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Energia puxa inflação para baixo em outubro, diz IBGE

Após meses de oscilação nos preços e um cenário de incertezas no ritmo da economia, a inflação deu sinais de alívio em outubro, favorecida pela queda na energia elétrica e pela estabilidade dos alimentos. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu para 0,09% no período. O movimento reforça a tendência de desaceleração dos preços observada ao longo do segundo semestre e traz certo respiro ao orçamento das famílias, revela o G1. Os dados foram divulgados hoje (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado representa a menor taxa de inflação para o mês em 27 anos, desde outubro de 1998, quando o índice avançou apenas 0,02%. O resultado também mostra desaceleração de 0,39 ponto percentual em relação a setembro, quando os preços haviam subido 0,48%, impulsionados pela energia elétrica. A variação ficou abaixo das projeções do mercado, que esperavam uma taxa entre 0,10% e 0,16%.

Com o desempenho de outubro, a inflação oficial acumula alta de 3,73% em 2025 e de 4,68% nos últimos 12 meses. No mesmo mês de 2024, o IPCA havia registrado 0,56%.

Energia elétrica lidera quedas

O principal fator de alívio sobre os preços foi a redução na energia elétrica residencial, que ficou 2,39% mais barata e exerceu impacto negativo de 0,10 ponto percentual no índice geral.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a mudança se deve à alteração na bandeira tarifária, que passou da vermelha patamar 2 — com cobrança extra de R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos — para a vermelha patamar 1, com adicional menor, de R$ 4,46.

Outros itens que também contribuíram para conter a inflação foram os aparelhos telefônicos (-2,54%) e o seguro de automóveis (-2,13%).

Vestuário e despesas pessoais sobem mais

Entre os grupos pesquisados, Vestuário apresentou a maior alta do mês (0,51%), impulsionado por Calçados e Acessórios (0,89%) e Roupas Femininas (0,56%).

Em Despesas Pessoais (0,45%), destacaram-se os aumentos do empregado doméstico (0,52%) e do pacote turístico (1,97%). Já Saúde e cuidados pessoais (0,41%) foi o grupo que mais influenciou o IPCA de outubro, puxado por produtos de higiene (0,57%) e planos de saúde (0,50%).

Alimentação estável e transportes em leve alta

O grupo Alimentação e Bebidas, de maior peso na inflação, ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,01%, o menor resultado para o mês desde 2017. A alimentação em casa recuou 0,16%.

Já a alimentação fora do lar avançou de 0,11% em setembro para 0,46% em outubro. No grupo Transportes (0,11%), a elevação foi puxada por passagens aéreas (4,48%) e combustíveis (0,32%).

Impacto para hotelaria e turismo

A desaceleração da inflação tende a beneficiar o setor de viagens, que historicamente sente os efeitos da alta de preços em passagens, combustíveis e alimentação. Com a estabilidade nos custos e maior previsibilidade econômica, consumidores tendem a retomar planos de lazer e viagens corporativas, especialmente em períodos de menor pressão inflacionária.

Por outro lado, o avanço das passagens aéreas (4,48%) e o aumento em pacotes turísticos (1,97%) ainda indicam um cenário de custos elevados para o turismo, o que pode impactar a demanda interna. A tendência, segundo analistas, é de equilíbrio gradual ao longo dos próximos meses, acompanhando a política monetária e o comportamento do consumo das famílias.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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