O desempenho dos setores agropecuário e de serviços no início deste ano veio acima das expectativas dos analistas de mercado e levou à revisão (para cima) da projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Na última sexta-feira (5), foi a vez de Itaú e XP investimentos aumentarem as estimativas para a expansão da atividade econômica, passando a prever alta de 1,4%, ante 1,1% e 1%, respectivamente, aponta a Folha de São Paulo.
Com isso, as instituições reforçam a onda otimista que teve início na semana passada, quando Bradesco, Santander e ABC Brasil já haviam revisado suas projeções para o PIB. No último boletim Focus, a mediana das projeções dos economistas consultados pelo BC (Banco Central) indica expansão de 1% da economia. Um mês atrás, a expectativa era de crescimento de 0,90% e, no começo do ano, de 0,78%.
Segundo o Itaú, os bons resultados de curto prazo da economia brasileira contribuíram para a melhora das expectativas do PIB de 2023. No final de abril, o BC divulgou que o IBC-BR (Índice de Atividade Econômica) registrou crescimento de 3,32% em fevereiro frente ao mês anterior. O indicador, que representa uma espécie de prévia do PIB, teve a maior alta desde junho de 2020 (4,86%) e motivou a Mirae Asset Wealth Management a também revisar de 1% para 1,4% a expectativa para o PIB desse ano.
Previsões
Segundo os economistas do Itaú, os dados recentes de atividade corroboram a expectativa de forte alta do PIB no primeiro trimestre. O banco prevê crescimento de 1,2% na economia no primeiro quarto do ano, na comparação trimestral, com destaque para o setor agropecuário.
Já a XP acredita que a expansão na atividade econômica será de 1,1% no primeiro trimestre, projeção que estava em 0,8% há um mês. Os analistas da plataforma de investimentos assinalam que as exportações brasileiras devem exibir expansão acentuada, com a demanda externa sólida e os preços internacionais das commodities em níveis elevados.
Os especialistas da empresa destacam ainda que o setor de serviços cresceu acima do esperado nos três primeiros meses do ano, enquanto o mercado de trabalho tem mostrado resiliência, com expressiva geração líquida de empregos formais de cerca de 430 mil novos postos entre janeiro e março, já descontadas as influências sazonais. O mercado de trabalho aquecido, por sua vez, deve impulsionar o consumo, diz a XP, que projeta alta significativa, de 4,2%, em termos reais da renda disponível das famílias em 2023.
O Itaú acrescenta que a diminuição do risco de uma deterioração mais forte do mercado de crédito também ajudou na leitura de um desempenho melhor da economia ao longo do ano. Os economistas do banco dizem, ainda, que o arcabouço fiscal e as medidas complementares de recomposição das receitas reduzem riscos extremos.
(*) Crédito da capa: joaogbjunior/Pixabay














