O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiu, por unanimidade, aumentar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual ontem (7), levando o juro básico da economia brasileira de 14,25% para 14,75% ao ano. Trata-se do maior patamar em quase duas décadas — a última vez que a Selic esteve nesse nível foi em julho de 2006, aponta a CNN Brasil.
Esta foi a sexta reunião consecutiva com decisão de alta. Pela primeira vez na gestão de Gabriel Galípolo à frente da instituição, o forward guidance não foi previamente sinalizado de forma clara, o que gerou maior atenção do mercado. Ainda assim, a maioria dos analistas já projetava o reajuste anunciado.
Segundo o BC, a decisão considera fatores como o descompasso nas expectativas de inflação, o ritmo elevado da atividade econômica, pressões no mercado de trabalho e projeções inflacionárias ainda distantes da meta.
“Tal cenário prescreve uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta”, comunicou o Copom.
Incertezas e novo encontro
O BC não indicou se o ciclo de aperto monetário chegou ao fim. A nota da autarquia reforça o cenário de incerteza elevada e o estágio já avançado do atual ajuste de juros, cujos efeitos ainda estão em curso. Diante disso, o comitê afirmou que será necessário atuar com cautela e flexibilidade nas próximas decisões.
O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 17 e 18 de junho. Em relação à inflação, o comitê reduziu a estimativa para 2026, projetando o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 3,6%. No comunicado, a autoridade monetária também destacou que o ambiente externo permanece desfavorável e incerto, em especial devido à condução da política econômica dos Estados Unidos e seus desdobramentos sobre o comércio global.
“A política comercial alimenta incertezas sobre a economia global, notadamente acerca da magnitude da desaceleração econômica e sobre o efeito heterogêneo no cenário inflacionário entre os países, com repercussões relevantes sobre a condução da política monetária”, destacou o BC.
Riscos inflacionários seguem elevados
A autoridade monetária apontou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, estão acima do padrão usual. Entre os fatores que podem pressionar os preços, o BC menciona a persistência da inflação de serviços, a permanência das expectativas desancoradas e possíveis choques na política econômica interna ou externa.
Do lado oposto, o Copom vê chance de alívio inflacionário caso haja uma desaceleração mais intensa da economia global, uma retração nas atividades econômicas internas ou queda nos preços das commodities.
(*) Crédito da foto: Reprodução/Folhapress














