Na Bienal de Arquitetura Brasileira 2026, o Pavilhão do Maranhão, assinado por Larissa Catossi e Guilherme Abreu, não surge como uma provocação distante da realidade, mas como uma leitura sensível e contemporânea de atributos que já fazem parte da identidade do estado.
O projeto constrói uma atmosfera acolhedora a partir do barro, evocando origem, memória e abrigo.
Essa materialidade não é nova para o Maranhão. Ela já está presente, de diferentes formas, na arquitetura, nos interiores e na forma como muitos espaços recebem seus visitantes.
O que o pavilhão faz é evidenciar, organizar e traduzir essa essência em linguagem contemporânea.

Território como ativo: algo que o Maranhão já sabe fazer
A construção cromática do espaço, com azul e vermelho inspirados na bandeira do estado, reforça uma relação direta entre cultura e experiência.
Na prática, essa conexão já é um dos grandes diferenciais da hotelaria maranhense.
Seja em São Luís, nos Lençóis Maranhenses ou em experiências mais autorais pelo estado, o que se percebe é:
- Forte presença da cultura local
- Valorização de referências históricas e populares
- Conexão genuína com o território
O pavilhão reforça o quanto esse caminho já é consistente e relevante.
Experiência como narrativa viva
Um dos pontos mais marcantes do projeto é a instalação inspirada nas matracas do Bumba Meu Boi, que traduz ritmo, coletividade e identidade cultural em forma espacial.
Essa dimensão sensorial e narrativa também está presente na hospitalidade do estado.
O Maranhão já trabalha, de forma natural, elementos que hoje são centrais na hotelaria contemporânea:
- Cultura como experiência (e não apenas como referência estética)
- Presença do coletivo, da festa e da música
- Sensação de acolhimento que vai além do espaço físico
O que o pavilhão faz é condensar essa experiência em um ambiente único e intencionalmente desenhado.

Materialidade e contraste: tradição e contemporaneidade convivendo
O diálogo entre barro e aço inox no projeto traduz o encontro entre ancestralidade e contemporaneidade.
Esse equilíbrio também pode ser observado em muitos projetos e experiências no estado, onde:
- O artesanal convive com soluções atuais
- O histórico dialoga com o contemporâneo
- O simples se transforma em sofisticado pela forma como é apresentado
O pavilhão reforça um ponto importante: não é preciso abandonar a identidade para evoluir, é possível sofisticá-la.
Design local como protagonista
A presença de designers maranhenses no mobiliário e na concepção do espaço reforça a força da produção autoral local.
Esse movimento já acontece na prática, ainda que muitas vezes de forma mais silenciosa.
A hotelaria do Maranhão tem um ativo poderoso:
- Saber fazer local
- Mão de obra artesanal
- Repertório cultural rico
O pavilhão amplia essa leitura e mostra o potencial de transformar esse repertório em linguagem estratégica de design.
A força do simbólico presente na experiência do estado
A curadoria que inclui elementos como a máscara de Mestre Zimar evidencia a importância das narrativas culturais no espaço.
No Maranhão, essa dimensão simbólica já faz parte da vivência do visitante nas festas populares, na arte e na relação com a cultura e o imaginário coletivo.
O que o projeto revela é o potencial de trazer essa camada simbólica de forma ainda mais integrada aos espaços de hospitalidade.

Mais do que inspiração, um reconhecimento
O Pavilhão mostra que muitos dos atributos que hoje são considerados diferenciais na hotelaria global já estão presentes no estado, como autenticidade, conexão com o território, experiência sensorial, cultura viva e acolhimento genuíno.
O que se abre como oportunidade é a intencionalidade: organizar, comunicar e potencializar esses elementos como estratégia.
O que fica como reflexão para a hotelaria
Mais do que uma referência estética, o pavilhão reforça uma mensagem importante: o valor está no que já é verdadeiro e não no que precisa ser importado.
Para a hotelaria do Maranhão, isso significa fortalecer sua identidade como diferencial competitivo, transformar cultura em narrativa estruturada e elevar a experiência sem perder autenticidade.
(*) Crédito das fotos: Denilson Machado











