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Google gera discussão sobre atuação como OTA

A crescente inserção do Google no universo das viagens, por meio de ferramentas baseadas em IA (inteligência artificial) e buscas cada vez mais imersivas, provoca preocupação no setor. A dúvida que paira é se a gigante da tecnologia pode, em algum momento, deixar de ser uma vitrine e assumir um papel mais ativo, tornando-se uma OTA. As informações são da Hotel News Resource.

O avanço do Google na cadeia do turismo não é recente. A empresa, que já oferece recursos para busca de voos e hospedagens há alguns anos, conta agora com suporte de sua IA, Gemini, para montar itinerários completos e permitir reservas diretas via Google Pay. A experiência simplificada e familiar da marca segue sendo um diferencial relevante para o público final.

Apesar do potencial, a movimentação encontra barreiras comerciais, legais e técnicas. A primeira delas está relacionada à própria fonte de receita. O setor de turismo é um dos maiores anunciantes da plataforma, com companhias como Booking Holdings, Expedia Group, e Airbnb investem bilhões de dólares por ano em publicidade no buscador. Por isso, caso o Google passasse a divulgar e vender diretamente passagens, hospedagens ou pacotes, estaria competindo com seus principais clientes. O conflito de interesse seria inevitável.

Exigências e obstáculos

Do ponto de vista regulatório, o panorama é delicado. Na Europa, legislações como o Regulamento de Viagens Combinadas impõem obrigações rígidas a quem comercializa pacotes turísticos. Ao assumir esse papel, o Google poderia ser responsabilizado por reembolsos, garantias financeiras e gestão de reclamações — algo que exige estrutura, operação e exposição jurídica.

Outro ponto sensível diz respeito à concorrência. Se as ferramentas baseadas em IA priorizarem produtos do próprio Google em detrimento de parceiros ou terceiros, o modelo pode enfrentar restrições por abuso de posição dominante. Vale lembrar que a gigante já é investigada em alguns mercados, como o Reino Unido.

Além disso, aspectos técnicos e de confiabilidade entram na equação, já que companhias aéreas como a Ryanair, por exemplo, não autorizam o uso de seus dados por terceiros. Sem acesso direto a essas informações, o Google corre o risco de oferecer recomendações incompletas ou imprecisas.

Por fim, o fator humano ainda pesa na decisão de compra. O planejamento de uma viagem envolve valores altos, questões emocionais e complexidade logística. Nesses casos, a atuação de agentes especializados, com orientação personalizada e suporte direto, continua sendo um diferencial valorizado pelo viajante.

Hotelaria

O cenário do Google Hotels não é tão otimista em relação a sua ocupação de mercado. Apesar dos avanços em ferramentas, a companhia conta com menos espaço como canal de reservas. Informações do Skift indicam que as OTAs citadas acima seguem mais fortes no setor hoteleiro.

(*) Crédito da foto: Unsplash

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