Conhecida por seus restaurantes de alto padrão, a rede Rubaiyat prepara sua entrada no setor hoteleiro. A empresa da família Iglesias está em busca de terrenos em áreas nobres do Rio de Janeiro e de São Paulo para lançar uma nova bandeira de hotéis de luxo, com planos para abrir até 10 unidades nos próximos anos.
“Queremos começar com uma flagship, e por isso o nosso maior desafio hoje é encontrar o endereço certo. Estamos decidindo entre Rio e São Paulo,” afirmou Diego Iglesias ao Metro Quadrado.
Neto do fundador Belarmino Fernández Iglesias, imigrante espanhol que comprou o restaurante Rubaiyat nos anos 1950, o empresário estima que o primeiro projeto deve receber investimentos entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. O montante cobrirá aquisição ou locação do imóvel e a implantação da operação.
Segundo o executivo, os recursos virão “metade via equity e o restante por captação no mercado”. Ele ainda revelou que o grupo já possui alguns clientes e amigos interessados em participar desse novo empreendimento.
A aposta na hotelaria acompanha o aquecimento do setor de luxo no Brasil, que tem nomes como Fasano, Emiliano e Belmond entre os poucos players atuando no alto e altíssimo padrão.
O Fasano, assim como o Rubaiyat, tem suas raízes a gastronomia e consolidou sua marca no setor hoteleiro. Além do Brasil, o grupo possui dois hotéis em destinos internacionais em oepração (Nova York e Punta de Este), com mais projetos em desenvolvimento em locais como Cascais, em Portugal, e Sardenha, na Itália.
Localização segue como maior desafio
Um dos principais obstáculos para a implantação da nova bandeira é encontrar o terreno ideal. “O hotel certo no lugar errado não vai funcionar. Porque a primeira regra é: estar no local certo,” afirma Paulo Mancio, diretor executivo de hospitality da CBRE Brasil.
Segundo o executivo, a hotelaria voltou ao radar de investidores diante da estabilidade em outros segmentos. “O setor de escritórios chegou a um platô de retorno e não deve ter novos upsides, o que abre novas oportunidades para a hotelaria”.
Iglesias reforça essa visão. “É justamente a escassez contínua de imóveis em boas regiões o principal gargalo para tirar o projeto do Rubaiyat do papel”.
Negociações em andamento
Até agora, a empresa já iniciou tratativas por três terrenos, sendo dois no Rio de Janeiro e um em São Paulo. Neste ano, chegou a negociar o imóvel do antigo Colégio São Paulo, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema — um dos endereços mais valorizados do país, de frente para o Arpoador.
A proposta previa a conversão do colégio em um hotel com cerca de 110 quartos, variando de 40 metrs quadrados (m²) a 50 m². O espaço permitiria a inclusão de quadras, piscinas, academia e outros elementos estruturais da hotelaria de altíssimo padrão. No entanto, o imóvel foi vendido para um grupo educacional, que deverá instalar ali uma nova escola.
Em São Paulo, a companhia participou do leilão de um prédio na Rua Bela Cintra, no Jardim Europa, que já pertenceu à Telefônica. A propriedade, porém, foi arrematada por outro grupo.
Projeto começou após recompra do grupo
A ideia de transformar a marca Rubaiyat em bandeira hoteleira surgiu no pós-pandemia, mas tem raízes mais antigas. Em 2012, a família Iglesias vendeu 70% do grupo para o fundo de private equity Mercapital. Cinco anos depois, em 2017, o fundo decidiu desinvestir de mercados emergentes, e a família recomprou integralmente a operação.
“Com 100% do negócio, nós fechamos o restaurante do México, porque era uma operação que não perdia, mas também não ganhava dinheiro,” disse Inglesias.
Hoje, a rede de restaurantes conta com duas unidades em São Paulo — na Faria Lima e a Figueira Rubaiyat — e outras cinco em Brasília, Rio de Janeiro, Madri, Santiago e Buenos Aires. Também mantém a Fazenda Rubaiyat, no Mato Grosso.
Até aqui, o plano de expansão da marca focava na abertura de restaurantes ao redor do mundo. Segundo Iglesias, no entanto, a ideia de ter um hotel com a marca criada pelo avô era um sonho antigo da família.
Agora, a proposta é unir as duas pontas do serviço: hospedagem e gastronomia. “Por que ter só um, se nós podemos ter um hotel e um restaurante juntos?”, questiona o empresário.
Além de implantar hotéis urbanos em capitais como Rio e São Paulo, o grupo também avalia lançar um hotel fazenda em formato boutique no interior do país, ampliando a proposta de hospitalidade com base em experiências e produtos próprios.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Grupo Rubaiyat











