A boa fase da hotelaria no Rio de Janeiro tem sido um dos principais vetores da estratégia da Brookfield Properties na cidade. Com taxas de ocupação elevadas e avanço consistente das diárias nos empreendimentos cariocas, a companhia canadense vê no desempenho do setor uma oportunidade para ampliar sua atuação tanto em hotéis tradicionais quanto em empreendimentos residenciais voltados exclusivamente para locação, no modelo conhecido como multifamily, aponta o Valor Econômico.
Dados do FOHB (Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil) mostram que a ocupação média dos hotéis do Rio atingiu 70,6% em 2025, alta de 6,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior. No mesmo período, a diária média avançou 16,7%. Esse cenário tem ampliado o interesse de investidores por modelos híbridos, capazes de atender tanto estadas de curta duração, mais próximas à lógica da hotelaria, quanto contratos de médio e longo prazos.
Segundo Hilton Rejman, presidente executivo da Brookfield Properties, o desempenho do setor sustenta a estratégia da companhia no Rio. “Tem de ser um hotel grande, importante para começar a crescer o portfólio. Vamos aprendendo e ganhando experiência no mercado”, afirmou o executivo ao comentar os planos de expansão no segmento de hotelaria tradicional no país, com foco no Rio de Janeiro e em São Paulo.
No multifamily, a Brookfield já opera dois empreendimentos na capital fluminense, ambos localizados no centro da cidade e resultantes de projetos de retrofit, com conversão de uso de edifícios antigos. O Cena Carioca, antigo edifício Glória — que já abrigou cinema e escritórios — fica na Cinelândia e teve suas 119 unidades residenciais disponibilizadas para locação em dezembro. Outro projeto em andamento é o edifício A Noite, que sediou o jornal A Noite e, posteriormente, a Rádio Nacional. A reforma tem conclusão prevista para 2027 e resultará em 434 unidades residenciais.
De acordo com Rejman, a empresa também avalia oportunidades na zona sul do Rio, mas sem mudança de uso. “Não para construção de imóveis novos, mas voltados para o residencial”, explicou.
Estratégia na hotelaria
No ano passado, Rejman já havia sinalizado o interesse da Brookfield por hotéis de grande porte, tanto no Rio de Janeiro quanto na capital paulista. Segundo ele, o tamanho da companhia exige investimentos de maior escala, o que torna as grandes oportunidades a principal prioridade no setor.
“Olhamos hotéis grandes, principalmente voltados para negócios. Eventualmente, podemos até fazer um investimento, mas é preciso ter alta demanda e ocupação”, disse.
Outras iniciativas
Além das frentes em hotelaria e residencial para locação, a Brookfield segue ampliando seu portfólio de escritórios no Rio. No fim de janeiro, a companhia adquiriu 78% do edifício corporativo Aqua Corporate, reforçando a aposta no mercado imobiliário carioca, mesmo após anos de desempenho mais estável em ocupação e preços.
Com a operação, o portfólio da empresa na cidade cresceu 30%, alcançando 300 mil metros quadrados (m²). A taxa de vacância passou de 11% para 15%, ainda considerada baixa pela companhia. O valor da transação teria sido de R$ 385 milhões, segundo a coluna Capital, d’O Globo, cifra não confirmada pela Brookfield.
A maior parte da vacância da empresa no Rio está concentrada no Ventura Towers, complexo localizado no centro da cidade, com cerca de 20 mil m² vagos. Outros quatro edifícios da companhia no município estão totalmente ocupados.
Apesar do movimento da Brookfield, o mercado de escritórios do Rio segue desafiador. De acordo com a JLL, a taxa média de vacância encerrou 2025 em 26,5%, 4,5 pontos percentuais acima do registrado em 2024. O aluguel médio pedido foi de R$ 77,10 por metro quadrado, alta anual de 6,4%. Em São Paulo, a vacância ficou em 14,7%, com preço médio de R$ 117 por metro quadrado.
Para 2026, a Brookfield pretende manter a estratégia de revisão de contratos em escritórios e galpões logísticos. Em 2025, foram revisados aluguéis de 110 mil metros quadrados de escritórios — cerca de 13% do portfólio da empresa no país — com reajustes positivos.
(*) Crédito da foto: Divulgação














