InícioNEGÓCIOSMercadoFragmentação de conteúdo complica viagens corporativas
Evento FOHB
Best Western - OTAs
Slaviero hospitalidade

Fragmentação de conteúdo complica viagens corporativas

A crescente complexidade na distribuição de tarifas aéreas está afetando diretamente o setor de viagens corporativas. Cada vez mais, executivos relatam frustração ao utilizar ferramentas de reserva de suas empresas, diante de tarifas ausentes, divergência de preços e opções limitadas quando comparadas aos sites oficiais das companhias aéreas, aponta o Skift.

O problema, segundo especialistas do setor, é a chamada fragmentação de conteúdo. As companhias aéreas passaram a distribuir suas tarifas em múltiplos sistemas, o que obriga agências e empresas de gestão de viagens a integrar manualmente essas informações — processo que tem se transformado em um dos maiores desafios do mercado.

Um levantamento recente da Sabre, que ouviu 499 agências de viagens, mostrou que quase 90% delas já utilizam quatro ou mais sistemas de reserva. Além disso, 80% reconhecem que essa fragmentação eleva custos e reduz a eficiência operacional. O estudo evidencia um problema que se arrasta há anos: o modelo tradicional de GDS (Global Distribution System) foi criado em um cenário em que as companhias aéreas concentravam sua oferta em um único canal.

Com a entrada de novas tecnologias no setor de viagens corporativas, como o NDC (New Distribution Capability), e a estratégia das companhias de estimular a venda direta, a fragmentação se intensificou. Isso tem aberto espaço para a discussão sobre a necessidade de marketplaces unificados e soluções baseadas em inteligência artificial, capazes de consolidar o conteúdo de forma mais eficiente.

Reflexos no mercado brasileiro

No Brasil, o impacto desse cenário também começa a ser sentido por gestores de viagens corporativas e agências. Com a crescente pressão das empresas para reduzir custos e oferecer mais autonomia aos viajantes, a falta de integração entre sistemas pode comprometer tanto a experiência do usuário, quanto o controle orçamentário das companhias.

Além disso, o avanço das vendas diretas pelas companhias aéreas no mercado nacional segue a mesma tendência global, exigindo que as TMCs locais se adaptem mais rapidamente às mudanças tecnológicas. Enquanto as agências tradicionais ainda dependem fortemente dos GDS, novos players investem em soluções digitais mais flexíveis, oferecendo integração aprimorada e maior acesso às tarifas disponíveis.

Esse movimento reforça a urgência de uma atualização estrutural no setor de viagens corporativas, sob risco de ampliar a insatisfação de viajantes e gestores diante de um cenário cada vez mais complexo.

(*) Crédito da foto: Divulgação

Realgems amenities