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Marriott ganha escala, eleva lucro e mira um 2026 mais forte

O crescimento da Marriott International no terceiro trimestre de 2026 combinou duas frentes de geração de receita para a companhia: melhor desempenho dos hotéis e expansão da rede. Com avanço tanto das diárias médias quanto da ocupação, o RevPAR global subiu 6,5% sobre igual período de 2025. O resultado levou a empresa a elevar sua projeção de crescimento do indicador para uma faixa entre 4,5% e 5% no ano.

O lucro líquido reportado atingiu US$ 794 milhões, alta de 9% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado somou US$ 1,512 bilhão, avanço de 12%. A receita com taxas de franquia e gestão cresceu 13%, para US$ 1,341 bilhão, impulsionada pelo aumento do RevPAR, do número de quartos e das taxas provenientes de cartões de crédito de marca compartilhada.

A diferença entre esses ritmos de crescimento ajuda a interpretar o balanço. A evolução da remuneração da Marriott não depende apenas da receita gerada pelos hotéis já em operação. A incorporação de unidades e os negócios associados às marcas também contribuíram para que as taxas de franquia e gestão avançassem acima do RevPAR.

EUA e Canadá crescem 7,4%

Nos Estados Unidos e no Canadá, o RevPAR aumentou 7,4%, ante 4,4% nos mercados internacionais. Segundo Anthony Capuano, presidente e CEO da Marriott International, o desempenho norte-americano foi disseminado entre os segmentos de clientes e as diferentes categorias de hotéis.

Nos mercados internacionais, a região da Ásia-Pacífico, excluindo a China, registrou crescimento superior a 9%, sustentado pela demanda de viajantes internacionais. Já a região que reúne Europa, Oriente Médio e África avançou mais de 4%, apoiada pelo desempenho europeu.

Embora o conflito no Oriente Médio tenha continuado a afetar os resultados locais, a companhia informou que as tendências melhoraram em relação ao segundo trimestre. A distribuição regional dos resultados mostra, portanto, uma recuperação com intensidades diferentes, mesmo com crescimento nos dois grandes blocos acompanhados pela rede.

Conversões superam 40% das inaugurações

A expansão também ganhou peso no trimestre. A Marriott adicionou aproximadamente 20,1 mil quartos líquidos, dos quais mais de 13,4 mil em mercados internacionais. Com isso, o número de quartos cresceu 4,6% em relação ao encerramento do terceiro trimestre de 2025.

Ao final do período, a rede reunia mais de 10,2 mil propriedades e quase 1,834 milhão de quartos. O pipeline atingiu um recorde de 4.209 empreendimentos e mais de 634 mil quartos, com 44% das unidades habitacionais em construção, incluindo hotéis em processo de conversão.

As conversões representaram mais de um terço das assinaturas e mais de 40% das inaugurações nos primeiros nove meses de 2026. Os percentuais evidenciam a importância da incorporação de empreendimentos existentes à rede, ao lado do desenvolvimento de novos hotéis.

O pipeline, entretanto, representa potencial de expansão futura e não deve ser confundido com oferta já disponível. O total inclui 266 propriedades, com mais de 37 mil quartos, cujos projetos estavam aprovados, mas ainda sem contratos assinados.

Taxas de incentivo sobem 22%

As taxas de gestão de incentivos totalizaram US$ 181 milhões, crescimento de 22% sobre o terceiro trimestre de 2025. Todas as regiões apresentaram evolução positiva, com destaque para Estados Unidos e Canadá.

O avanço desse indicador acrescenta outra dimensão à análise do trimestre, pois mostra que a expansão das receitas da companhia também alcançou a remuneração por incentivos de gestão.

Por outro lado, o desempenho positivo não se estendeu a todas as linhas do balanço. O resultado de hotéis próprios, arrendados e outras atividades, líquido das respectivas despesas, caiu de US$ 70 milhões para US$ 41 milhões. Entre os fatores apontados estão reformas, a venda de um hotel nos Estados Unidos e Canadá no segundo trimestre e custos maiores associados a um contrato com terceiros.

Dívida e juros acompanham o crescimento

As despesas líquidas com juros passaram de US$ 194 milhões para US$ 219 milhões, aumento de aproximadamente 13%, atribuído pela Marriott a saldos de dívida mais elevados. O endividamento total encerrou o trimestre em US$ 16,8 bilhões, ante US$ 16,2 bilhões no fim de 2025. O caixa e equivalentes somavam US$ 500 milhões.

Paralelamente, a empresa manteve a distribuição de recursos aos acionistas. No trimestre, recomprou 3,5 milhões de ações por US$ 1,3 bilhão. No acumulado do ano até 28 de outubro, dividendos e recompras totalizaram aproximadamente US$ 4 bilhões.

O balanço reúne, assim, crescimento operacional, expansão da rede e maior remuneração por franquia e gestão, acompanhado por despesas financeiras mais altas. Para o restante de 2026, a projeção revisada de RevPAR pressupõe, segundo a companhia, a continuidade das condições macroeconômicas atuais.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Marriott International

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