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Fortaleza perdeu mais de 2 mil leitos nos últimos anos, diz ABIH-CE

Nos últimos anos, Fortaleza viu sua oferta hoteleira diminuir significativamente. De acordo com levantamento da ABIH-CE (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Ceará), cerca de 2,4 mil leitos foram desativados, principalmente na região da orla, onde empreendimentos tradicionais deram lugar a superprédios residenciais de alto padrão, revela o Diário do Nordeste.

Hotéis icônicos da capital cearense, que há décadas figuravam entre os mais procurados pelos turistas, encerraram suas atividades. Alguns foram desativados e permaneceram sem uso por determinado período, enquanto outros foram vendidos para grupos do setor imobiliário. O caso mais recente foi o Seara Praia Hotel, que encerrou suas operações em 31 de janeiro, após mais de 40 anos de funcionamento na Avenida Beira-Mar. No local, será construído um edifício residencial de luxo.

A ABIH-CE aponta que seis hotéis foram desativados para dar espaço a empreendimentos imobiliários de alto padrão. Com a regulamentação da outorga onerosa, que permite construções com altura acima do limite previamente estabelecido, esses terrenos passaram a ser valorizados e atraíram investimentos para a construção de torres residenciais que superam 100 metros de altura, voltadas a um público seleto.

Hotéis desativados e seus novos usos

Hotel Esplanada: primeiro hotel cinco estrelas de Fortaleza, o Esplanada foi desativado em 2002 e passou por diferentes proprietários antes de ser adquirido pela Idibra Participações S.A., que decidiu pela demolição do prédio em 2015. Após anos de revisões no projeto, a construtora Diagonal iniciou, em 2023, a construção do Ivens Monumental, um dos edifícios mais altos da cidade, com 170 metros de altura.

Ponta Mar Hotel: localizado na Avenida Beira-Mar, um dos principais polos turísticos da cidade, o Ponta Mar Hotel fechou suas portas no início de 2022. No mesmo terreno, está sendo construído o Condomínio Ponta Mar, com unidades residenciais de alto padrão, cujos preços ultrapassam dezenas de milhões de reais.

Hotéis Samburá e Vela e Mar: situados lado a lado no bairro Mucuripe, em frente ao tradicional Mercado dos Peixes, os hotéis Samburá e Vela e Mar também foram vendidos e posteriormente demolidos. No lugar, será erguido o Diagonal by Pininfarina, projeto de 170 metros de altura, com previsão de conclusão para 2025, segundo dados do Sinduscon-CE (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará).

Blue Tree Hotel: único dos seis empreendimentos que não estava diretamente na Avenida Beira-Mar, mas em uma área próxima, o Blue Tree Hotel assumiu as operações do antigo Novotel, porém encerrou suas atividades após a pandemia. O prédio foi comprado pela Moura Dubeux, que vem adquirindo ativos na capital cearense e transformará a estrutura no Beach Class Iracema, um condomínio com apartamentos do tipo estúdio, voltados ao aluguel por temporada.

Seara Praia Hotel: o mais recente a fechar, o empreendimento operou por mais de quatro décadas na Avenida Beira-Mar, próximo ao Náutico Atlético Cearense. O anúncio de encerramento foi feito nas redes sociais, após negociações ao longo de 2024. No local, será construído um residencial de luxo.

Impactos no turismo e economia

De acordo com a Setur-CE (Secretaria de Turismo do Estado do Ceará), Fortaleza possuía 31 mil leitos hoteleiros até 2023. Para Susana Dantas, chefe do Departamento de Turismo, Hospitalidade e Lazer do IFCE (Instituto Federal do Ceará), o fechamento de hotéis tradicionais revela um processo de reconfiguração do setor hoteleiro da capital. Ela destaca que a substituição dessas estruturas por empreendimentos de alto padrão altera a dinâmica do turismo local.

“A demolição de hotéis para construção de imóveis de luxo evidencia um movimento de valorização imobiliária que prioriza novas formas de ocupação, muitas vezes voltadas para moradias e escritórios de alto padrão. Esse cenário pode reduzir a oferta de hospedagem tradicional, impactando o turismo, especialmente aquele que busca acomodações acessíveis”, diz.

A especialista também alerta que o avanço da verticalização e especulação imobiliária, especialmente na orla, pode comprometer a identidade turística da cidade. “O setor hoteleiro precisa se reinventar para continuar atraindo visitantes. Enquanto isso, o poder público e a sociedade devem debater estratégias para garantir um crescimento urbano sustentável, que concilie turismo e desenvolvimento econômico”, finaliza.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Ponta Mar Hotel

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