A hotelaria de São Paulo encerrou julho de 2026 com os maiores níveis de diária média e RevPAR já registrados para o mês. Segundo dados preliminares da CoStar, o desempenho foi impulsionado pela combinação entre aumento da demanda, avanço das tarifas e realização de eventos na capital paulista, com destaque para o AI Summit Brazil.
No período, a ocupação hoteleira chegou a 61,8%, avanço de 3,9% na comparação anual. A diária média alcançou R$ 706,65, crescimento de 5,5%, enquanto o RevPAR atingiu R$ 436,60, alta de 9,6% frente a julho de 2025.
Os números mostram que o desempenho do mercado paulistano não esteve apoiado apenas no aumento das tarifas. O crescimento simultâneo da ocupação e da diária média permitiu que o RevPAR avançasse em ritmo superior aos outros dois indicadores, refletindo uma combinação positiva entre maior volume de quartos vendidos e preços mais elevados.
O comportamento também evidencia o peso da agenda de eventos para a performance da hotelaria de São Paulo. Em determinados dias de julho, grandes encontros elevaram a ocupação para patamares superiores a 80% e ampliaram a capacidade dos hotéis de praticar tarifas acima da média mensal.
AI Summit leva ocupação de São Paulo a 83,9%
O AI Summit Brazil levou os três principais indicadores de desempenho hoteleiro de São Paulo aos seus picos durante o evento. A ocupação atingiu 83,9% na quinta-feira, 23 de julho, ficando 22,1 pontos percentuais acima da média de 61,8% registrada no mês.
Já a diária média e o RevPAR alcançaram seus maiores patamares na noite anterior. A diária média chegou a R$ 756,89, enquanto a receita por quarto disponível avançou para R$ 629,48.
Na comparação com a média mensal, o pico de diária média durante o evento ficou aproximadamente 7% acima dos R$ 706,65 registrados em julho. Já o RevPAR alcançado no período foi cerca de 44% superior aos R$ 436,60 do mês.
A diferença entre os movimentos dos indicadores mostra que a forte compressão de demanda teve papel relevante no avanço da receita por quarto disponível. Segundo a CoStar, as duas noites relacionadas aos picos do AI Summit Brazil foram as únicas de julho nas quais o RevPAR da hotelaria paulistana superou a marca de R$ 600.
Os números também colocam o pricing no centro da análise. Enquanto a ocupação chegou perto de 84%, a diária avançou em proporção menor frente à média mensal. O comportamento abre espaço para avaliar até que ponto os hotéis conseguiram transformar os períodos de maior demanda em ganhos adicionais de tarifa.
Eventos ampliam poder de precificação dos hotéis
Outro evento que contribuiu para o desempenho dos hotéis foi a conferência Biocontrol & Biostimulant LATAM, realizada entre 27 e 29 de julho.
No segundo dia do encontro, a diária média chegou a R$ 747,39. Na noite seguinte, a ocupação alcançou 80,2%, enquanto o RevPAR atingiu R$ 580,74, os maiores níveis desses dois indicadores durante o evento.
Novamente, os resultados ficaram significativamente acima das médias mensais. A ocupação durante o pico do encontro superou em 18,4 pontos percentuais o resultado de julho, enquanto o RevPAR ficou aproximadamente 33% acima da média do mês.
O comportamento observado nos dois eventos indica que a agenda corporativa e de grandes encontros continua exercendo influência relevante sobre a demanda hoteleira paulistana. Mais do que elevar a ocupação, períodos de maior compressão também criam condições para aumento das tarifas e, consequentemente, aceleração do RevPAR.
Nesse cenário, o crescimento de 9,6% do RevPAR, frente às altas de 5,5% da diária média e 3,9% da ocupação, é um dos principais pontos dos resultados de julho. A combinação dos dois componentes levou São Paulo a estabelecer novos recordes de diária média e receita por quarto disponível para o mês.
(*) Crédito da foto: Unsplash














