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IA aumenta risco de golpes digitais na hotelaria global

O avanço da IA (Inteligência Artificial) está transformando a forma como golpes virtuais são aplicados — e o setor hoteleiro, altamente dependente de trocas digitais com hóspedes e parceiros, surge entre os mais vulneráveis. Uma pesquisa global realizada pela Talker Research, a pedido da Yubico, mostrou que apenas 46% dos entrevistados conseguiram identificar corretamente um e-mail de phishing gerado por IA, enquanto 54% acreditaram que as mensagens eram legítimas ou ficaram em dúvida, aponta o Hotel News Resource.

O dado acende um alerta para hotéis, redes e operadoras turísticas, que lidam diariamente com dados sensíveis de clientes, reservas e pagamentos. O estudo, que ouviu 18 mil trabalhadores em diferentes países, revelou que a dificuldade em reconhecer tentativas de fraude é praticamente igual entre gerações. A taxa de acerto foi de 45% entre a Geração Z, 47% entre millennials e 46% entre a Geração X e os baby boomers.

Ainda assim, os mais jovens se mostraram mais propensos a interagir com mensagens fraudulentas: 62% da Geração Z admitiram já ter clicado ou respondido a mensagens suspeitas, contra 51% dos millennials, 33% da Geração X e 23% dos baby boomers.

Confiança excessiva favorece golpes

Os principais motivos citados por quem caiu em fraudes digitais foram a aparência de legitimidade das mensagens (34%) e a falta de tempo para analisar o conteúdo (25%). As consequências incluem o vazamento de informações pessoais e corporativas, como endereços de e-mail, nomes completos e números de telefone — dados que, no contexto hoteleiro, podem abrir brechas para invasões em sistemas de reservas e programas de fidelidade.

Recentemente, a reportagem do Hotelier News conversou com especialistas em tecnologia para entender o cenário dos investimentos em cibersegurança na hotelaria. Segundo Jorge Della Via, diretor de Tecnologia da Mabu, tudo começa no fato dos dados concentrados em sistemas de reservas e check-in serem valiosos. Por isso, são alvos frequentes dos hackers.

De acordo com o executivo, os riscos incluem o roubo de informações pessoais e financeiras, ataques de engenharia social, sequestro de sistemas, exploração de redes wi-fi e falhas em dispositivos conectados. Por isso, hoje esse investimento não é mais encarado como um simples custo, mas sim uma ação reativa às frequentes investidas de cibercriminosos contra empresas do setor hoteleiro.

Voltando aos dados da pesquisa, o levantamento também revelou falhas na preparação das empresas: 40% dos profissionais nunca receberam treinamento em cibersegurança, e 30% não utilizam autenticação multifator em suas contas pessoais. Além disso, 49% das companhias aplicam métodos de autenticação inconsistentes entre sistemas, o que aumenta a vulnerabilidade.

Outro ponto crítico é o uso de dispositivos pessoais para fins corporativos. Metade dos participantes reconheceu acessar contas de trabalho em aparelhos próprios, e 40% admitiram utilizar equipamentos da empresa para acessar e-mails pessoais. Esse comportamento é ainda mais comum entre os mais jovens — apenas 30% da Geração Z usa exclusivamente dispositivos corporativos, contra 66% dos baby boomers.

Alerta para a hotelaria

Na hotelaria, onde operações de reservas, pagamentos e comunicações com hóspedes ocorrem quase inteiramente no ambiente digital, um simples e-mail de phishing pode comprometer sistemas, expor dados de clientes e gerar danos reputacionais severos. Treinar equipes de recepção, vendas, marketing e TI para reconhecer mensagens falsas tornou-se tão essencial quanto investir em plataformas de gestão e distribuição.

Para Ronnie Manning, diretor de Marca da Yubico, a prevenção passa pela adoção de medidas tecnológicas robustas. Ele ressalta a importância do uso de autenticação multifator e chaves de acesso vinculadas a dispositivos para proteger tanto dados pessoais, quanto corporativos. “Práticas fracas de cibersegurança podem levar a violações graves de dados, especialmente diante da integração cada vez maior entre dispositivos pessoais e profissionais”, afirma.

O estudo reforça a urgência de fortalecer a cultura de cibersegurança em todas as áreas de negócios — e a hotelaria, por lidar com um alto volume de dados sensíveis, precisa estar à frente nesse processo. À medida que golpes criados por IA se tornam mais sofisticados, proteger hóspedes, colaboradores e operações passa a ser parte essencial da experiência e da confiança no setor.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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