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ICF recua 0,3% em setembro e chega a 104,5 pontos

A ICF (Intenção de Consumo das Famílias) recuou 0,3% em setembro de 2026, para 104,5 pontos, segundo levantamento divulgado hoje (23) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O resultado representa o menor nível do indicador desde março, quando marcou 104,4 pontos. Apesar da queda mensal, o índice acumula alta de 2,9% em relação a setembro de 2025.

A retração foi influenciada principalmente pela Perspectiva Profissional e pelo Nível de Consumo Atual, ambos com queda de 0,7%. Os dados também mostram percepções distintas sobre o mercado de trabalho. Enquanto o indicador de Emprego Atual avançou 0,1% no mês e 2% em 12 meses, a Perspectiva Profissional registrou a quinta queda mensal consecutiva, de 0,7%, e acumula retração de 8,6% na comparação anual.

Segundo a pesquisa, 48% das famílias têm percepção positiva sobre as condições de emprego nos próximos meses, o menor percentual registrado desde setembro de 2022. Para José Roberto Tadros, presidente da CNC, a incerteza sobre o mercado de trabalho continua influenciando a disposição das famílias para consumir.

“Embora o recuo da inflação tenha favorecido a intenção de compra de bens duráveis no comparativo anual, os dados de setembro mostram que a preocupação com o futuro do mercado de trabalho fala mais alto no curto prazo, mantendo as famílias cautelosas para o consumo imediato”, afirma Tadros, observando que é preciso buscar soluções para a manutenção dos bons índices de emprego que vêm desde 2025. “A renda do trabalhador já está comprometida com o crédito e precisa ser protegida junto com o emprego”, avalia.

Bens duráveis sustentam resultado anual

Entre os componentes da ICF, o Momento para Compra de Duráveis apresentou a maior contribuição positiva na comparação com setembro de 2025, com crescimento de 17,2%. O desempenho ocorre em meio à menor pressão dos preços sobre esses produtos. Em 12 meses, a inflação dos bens duráveis ficou em 0,98%, abaixo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), de 4,22%. Em agosto, o segmento também registrou a segunda deflação mensal consecutiva, de 0,02%.

Na comparação com agosto, porém, o Momento para Compra de Duráveis recuou 0,5%. O resultado indica que, apesar da melhora observada em 12 meses, as condições econômicas ainda restringem a disposição das famílias para realizar compras no curto prazo. O movimento contribuiu para a queda do Nível de Consumo Atual, que chegou a 91,5 pontos, o menor resultado desde o início de 2026.

Renda influencia percepção sobre consumo

A redução da intenção de consumo ocorreu em todas as faixas de renda pesquisadas pela CNC. Entre as famílias com rendimento superior a 10 salários mínimos, a queda foi de 0,8%. Nesse grupo, a percepção sobre o mercado de trabalho foi um dos principais fatores de pressão, com recuos de 1,9% na Perspectiva Profissional e de 1,4% no Emprego Atual.

Entre os consumidores com renda de até 10 salários mínimos, a retração da ICF foi menor, de 0,2%. O resultado foi amenizado pelo avanço de 0,4% na percepção sobre o Emprego Atual e de 0,1% na Perspectiva de Consumo.

A avaliação sobre a renda, por outro lado, apresentou queda nos dois grupos. O indicador de Renda Atual recuou 0,7% entre as famílias de menor renda, após três meses consecutivos de alta. Entre aquelas com rendimento superior a 10 salários mínimos, a retração também foi de 0,7%, mantendo a trajetória de queda.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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