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Janyck Daudet, do Club Med: ‘Não dá para errar quando falamos de famílias’

Por Vinicius Medeiros 7 de julho de 2020

Club Med - plano de retomada_Janyck DaudetDaudet: Club Med não buscará atrair cliente pelo preço durante a retomada

A frase do título justifica a aparente morosidade do Club Med em reabrir suas unidades no país. Segundo Janyck Daudet, CEO da rede francesa para a América Latina, não há pressa diante do elevado número de casos no Brasil. “Para reabrir, é segurança dos hóspedes e dos colaboradores em primeiro lugar. Não vamos tomar risco, não há ansiedade. A segurança vem à frente da receita”, reafirma o executivo, em entrevista exclusiva ao Hotelier News.

Segundo Daudet, 20 dos 70 villages Club Med ao redor do mundo estão em funcionamento. “Mercado chinês foi o primeiro a retomar, há dois meses. Guilin, por exemplo, está com 65% de ocupação. Gradualmente, reabriremos na Europa e no restante da Ásia”, explica. “No Brasil, nossa expectativa é de retornar às atividades no final de agosto. Não adianta abrir muito cedo, aumentar o risco e ter baixa ocupação. A cada semana reavaliamos essa decisão”, completa o executivo, que conversa diariamente com CEOs da empresa de outras partes do mundo.

Para dar fôlego ao caixa em meio à baixa demanda, o Club Med levantou no mercado € 260 milhões. Desse total, € 80 milhões vieram do Fosun Tourism Group, que detém parte do capital da rede de resorts. O restante foi obtido por meio de financiamentos com um pool de bancos franceses e aval do governo de Emmanuel Macron. “Vínhamos de anos muito bons até a o impacto do coronavírus. Além disso, em janeiro e fevereiro tivemos resultados excepcionais, o que nos deixou em boa posição financeira para lidar com a pandemia”, explica Daudet.

Por isso, ele destaca que o Club Med não vai entrar em guerra de preço. Pelo contrário, com a possível baixa demanda, é o RevPar que vai direcionar os esforços comerciais da rede francesa, em vez de ocupação. “Vamos reabrir com capacidade reduzida, mas é claro que a margem operacional não será a mesma, até em função dos novos protocolos de higiene. Vamos assumir esse custo mais alto sem repassar aos clientes. Não pretendemos atrair a clientela pelo preço”, afirma Daudet, que complementou com a frase título da matéria: “Não dá para errar quando falamos de famílias.”

Club Med e os novos protocolos

No mundo, 90% dos clientes são famílias, contra 10% do segmento Mice. No Brasil, de acordo com Daudet, a fatia de eventos sobe para 30%. “O village de Lake Paradise (SP), por exemplo, tem forte demanda do segmento Mice”, diz o executivo, destacando que vai apostar em eventos híbridos na retomada. Há duas semanas, por exemplo, a rede francesa convidou clientes para mostrar sua infraestrutura para esse tipo de encontro, além de apresentar os novos protocolos de higienização.

Club Med - plano de retomada_Rabeea AnsariRabeea: plano de comunicação focou em mensagens de segurança e empatia

"O Mice vai ser atingido no início. Então, isso é um paliativo até a volta plena do mercado. Eles conheceram de perto as mudanças que fizemos na área de A&B (Alimentos & Bebidas), com ampliação do horário de funcionamento do restaurante, maior distanciamento social e buffet reinventado. Agora, trabalhamos com um sistema de empratados, no qual o cliente já pega seu prato pronto, com toda segurança”, revela.

Todas essas medidas estão inclusas no programa Safe Together. Certificado por Cristal Standards International e a Ecolab, os novos protocolos já estão sendo implementados em toda rede. “Essa é uma vantagem de ser uma empresa global. Aprendemos bastante com o que está ocorrendo em outros países. Fizemos mudanças também na área de entretenimento: eventos reduzidos para ter distanciamento social e mais segurança. Tudo foi feito para que o hóspede possa usufruir do Club Med, até porque não vendo hospital”, diz Daudet.

Também presente à entrevista com o Hotelier News, Rabeea Ansari, vice-presidente de Marketing & Digital do Club Med para América do Sul, destacou outro ponto relevante para a preparação da retomada dos negócios: o plano de comunicação. Segundo a executiva, a rede tomou a decisão de não priorizar ações de apelo comercial. “Gastamos nossos recursos de marketing para destacar mensagens de segurança e empatia”, explica Rabeea.

“Um bom exemplo é o projeto Club Med em Casa, campanha digital global, disponível por meio das redes sociais e do nosso site. Nele, oferecemos atividades físicas e infantis, receitas e outras opções de lazer para serem realizadas e curtidas dentro de casa”, explica. “Em paralelo, reforçamos também a comunicação com nossa base de dados, transmitindo essas mensagens de segurança e empatia”, finaliza.

(*) Crédito da capa: Divulgação/Club Med 

(**) Crédito das fotos: Juliana Coutinho/Club Med