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Indústria a serviço da hospitalidade: o papel da gastronomia na formação de talentos

“O propósito central é capacitar jovens talentos e influenciar essa geração na gastronomia, seja como chefs ou empreendedores.”Lucianne Fraga, chef da Nestlé Professional e gestora do programa YOCUTA Brasil.

Em um setor onde a experiência é construída em detalhes — da recepção ao café da manhã, do acolhimento no check-in à excelência de um prato servido à mesa — a hospitalidade depende, cada vez mais, de pessoas preparadas, engajadas e apaixonadas pelo que fazem. E é nesse contexto que a indústria alimentícia tem um papel cada vez mais relevante: ser parceira ativa na formação de mão de obra qualificada. Um exemplo potente dessa contribuição vem da Nestlé Professional, por meio do programa YOCUTA – Young Culinary Talents.

Presente em vários países e em sua 12ª edição no Brasil, o YOCUTA oferece capacitação gratuita para jovens de 18 a 29 anos — em especial estudantes da rede pública e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Mais de 10 mil jovens já foram impactados desde o início do programa no país, que combina conteúdo técnico, formação humana e conexões reais com o mercado de trabalho.

Sob a liderança da chef Lucianne Fraga, o programa se organiza em duas etapas: uma trilha online com 10 semanas de duração e uma fase presencial, onde os jovens selecionados vivenciam oficinas intensas em cozinhas profissionais, imersões em hospitalidade, gestão, sustentabilidade e prática colaborativa.

O ápice da formação é a grande final, realizada este ano, na edição em São Paulo, na Escola Laurent Suaudeau, com um júri composto por profissionais, parceiros e especialistas — tive a honra de estar entre eles. Ali, os jovens apresentaram um prato e uma sobremesa, orientados de perto pelo próprio Chef Laurent Suaudeau, referência absoluta em técnica, disciplina e formação profissional no Brasil.

“A técnica, sozinha, não forma um profissional completo. O que buscamos no YOCUTA é despertar o senso de disciplina, ética e pertencimento. Quando esses jovens entram na cozinha, precisam entender que o ofício exige excelência, sim, mas também respeito pelo outro e pelo processo. Isso é hospitalidade.”Laurent Suaudeau, chef mentor dos finalistas.

A atuação dos x-alunos comprova o impacto concreto na construção de carreiras no setor de hospitalidade e gastronomia. Felipe Cunha, participante da edição de 2016, é um dos exemplos mais emblemáticos: hoje é Chef Pâtissier do Fasano Itaim, após ter passado pela cozinha do Palácio Tangará. Em um ciclo inspirador, Felipe contratou para sua equipe Leticia Fidelis, finalista da edição 2025 do YOCUTA em São Paulo.

Outro caso marcante é o da Manoela Bassit, que participou da edição de 2024 e, em apenas um ano, retornou ao programa como convidada especial, já consolidada como empreendedora de sucesso no segmento de doces finos. Além disso, dois finalistas da edição de 2024 foram imediatamente contratados pela própria Escola Laurent Suaudeau, um gesto que reforça o compromisso de continuidade e reconhecimento dos talentos revelados pelo programa.

Foto Yocuta - Final7

Esses exemplos revelam como o programa já se integra de forma efetiva ao setor da hospitalidade, mesmo antes de uma estrutura formalizada de parcerias institucionais. Para a analista administrativa da Nestlé Professional, Carolina Araújo Martins, o programa é mais do que formação: “Nossa meta é conectar talentos e oportunidades, e isso inclui o setor de hospitalidade. O YOCUTA é uma ponte real para o mercado.”

Durante o programa, os currículos dos participantes são disponibilizados para clientes e parceiros estratégicos da Nestlé Professional, com autorização dos jovens para compartilhamento em processos seletivos. A exposição prática com profissionais do mercado, aliada à mentoria de chefs renomados, fortalece essa rede de empregabilidade.

O YOCUTA também se destaca por sua metodologia abrangente: os jovens não aprendem apenas técnicas de cozinha, mas passam por módulos que envolvem gestão, sustentabilidade, trabalho em equipe e hospitalidade como valor. Por isso, o programa brasileiro é hoje referência para outras operações da Nestlé Professional no mundo.

E se a hospitalidade é feita de pessoas, investir na formação dessas pessoas precisa ser prioridade coletiva. Com a crescente demanda por profissionais de cozinha, confeitaria e serviço de alimentos e bebidas, iniciativas como o YOCUTA são fundamentais para elevar o padrão do setor, fortalecer a experiência do cliente e apoiar o crescimento sustentável do mercado.

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Reila Criscia é jornalista, especialista em gastronomia e hospitalidade, curadora de experiências e colunista da Hotelier News. Diretora da Anagrama e membro do Comitê de Jovens Empreendedores da FIESP.

(*) Crédito das fotos: Divulgação

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