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Desemprego recua a 5,2% no trimestre até setembro

Em ritmo com o que foi visto em agosto, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, indicando o menor resultado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. O índice recuou 0,2 p.p (ponto percentual) em relação ao trimestre terminado em junho, quando estava em 5,4%, e 0,4 p.p. na comparação com o mesmo intervalo de 2025 (5,6%). Os dados são da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado também ficou próximo do menor patamar geral da série, de 5,1%, registrado em dezembro de 2025. No trimestre de julho a setembro, a população desocupada somou 5,6 milhões de pessoas, uma queda de 4% frente ao período anterior, equivalente a 234 mil pessoas a menos. Em um ano, o recuo foi de 6,9%, com redução de 417 mil pessoas.

Já a população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica. O resultado representa crescimento de 0,6% frente ao trimestre anterior, com acréscimo de 581 mil trabalhadores, e de 1,2% na comparação anual, com mais 1,2 milhão de pessoas.

O nível da ocupação, que mede a proporção de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, voltou a alcançar recorde, chegando a 59%. O indicador avançou 0,2 p.p. em relação ao trimestre anterior e permaneceu estável na comparação anual.

Construção concentra avanço trimestral

Na comparação com o trimestre encerrado em junho, a ocupação cresceu apenas no grupamento de Construção, com alta de 2,8%, equivalente a 210 mil pessoas. Os demais grupos de atividade não apresentaram variações significativas.

No confronto anual, houve aumento no número de ocupados em Transporte, armazenagem e correio, com avanço de 6,9%, equivalente a 411 mil pessoas. Também foi registrado crescimento de 2,1% no grupamento que reúne Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com acréscimo de 400 mil trabalhadores.

A força de trabalho, formada por pessoas ocupadas e desocupadas, totalizou 109,3 milhões de pessoas. O contingente cresceu 0,3% em relação ao trimestre anterior e 0,7% na comparação com o mesmo período de 2025.

Emprego formal

Apesar do recorde na população ocupada, o número de empregados com carteira assinada no setor privado, excluindo trabalhadores domésticos, permaneceu estável em 39,4 milhões, tanto na comparação trimestral quanto na anual. O contingente de empregados sem carteira assinada no setor privado também não apresentou variação significativa, mantendo-se em 13,7 milhões.

O total de trabalhadores por conta própria chegou a 26,1 milhões, enquanto o de trabalhadores domésticos ficou em 5,4 milhões. Ambos os grupos apresentaram estabilidade nas duas comparações.

Em entrevista ao UOL, William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, a estabilidade nesses segmentos pode refletir uma postura de cautela do mercado de trabalho diante do período eleitoral, finalizado no último domingo com a reeleição de Lula à presidência do Brasil. Ele acredita ainda que o comportamento das contratações deverá ficar mais claro nas próximas divulgações.

Entre os demais grupos, o número de empregadores atingiu recorde de 4,5 milhões, com alta de 4,3% no trimestre, equivalente a 184 mil pessoas, e de 6,4% em um ano, com acréscimo de 272 mil. O contingente de empregados no setor público também alcançou o maior patamar da série, com 13,2 milhões de pessoas. O resultado ficou estável na comparação trimestral e avançou 2,5% na anual, com mais 317 mil trabalhadores.

Informalidade e subutilização

A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, o indicador era de 37,4%, com 38,6 milhões de pessoas. No mesmo período de 2025, estava em 37,8%, com 38,7 milhões.

A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13%, sem variação significativa em relação aos 12,9% do trimestre anterior. Na comparação anual, houve recuo de 0,9 p.p., ante os 13,9% registrados em 2025.

A população subutilizada somou 14,8 milhões de pessoas, permanecendo estável no trimestre e diminuindo 6,1% em um ano. Já a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas chegou a 4,3 milhões, com alta de 5,2% no trimestre e queda de 5,4% na comparação anual.

A população fora da força de trabalho totalizou 66,5 milhões de pessoas, mantendo estabilidade no trimestre e crescendo 0,8% em relação ao mesmo período de 2025.

Na contramão da queda do desemprego, a população desalentada, formada por pessoas que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis, mas desistiram de procurar emprego, chegou a 2,5 milhões. O contingente aumentou 7,5% no trimestre, com mais 171 mil pessoas, mas recuou 6,8% na comparação anual, com redução de 178 mil.

Rendimentos atingem recordes

O rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.790, com estabilidade na comparação trimestral e aumento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, equivalente a R$ 131 a mais.

A massa de rendimento real habitual, que corresponde à soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, atingiu R$ 387,5 bilhões, também recorde da série histórica. O indicador cresceu 1,5% no trimestre, com acréscimo de R$ 5,6 bilhões, e 4,7% em um ano, com aumento de R$ 17,5 bilhões.

Entre os grupamentos de atividade, o rendimento médio mensal real habitual no trabalho principal aumentou 3,2% em Serviços domésticos na comparação trimestral, equivalente a R$ 46 a mais. Em Outros serviços, houve queda de 5,5%, correspondente a R$ 168.

Na comparação anual, os rendimentos avançaram em Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (4,6%); Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (5,6%); e Serviços domésticos (5,5%).

Por posição na ocupação, o rendimento dos trabalhadores domésticos cresceu 3,2% no trimestre e 5,5% no ano. Também houve aumento anual entre empregados do setor público (3,3%) e trabalhadores por conta própria (3,7%).

(*) Crédito da foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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