(**) Crédito das fotos: Divulgação