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Fórum Corporativo Abracorp discute cenário das viagens corporativas

A Abracorp (Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas) deu início à 12ª edição de seu Fórum Corporativo. Realizado no Pullman São Paulo Vila Olímpia, em São Paulo, o evento tem como tema Viagens corporativas em transformação: tecnologia, estratégia e valor de negócio e reúne líderes e tomadores de decisão para discutir os principais desafios e tendências do mercado de viagens de negócios.

A programação foi aberta por Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), que conduziu o painel Panorama das Viagens Corporativas no Brasil e no Mundo — como as transformações globais estão redefinindo a gestão das viagens corporativas.

Durante a apresentação, Dietze abordou as perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos e avaliou que o comportamento do PIB (Produto Interno Bruto) deve continuar desafiador. Segundo ele, assim como no cenário internacional, o Brasil não deve registrar grandes movimentos positivos de crescimento no curto prazo.

“Além disso, vivemos um cenário de inflação e juros elevados, o que reduz a atividade econômica e gera consequências para diversos setores, entre eles o turismo de negócios. Deveremos fechar este ano com a Selic em torno de 13,75%, e, nos próximos anos, ela ainda deve ficar acima de 10%”, reforçou Dietze.

Economia e impacto nas viagens corporativas

Para o mercado de viagens corporativas, um ambiente de juros elevados e menor atividade econômica tende a aumentar a pressão sobre os orçamentos das empresas. A gestão das viagens de negócios passa, portanto, a exigir maior controle de custos, planejamento e análise do retorno gerado pelos deslocamentos.

Na sequência, Dietze fez considerações sobre a geração de emprego e renda no Brasil, destacando a atual taxa de desemprego, de 5,4%.

O executivo também apontou a alta carga tributária como um dos fatores que comprometem a renda disponível dos brasileiros. De acordo com ele, a combinação desses elementos contribui para o aumento da contratação de crédito e do endividamento das famílias.

“De janeiro a abril deste ano, o montante de dívidas das famílias brasileiras chegou a R$ 250 bilhões, alta de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado”, afirmou.

Guilherme Dietze
Dietze abordou as perspectivas para a economia

Empresas também sentem os efeitos

Dietze acrescentou que os efeitos desse ambiente econômico também alcançam as empresas. Atualmente, segundo os dados apresentados durante o Fórum Corporativo Abracorp, há R$ 86,1 bilhões em crédito em atraso envolvendo pessoas jurídicas.

Para as viagens corporativas, a evolução desses indicadores ajuda a explicar a necessidade de as empresas avaliarem com mais rigor os gastos relacionados a passagens aéreas, hospedagem, transporte e demais serviços utilizados pelos viajantes a negócios.

Ao abordar especificamente o comportamento das viagens corporativas, Dietze destacou um crescimento de 5% no trimestre encerrado em junho. Na avaliação do executivo, a expectativa é de que o mercado mantenha esse ritmo e encerre o ano com expansão próxima desse percentual.

“Isso significa que as empresas continuam gastando em viagens, só que em um ritmo mais lento se compararmos com os anos anteriores”, disse.

Custos pressionam gestão das viagens

Entre os fatores que pressionam o segmento está a alta do querosene de aviação, que impacta os custos das companhias aéreas e pode contribuir para o aumento das tarifas. Com passagens mais caras, as empresas precisam revisar políticas de viagens, critérios de aprovação e estratégias de compra para preservar os orçamentos destinados aos deslocamentos corporativos.

O cenário também reforça a importância de utilizar dados e tecnologia na gestão das viagens de negócios. Ferramentas de controle, análise de despesas e acompanhamento de indicadores podem ajudar as empresas a identificar oportunidades de economia sem comprometer as necessidades dos viajantes ou os objetivos dos deslocamentos.

“Por isso, é tão importante buscar produtividade baseada em estratégia para entender e atender às demandas. A reflexão é: olhar para dentro para garantir mais competitividade e resultado”, finalizou Dietze.

(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News

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