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Hotelaria paulistana bate recorde histórico em setembro

Uma combinação de grandes eventos fez com que a hotelaria de São Paulo registrasse, em setembro de 2025, os maiores índices da série histórica em diária média e RevPar, segundo dados preliminares divulgados pelo CoStar, provedora global de informações e análises sobre o mercado imobiliário.

De acordo com o levantamento, o setor apresentou em setembro uma ocupação média de 69,9%, alta de 1,9% em relação ao mesmo mês de 2024. A diária média, por sua vez, atingiu R$ 831,02, crescimento de 15,6%, enquanto o RevPar chegou a R$ 580,97, marcando avanço de 17,9% no comparativo anual.

O desempenho também consolidou o maior nível de ocupação para o mês de setembro desde 2010. Entre os fatores que impulsionaram o resultado, estão eventos esportivos, feiras e shows de grande porte realizados na cidade. No dia 5 de setembro, o jogo da NFL entre Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers elevou a diária média a R$ 964,24, o maior valor do mês e o mais alto desde março. Na mesma data, a ocupação atingiu 77,7% e o RevPar, R$ 748,78.

O maior índice de ocupação do período foi registrado em 24 de setembro (87,5%), durante o São Paulo Beer Festival. Já o RevPar mais alto do mês (R$ 758,97) ocorreu na segunda noite da feira FIEE 2025, em 10 de setembro. Encerrando o mês, o show de Kendrick Lamar também movimentou a hotelaria paulistana: no dia 30, a ocupação chegou a 77,9%, com diária média de R$ 824,33 e RevPar de R$ 641,89.

O CoStar, que monitora o desempenho de mais de 90 mil propriedades e 11,8 milhões de quartos em todo o mundo, destacou que o conjunto de eventos reforça a posição de São Paulo como um dos mercados hoteleiros mais dinâmicos da América Latina. O resultado de setembro mantém a trajetória de alta da hotelaria na capital paulista, visto que em agosto a cidade, assim como outras regiões de negócios e eventos, conseguiu se destacar, mesmo com a queda de 4,5% na diária média e de 3,73% no RevPar no âmbito estadual, frente ao mês anterior, segundo dados da ABIH-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em São Paulo).

O levantamento entidade destaca que hotéis corporativos e urbanos seguraram melhor o resultado em períodos mais fracos. Os dados do CoStar reforçam isso: mesmo com ocupação média inferior a 70%, foi possível bater recordes de receitas em setembro, indicando que preços e mix de demanda de alto valor (por eventos e turismo) foram determinantes.

Análise

Os resultados divulgados pelo CoStar confirmam uma fase de retomada sólida e consistente da hotelaria paulistana, impulsionada sobretudo pela diversificação de eventos que atraem diferentes perfis de público — do turismo de negócios ao de lazer. O fato de o setor alcançar recordes históricos de diária média e RevPar, mesmo com uma taxa de ocupação abaixo dos 70%, revela uma estratégia de precificação mais madura, apoiada em uma demanda menos dependente de volume e mais pautada por valor agregado.

Outro ponto relevante é o papel dos grandes eventos internacionais como motores do desempenho. Jogos da NFL, shows de artistas globais e feiras reforçam São Paulo como epicentro de turismo de eventos e entretenimento na América do Sul, um segmento que continua sustentando a recuperação hoteleira pós-pandemia.

A tendência, se mantida, pode indicar uma reconfiguração do calendário turístico paulistano, com picos de ocupação cada vez mais distribuídos ao longo do ano e um fortalecimento da competitividade tarifária da cidade frente a destinos internacionais. Em síntese, os números refletem não apenas um bom momento conjuntural, mas também a consolidação de um novo patamar de desempenho e gestão na hotelaria de São Paulo.

Fazendo uma breve comparação com o mês anterior, embora o setor turístico em São Paulo tenha apresentado leve desaceleração em agosto (-1,3% em relação a julho), ainda mostra resultados positivos frente ao ano anterior (alta de 1,8% frente a agosto de 2024). Mesmo com um ritmo menos acelerado, os principais indicadores — como ocupação, diária média e receita por quarto — continuam acima dos níveis do ano passado, o que sugere que o mercado ainda sustentou certa resiliência durante agosto.

O que esse cenário nos mostra, quando comparado com os dados mais expressivos divulgados pela CoStar para setembro, é o quanto a hotelaria paulistana oscila sob influência direta da demanda por eventos e atrações de grande porte. Em agosto, a leve estagnação demonstra que, sem “momentos de pico”, como shows, feiras e eventos esportivos, o desempenho tende a se acomodar ou até frear.

Já em setembro, impulsionado por esses acontecimentos, o setor rompeu recordes, tanto em diária média, quanto em RevPar, mesmo com ocupação que, embora elevada para o mês, ficou abaixo de um patamar de saturação.

Em suma, o turismo em São Paulo parece caminhar por uma linha tênue: depende de estímulos externos para conquistar saltos de desempenho, e sofre para manter esse fôlego em meses mais “normais”. O grande desafio e oportunidade para os hoteleiros será encontrar estratégias que mitiguem essa oscilação, equilibrando tarifário e oferta para que o crescimento não dependa apenas do calendário de eventos.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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