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Slaviero hospitalidade

Três perguntas para: Fabrice Collet

Antes de começar, é importante mencionar: o Hotelier News teve sorte. Sim, a reportagem conseguiu aproveitar a derradeira visita oficial ao Brasil de Fabrice Collet ainda na cadeira de chairman da B&B Hotels para fazer (talvez) uma de suas últimas entrevistas para a imprensa. Para mídias brasileiras, dá para cravar que o privilégio jornalístico é nosso.

No final de março, após uma passagem de quase 14 anos, dos quais oito anos na cadeira de CEO ou chairman, Collet deixou a B&B Hotels, sendo substituído por Céline Vercollier na função. No período, o executivo liderou projetos estratégicos na trajetória de mais de três décadas da rede francesa.

Entre eles, a transação de venda da B&B Hotels – anteriormente pertencente ao fundo de investimento PAI Partners – para o Goldman Sachs, em 2019. Em paralelo, concebeu e executou um bem-sucedido plano de expansão da empresa, que dobrou a oferta de quartos sob sua liderança, o que incluiu a chegada ao mercado brasileiro, onde acaba de anunciar mais dois hotéis.

Ao longo dos mais de 30 anos de carreira, Collet trabalhou em diferentes setores da economia. A chegada à B&B Hotels, em 2012, acabou sendo um retorno às origens. Com a hospitalidade no sangue, ele foi criado dentro do hotel da família localizado na região da Savoia, nos Alpes franceses.

Agora, chegou a hora de se dedicar ao ski, ao trekking e à vela, hobbies que alimentou na vida. Após uma trajetória de dedicação e sucesso, nada mais justo, não é verdade? Então, leitores, compartilhem do privilégio que o Hotelier News teve nesta conversa com Collet, que tem uma primeira parte nesta sessão de hoje (21) do Três perguntas para. Semana quem vem tem mais!

Três perguntas para: Fabrice Collet

Hotelier News: A B&B Hotels chegou ao Brasil há pouco menos de uma década. Quais os planos para o mercado brasileiro nos próximos anos?

Fabrice Collet: Começamos investir no Brasil há nove anos, e enfrentamos dificuldades naturais de quando se entra em novos mercados. Tivemos que lançar a marca, achar as pessoas certas para trabalhar e, claro, as localizações corretas para os nossos hotéis. E, sim, quando se começa algo novo, é comum cometer erros. A parte boa é que se aprende com eles. Nossa primeira propriedade, por exemplo, foi em São José dos Campos (SP). É um bom empreendimento, mas não é nosso melhor. Então, acho que no começo erramos exatamente nesse fator muito importante (localização), em não entender quais são exatamente as melhores praças para atuar no país. Agora, estamos muito focados em encontrar esses lugares, e acreditamos que sejam o Rio de Janeiro e São Paulo, que são destinos de lazer e de negócios imbatíveis.

Ficamos quatro ou cinco anos sem abrir um hotel no Brasil, mas temos essas duas novas assinaturas e vamos crescer ainda mais por aqui. O foco nessas duas cidades específicas tem explicação: acreditamos que essas operações serão fundamentais na consolidação da nossa marca no imaginário do consumidor brasileiro. Em um segundo momento, quando isso estiver estabelecido, avançaremos para praças secundárias e terciárias, talvez por meio de franquias. E é bom ressaltar que franchising só funciona quando se tem, de fato, uma marca forte, porque aí você consegue entregar valor de verdade para o seu franqueado. Por isso, essas aberturas no Rio de Janeiro e São Paulo são tão relevantes.

HN: A hotelaria é um negócio de escala, então uma pergunta se faz necessária: pensando nessa expansão no mercado brasileiro, existe algum número mágico?

FC: Diria que, para o Brasil, a meta é atingir 100 hotéis – e sem um prazo definido para isso. Há 10 anos, daria um número ainda maior, mas aprendemos com nossa jornada no mercado brasileiro e vimos que é necessário fazer as coisas bem e direito, com paciência. Ainda assim, estamos muito satisfeitos com o que fizemos e como vamos expandir daqui para frente.

HN: Para finalizar, onde o Brasil se encaixa dentro da trajetória de crescimento global da B&B Hotels?

FB: A empresa começou na França e, quando resolvemos expandir para além das nossas fronteiras, abrimos hotéis na Alemanha, Espanha, Itália, Polônia… Hoje, estamos praticamente em todo lugar na Europa, sendo ainda líderes do segmento econômico em alguns desses países. Mais ainda, diria que será possível encontrar um hotel da B&B em todo o continente europeu em até uma década, o que vai nos colocar em uma posição curiosa: para onde vamos expandir na sequência, uma vez que o trabalho já estará todo feito na Europa?

Hoje a África não é um mercado maduro o suficiente ainda. Ásia é bem mais interessante, mas a força e a presença das redes chinesas são muito grandes, o que nos faz pensar duas vezes se vale a pena competir com essas empresas. Então, o caminho mais óbvio são as Américas – e já começamos pela América Latina, com uma base estabelecida no Brasil há mais ou menos uma década. Agora, sim, um novo questionamento que nos fazemos é para onde ir na região depois do mercado brasileiro, enquanto, em paralelo, buscamos fortalecer nossa posição na América do Norte, onde já temos três unidades na Flórida, que é um estado com muitos brasileiros que conhecem e validam nossa marca.

(*) Crédito da foto: Vinicius Medeiros/Hotelier News

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