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Desemprego sobe e, sem prorrogação de MP, deve subir mais, diz especialista

Por Vinicius Medeiros 28 de maio de 2020

Em reflexo direto das dispensas provocadas pelas medidas de restrição ao coronavírus, o desemprego voltou a aumentar no Brasil. Segundo dados divulgados hoje (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de trabalhadores desempregados no país soma 12,8 milhões.

Trata-se do maior nível em um ano no trimestre encerrado em abril, com perdas recordes na ocupação. A taxa de desemprego apurada pelo IBGE atingiu 12,6% entre fevereiro e abril, de 11,2% no trimestre encerrado em janeiro. Em igual período de 2109, o indicador era de 12,5%. O percentual ficou abaixo da expectativa medida em pesquisa feira da Reuters, de 13,3%.

Com a forte retração já vista na economia, o número de desempregados de fevereiro a abril chegou a 12,811 milhões. No trimestre anterior encerrado em janeiro, o total era de 11,913 milhões. “O isolamento foi responsável para os movimentos acentuados do mercado de trabalho”, diz Adriana Beringuy, analista da pesquisa do IBGE. 

Na hotelaria, esse movimento é visível. Grandes redes, por exemplo, viram-se obrigadas a desligar colaboradores. O mesmo ocorreu em hotéis independentes. Por isso, por meio do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), redes associadas vêm buscando entendimento com o governo federal para prorrogação da MP 936. 

Promulgada em abril, a medida provisória permite a suspensão de contratos, bem como redução de jornada e de salários. Em entrevistas recentes ao Hotelier News, Patrick Mendes e Eduardo Giestas declararam a prorrogação da MP será essencial para a manutenção de empregos.

Desemprego - números maio_José PastorePastore participou, em 2018, do fórum promovido pelo FOHB, em São Paulo 

Desemprego e MP

A opinião é compartilhada por José Pastore, professor da USP (Universidade de São Paulo) e um dos maiores especialistas do mercado de trabalho no país. Em entrevista a Reuters, Pastore disse que o governo terá que renovar os programas para conter demissões para amortecer o impacto das medidas de isolamento social sobre o emprego.

Para ele, as perspectivas de novas contratações nos próximos meses são muito limitadas. Pastore prevê ainda dois ou três anos de “muito sofrimento” para o mercado de trabalho. “A retomada do comércio e dos serviços será gradual, será setorial, será sequenciada, vai ter uma série de requisitos para manter distanciamento. E mesmo se continuarem abertas não vão precisar de tantos empregados como precisavam antes”, comenta.

Diante desse quadro, Pastore considera indispensável a prorrogação dos programas de preservação de empregos, cuja validade encerram no final do ano. Ainda assim, o especialista alerta que, com o tempo, as medidas se tornam menos efetivas sem a volta das receitas das empresas.

“Vão ter que criar outras coisas para ver se segura um pouco mais o emprego porque, do contrário, vamos ter um quadro avassalador nesse país que tem uma força de trabalho muito grande, de mais de 100 milhões de pessoas”, finaliza.